Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

31
Jan 09

Todos Conhecem a Terra

"TODOS CONHECEM A TERRA..."

("A GUERRA DOS TÊS " Ou "Lembrando Gedeão...")

Todos conhecem a Terra,
Que vem dos confins do Tempo,
Vem de um talvez contratempo,
É testemunha afinal;
Vem de tochas e de fráguas,
Tem o timbre dos cantores,
Tédios tranquilos vapores
No transparente das águas,
Tem temporal de báguas
Em temores de rostos mil,
Tem tempestade viril
Na transcendência do Ser...

Todos conhecem a Terra,
Tradição, trigo, ternura,
Um terreno de bravura
A transbordar tatuagens,
Qual talismã de miragens
De uma tarde ainda futura...

Todos conhecem a Terra,
Texto, terreiro, trabalho,
Trato, taxa ou espantalho,
Trégua em tratado tardio...
Taciturna por um fio;
Território, telegrama,
Transitório trunfo, trama
A transbordar de tensão...

Tabuleiro de tornado,
Turno de turma, pecado,
O tardar da televisão
Que é sinal de tempestade;
Tomar tarefa, torpedo,
Trincheira cheia de medo,
Trânsito, tiro de verdade,
Telemóvel e brinquedo;
Transtornada tentação,
Terramoto, temperatura,
Tiquetaque de rotura,
Tromba-d'água, tubarão;
Talhar de teima, temer,
Tecer truque tenebroso,
Testemunho que odioso
Nos faz tombar e torcer...

Todos conhecem a Terra,
Que é trampolim da comédia
E que num truque se encerra,
De transpirar sem recibo
Em tirania e tragédia
Na traição de uma tribo...

Todos conhecem a Terra,
Telefone de trovão
Que tosse como um tufão
Tóxicos traumas da guerra,
Que não pára, não tem termo,
Não tem fim, é um tormento...
Tantas toupeiras num ermo,
Quais tanques em movimento,
Três, treze e quantas mais...?
Vão cavar túmulos fatais...

Todos conhecem a Terra,
Onde até o topo erra,
Que é como um túnel, tesouro,
Termómetro e tenebroso
Tráfico feito sem ouro,
Por um bandido tinhoso,
Que trafica à tonelada,
Sem táctica ter traçada...
Tráfego, tranca, tarado,
Testículo abandonado
Por um traidor que merecia
Não um trono, mas torrado,
Ser em turbina de azia,
Sem eles morrer castrado...

Todos conhecem a Terra,
Técnica, troféu total,
Tímpano, trauma, torneio,
Transporte e tribunal,
Tanto trilho, transfusão,
Tentáculo de traiçoeiro,
Travessia terminal
Da trincheira de um tumor...
Troco, turista, terror,
Tratamento pra tirar
Tudo o que houver que depor,
Sem a tropa a tripular...

Todos conhecem a Terra...
E se houver uma Terceira
Guerra de trevas final,
Começada à terça-feira
Por um taliban fatal...?
Temível, totalitário,
Louco querendo trucidar
Um trémulo mundo ao contrário
Que não sabe ripostar...
Da tristeza à transfusão,
Com um terço em cada mão,
Vamos todos esperar
Que em bem possa terminar
Esta luta dita santa
Por quem tem cérebro de anta,
Que as torres fez desabar!...

Mas nada disto adianta,
Todos conhecem a Terra:
Havendo homens no mundo,
Num segundo travar guerra
É tara, filosofia,
Sonho tornado magia
Que vem dos confins do Tempo,
Vem de um talvez contratempo,
Testemunho que entre mil
Nos faz tombar e torcer
Em tempestade viril
Na transcendência do Ser...

Haragano, O Etéreo in Memórias Da Terra

publicado por plectro às 23:56
Palavras Chave:

Conversas de Ontem, Hoje e Amanhã 064

publicado por plectro às 01:01

A Imagem

"A IMAGEM"

Quem tem a idade da Primavera,
Quando as andorinhas
Ainda se aninham
Junto ao coração?

A idade das flores
Ainda detentoras
Do perfume do pecado original?

Quem tem na vida
Essa corrente de um rio
Que parece não mais acabar?
Quem...?

Quem tem a idade do crepúsculo
Antes do raiar
De um novo dia?

