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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

26
Jan20

Beijo Debaixo de Chuva

Gil Saraiva

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90. Beijo Debaixo de Chuva, um dos que podemos ver repetido em inúmeras cenas românticas no cinema, da América à Índia, por todo o globo aliás, não existe provavelmente um país que não tenha um "take" num filme com uma sequência onde ele aconteça. Porém, muito mais importante ainda, é o facto de ele ser real, de ser quotidiano, de se repetir a cada dia por fazer prova de uma verdadeira demonstração de amor. Não tem a força de um beijo à chuva, mas anda perto. É digamos, uma réplica consolidada desse beijo anterior. Na verdade, nós, humanos, não saímos da nossa zona de conforto, retirando desta equação situações de poder ou de egoísmo, a não ser por algo superior, seja sobrevivência, fé ou pelo verbo magno a que designamos de amar.

25
Jan20

Beijo Dançado

Gil Saraiva

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89. Beijo Dançado, qual tango pleno que rasga uma sala na intensidade e beleza do ritmo. Dado com o jeito embalado de um samba que se mistura sensualmente com uma lambada de sangue latino porque se quer bem dado, bem sentido e bem emotivo. Entregue finalmente com um cheirinho de valsa, porque elegante, sério e cativante, de passo certo porque honesto e integro. Enfim, um beijo que nos embala numa dança sempre diferente, ao som de ritmos que apelam à ação dos corpos em exercícios de sensualidade que só se atingem dançado. Onde os movimentos dão ao beijar a cadência única daquilo que um dia se recordará como inolvidável.

24
Jan20

Beijo Dado

Gil Saraiva

 

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88. Beijo Dado, aquele que se oferece por gosto, sem contrapartida, na expetativa da sua aceitação pacífica e, com alguma sorte, até acolhida com agrado. Quando puro ele faz parte de um lote restrito de ósculos que, pela sua natureza e essência, são altruístas, solidários, carinhosos, sentidos e absolutamente voluntários. Porém existem outros cambiantes. Na terra da picanha e do feijão preto ganha o nome de beijo de Tia, isto porque, em muitas ocasiões, só as bochechas se encostam e os lábios apenas fazem o movimento do beijo.Em situações mais extremas o beijo dado é também apelidado de beijo de perua porque nada se encosta e apenas se ouve o estalo do beijo e se nota o movimento da cabeça. Mas colocando de lado estas duas representações teatrais de um beijo que deveria ser efetivamente dado, ficamos perante um beijo espontâneo e sincero, em suma, um beijo de verdade.

23
Jan20

Beijo Cúmplice

Gil Saraiva

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87. Beijo Cúmplice, inventado pelo querer de dois seres que o realizam por desejo, vontade e paixão simultânea. Este é um beijo que ganha asas na privacidade das alcovas, protegido por esses refúgios pouco iluminados onde a sensualidade invade as sombras e os rasgos de luz dopam as mentes, apuram os sentidos, exaltam os sentimentos num universo de prazer tornado tátil por mãos, corpos e lábios que se envolvem em exercícios viciantes, de lancinante loucura sã, que só terminam por rendição das partes bem depois da unificação de um todo feito a dois. Beijo de cumplicidade, parente rico do amor, alma gémea da felicidade.

22
Jan20

Beijo Cristalino

Gil Saraiva

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86. Beijo Cristalino como a gota de orvalho que seca a sede ao cato do deserto. Uma expressão que não me canso de usar pela força de vida que a imagem transmite, homenageando o grande Guerra Junqueiro. Porém, num beijo de elevada pureza, o realce tem de passar pela luz e brilho que o cristal aqui imprime. Seja um cristal de Murano, famoso pela arte e qualidade artesanal com que os italianos na ilha de Murano, ao largo de Veneza, fazem as suas peças, consideradas autenticas obras de joalharia e cristal, seja ainda um Bacará, sinónimo de status e opulência, charme e sofisticação, seja um Atlantis, símbolo de ressonância que se propaga no espaço dando aquela sensação de infinito, do brilho, da transparência e da luminosidade com que se chega ao belo. Beijo cristalino porque a perfeição é eterna.

