Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

14
Ago 09

"Haragano, O Etéreo"
.
(A HISTÓRIA de quem viu um
Pessoa que ri...)
.
.
Ao princípio
Senti-me como que um desaparecido...
.
Não em combate,
Como certos militares em terra estranha...
.
Não no triângulo das Bermudas,
Como reza a história de muitos navios...
.
Não em pleno ar,
Como se fosse um avião
Engolido pela própria atmosfera...
.
Não! Nada disso! Desaparecido de mim...
Sem identidade... Sem existência...
Sem referências... Sem sentido de viver...
.
Imagine-se a montanha!
Grande! Monstruosamente grande!
Gigante mesmo
Elevando-se na planície!
.
Isso fui eu,
O eu Narciso antes da primeira queda,
Antes do começo das erosões...
Seguidas, repetidamente insistentes,
Continuadas no tempo e na vida...
.
Isso fui eu,
Antes dos abalos, dos sismos,
Dos terramotos sem fim
Num mundo feito de sobrevivência
Mais que de essência!
.
E a montanha foi perdendo forma,
Volume, dimensão...
Até se confundir na planície amorfa
Da multidão sem rosto,
Sem esperança,
Sem dignidade
E sem amor próprio...
.
Aparentemente,
Eu tinha desaparecido,
Sem que um vestígio de sobrevivência
Servisse de pista
Para uma busca por mim mesmo...
.
Imagine-se um desastre
Num qualquer ponto isolado do globo,
Onde um hipotético sortudo
Salvo da morte pelo acaso,
Irremediavelmente ferido,
Acabasse por ficar
Virtualmente irreconhecível
Perante a exposição ao tempo
E às depredações dos animais
E da própria natureza...
.
Isso era eu!
Perdido de mim e dos meus...
Desaparecido do mapa
Dos humanos com voz própria!
.
Ao princípio
Foi assim que me senti.
.
Depois... ah depois, dei conta que vagueava
Sem destino ou rota certa...
Algures entre nenhures,
Um ser disforme,
Parco de alma e existir...
.
Durante momentos que pareceram anos,
Durante anos que não tiveram momentos,
Apenas procurei, não sei o quê...
Não sei porquê...
E não sei como...
.
Quando finalmente dei por mim,
Não passava de um vagabundo,
Perdido de si em busca do ser...
.
Era como se os locais,
Por onde a minha sombra
Me garantia a existência,
Fossem nuvens sem forma,
Estradas sem referências,
Caminhos sem lei...
.
Apenas limbos...
Apenas Éter...
.
Às vezes sentia
Que estava numa grande teia,
Cheia de predadores,
Plena de vítimas,
Ávida de sentidos e sentimentos...
.
Uma teia universal que me envolvia
Como uma rede escura e semieléctrica...
.
Descobri, aos poucos,
Que tinha sido absorvido pela internet
E que me tornara
Num Vagabundo Dos Limbos,
Em Haragano, O Etéreo,
Numa Lenda Urbana
De quem nunca ninguém ouviu falar,
Num Senhor dos Tempos
Sem tempo para si mesmo...
.
Um Sir, à inglesa, polido na forma,
Vazio no intimo de si próprio,
Repleto de vontade e de reconstrução...
.
Um Vagabundo Dos Limbos,
Haragano, O Etéreo,
Em busca da identidade esquecida
Num passado sem memória...
.
Até que renasci,
Gritando aos cinco ventos
A minha alvorada...
Vento de ser,
Vento de existir,
Vento de viver,
Vento de sentir,
Vento de amar...
.
Renasci num bairro da cidade
Onde um dia, faz tempo, nasci,
Lá para as bandas de Campo Grande,
Que mal conheço, talvez pelo tamanho...
Renasci num casamento, o meu segundo,
Num segundo, num momento, num clique...
Renasci ali, na Casa Fernando Pessoa
Onde casei de novo, convencido,
Quase meio século depois de ter nascido,
Em pleno Campo de Ourique...
.
De novo era gente,
Uma criatura nova,
Não na idade que essa
Não deixa Cronos em cuidados,
Mas na vida.
Renasci porque vi
O Pessoa que ri
Da improvável volta que dei
Na minha conturbada vida ou
Desta atualidade que nos cerca,
Deste Quinto Império em saldos,
Destes políticos sem espinha vertebral,
Do mar já salobro das lágrimas de portugal.
.
Eu era...
Eu sou, esse Sir,
O Vagabundo Dos Limbos...
Haragano, O Etéreo...
Pela rede universal transmitindo
A história de uma alma
Que aos poucos fui reconstruindo,
Sem vaidade, sem orgulho,
Sem a certeza sequer de ser ouvido...
.
Porém... com a esperança
De que ao falar globalmente
Para este universo imenso,
Podésse um dia agir localmente
Na alma de um ser que como eu
Se possa sinta desaparecido a dada altura...
Um ser exatamente como aquela que fez Pessoa rir
Ao casar comigo em casa dele,
Sem consentimento do próprio...
.
Assino, como me conhecem:
Sir, Vagabundo Dos Limbos,
Haragano, O Etéreo,
O Homem que viu um Pessoa que ri...
.
.
Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo


Agosto 2009
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