Quem tem a poesia
Num sorriso simples
Porque inato
E inocente?

Quem nasce todos os dias
Na saudade
Dos pensamentos escondidos
Da memória dos outros?
Quem...?

Só quem nestas palavras
Se reflete...

Quem dera
Que a imagem seja a tua...

Haragano, O Etéreo  in Memórias da Terra

publicado por plectro às 00:43
Palavras Chave:

30
Jan 09

Memórias da Terra

 "Memórias da Terra"

 

Terminou o livro de poemas "O Próximo Homem". No seu lugar inicia-se o livro seguinte "Memórias da Terra".

 

Porque as Memórias da Terra são fruto dos homens que a habitam, estas memórias não são as de todos os homens mas as deste ser que me constitui.

 

Neste livro desfilam algumas das lembranças do meu existir. Pedaços de mim onde choro, riu, falo e grito deixando o meu registo em cada uma das palavras que se unem em frases. Frases que geram poemas, poemas que fazem o Livro.

 

Espero que gostem, porque o Poeta vive sem ser lido mas não a Poesia.

 

Obrigado

 

Gil Saraiva

publicado por plectro às 23:35

Conversas de Ontem, Hoje e Amanhã 063

 

publicado por plectro às 09:50

 

Tien An Men

"TIEN AN MEN"

(AS VINDIMAS DE JUNHO)

Cantam as vindimas os Podadores,
Cantam na Praça de Tien An Men...

Vindimas de Junho
Onde uvas, aos cachos,
Aguardam a poda...
E há quem as ouça... parecem gritar:
"- Queremos Liberdade! Democracia...
E embora com medo queremos Liberdade!
Não vamos fugir,
Somos milhares pedindo uma voz,
E apenas uma,
Hoje e aqui em Tien An Men,
No lar da Paz Celestial...
Tien An Men, Tien An Men,
Pedimos apenas o que é natural!..."

Fazem chacinas os Caçadores,
Caçam na Praça de Tien An Men...

Chacinas de Junho
De foice e martelo, de gás e de bala,
De bomba e canhão, de tanques estanques,
Ceifam-se estudantes...
Morrem às dezenas, centenas, milhares,
Qual carne picada triturada a aço;
Não sobra pedaço...
No lagar de horrores o mosto já fede!...

E choram as vitimas dos Podadores
Choram na Praça de Tien An Men...

Vitimas de Junho...
Só os mortos cantam, num descanso ameno,
Na Praça da Paz Celestial...
Vitimas do medo, que o Poder tremeu,
Vitimas tão cedo de quem não cedeu...
Mortos, mais mortos e outros ainda
Que em Tien An Men
Pra sempre ficaram...
E só porque ousaram pedir Liberdade
Pra poder falar e ouvir e ler,
E poder escolher
Entre concordar e não concordar...

E contam as vitimas os Ditadores
Contam na Praça de Tien An Men

Um, dois, três, cem, mil, e mais e mais...
Aumentam os corpos ceifados a esmo:
Mulheres, homens, velhos, crianças,
Dois mil, três mil...
Vale mais não somar,
Esquecer os totais...
Que em Tien An Men ,
A praça da Paz Celestial,
Nasceu um Inferno feito por mil Dantes...
O Verão foi Inverno... morreram estudantes...

E cantam os Anjos num coro de dor
Cantam as Almas de Tien An Men...

E a China já chora
O chão decorado de ossos e tripas,
De músculos rasgados,
Banhados no sangue de um mar de mártires:
Um novo Austerlitz!...
No tocar dos extremos
O sangue é fusão...

Cantam as vitimas os Podadores
Tomara que só em Tien An Men...

Tomara também que no Luso Ocidente
Vindimas não hajam
Nos meses errados...

Cantam as vitimas os Podadores
Tomara que só em Tien An Men...

Vitimas de Junho...
Pisaram-se as uvas e embora verdes
Um mosto vermelho encheu o lagar
- Tien An Men... Tien An Men...
Os bagos esmagados parecem falar...

E cantam as vitimas os Podadores
Tomara que seja o Canto dos Cisnes...

Haragano, O Etéreo in O Próximo Homem

publicado por plectro às 09:44
Palavras Chave:

29
Jan 09

Conversas de Ontem, Hoje e Amanhã 062

 

publicado por plectro às 09:48

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