21
Jan20

Beijo de Cristal

Gil Saraiva

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85. Beijo de Cristal pela pureza, vulcânico na intensidade, profundo pelo sentimento e feliz porque se afinal para sonhar basta apenas um, já para beijar são sempre necessários dois. Um beijo é sempre um ato delicado, que requer ternura, suavidade, e, tal como o cristal que nada mais é do que um vidro sem impurezas tratado com cuidados acrescidos, este beijo, pela maneira singela e doce como deve ser dado, para ser límpido e perfeito, ganha o nome ao cristal, absorve as suas propriedades mas ultrapassa a matéria inerte em emoção, calor, sensualidade, inocência, vibração, energia, vigor e significado. Um beijo de cristal é um beijo são, sentido, vindo do âmago de um e entregue no âmago do outro. Dá-se entre seres humanos e guarda-se na cristaleira da paixão.

20
Jan20

Beijo Criativo

Gil Saraiva

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84. Beijo Criativo, produzido fora de qualquer sonho, por mais divinal que este possa ser. Originado na realidade sincera de querer entregar, com a maior das simplicidades e vontades, algo de agradável a alguém, que se determinou previamente, e a quem se quer, mais do que tudo, prestar um agrado, uma afeição, algo simples, mas profundamente sentido e intencional. Sempre será, contudo, original e até artístico não perdendo a naturalidade, na senda do inesperado, mas apetecido, por forma a não provocar qualquer reação de desagrado, mas sim, possivelmente, ser recompensado com um outro beijo ou com um sorriso retributivo de simpatia, ou, quem sabe, um beijo de mais além...

19
Jan20

Beijo de Corte

Gil Saraiva

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83. Beijo de Corte, poderia ser este um beijo de vénia, de charme ou à Luís XV, mas embora ele possa ter toda essa força incluída, aqui importa mais o sentido do próprio do fazer a corte, do engalanar-se de rodeios e insinuações para se valorizar. Tudo à volta tem de ser criado de modo a dar-lhe grandeza e interesse, beleza e carisma, desejo e subtileza. Afinal interessa que a dama escolhida se sinta atraída pelo ambiente, pelo cavalheiro e pelo próprio beijo de um modo tão irresistível que a corte se torne eficaz levando a donzela a sentir-se rainha, o cavalheiro a imaginar-se nobre e o beijo a tornar-se épico.

 

18
Jan20

Beijo de Conto de Fadas

Gil Saraiva

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82. Beijo de Conto de Fadas, de fábula ou rábula, de história de reis e de rainhas, beijo de qualidades encantadas, de fazer corar vizinhas, de despertar quem dorme como que "para ver a banda passar cantando coisas de amor" como diz o trovador Chico Buarque. Um beijo para a eternidade, pois que se instala na memória para ser contado repetidamente aos serões, de olho de lágrima que ri, até aos confins da idade. Ele é o ato de uma vida, aquele que nos faz sonhar desesperadamente na ânsia de um possível "encore" que nunca chega, mas sempre se adivinha.

17
Jan20

Beijo Conspirador

Gil Saraiva

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81. Beijo Conspirador, entregue na penumbra ou nas sombras da noite onde a luz parece temer chegar, talvez até porque a trama no escuro adensa o perigo, aviva os sentidos, desperta a imaginação, aguça cheiros e odores e gera uma intimidade envolvente que se acerca dos protagonistas como se de uma bruma se tratasse. Um limbo em que o espaço não tem dimensão e o tempo não tem relógio. Onde o instante dura uma eternidade e onde a eternidade parece gastar-se instantaneamente pela avidez da situação. Tudo porque um beijo conspirador é, por mérito próprio, o beijo digno dos amantes, no sentido mais romântico do luxurioso termo. Ele nasce do perigo, vive da excitação e realiza-se no existir.