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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

25
Out08

Música 25/10

Gil Saraiva

 

Música

"MÚSICA"

A música tem o espaço invadido
De ternas melodias...

No bar,
A tela sem som,
Transmite ilusões
De novelas sem fim...

A cena,
Com contornes de virtualidade,
Faz-me ver-te ali...
Do outro lado do bar,
Na penumbra das luzes
Em perpétua difusão...

Ali...
Nessas formas
Desse corpo que sonho;
Nas margens desse teu cabelo,
Onde os meus dedos anseiam
Perder-se um dia mais...

Procuro,
Com ânsia adolescente,
O teu olhar,
Profundo...
Oculto...
Magnífico...
E sinto-o no sorriso
Desses lábios
Que Mona Lisa invejaria ter...

Porque não falas?
A espera
É como um incêndio de floresta...
Consome tudo em seu redor...
Devora o íntimo do ser e...
Mesmo assim...
É divino o prazer
Da ansiedade...

A música
Tem o espaço invadido
Do teu ser...
E a tela,
Sem som,
O sorriso mudo dos teus olhos!

A cena faz-me imaginar
Contornes de impossível...
E na penumbra das luzes
O sonho aparenta
Um perpétuo devir...

Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

24
Out08

Já se vai 24/10

Gil Saraiva

 

Já se vai

"JÁ SE VAI..."

Vem
Voar comigo entre palavras...
A volta ao mundo daremos
Em segundos pela net...

Vem!
Temos a riqueza suprema
Dos chats que trocamos,
Em letras que tudo dizem
Nas frases que em conjunto
Constituem...

Vamos
Sentir o vento
Nos acentos das palavras...
O mar em cada til
Salgado de emoção...

Vem!!!
Vamos provar
As nossas bocas
Nos simbolos simples
Das chavetas...
Ah!


Vem!...
Que net é lenta ainda
Mas a noite é curta
E já se vai...

Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

23
Out08

Felicidade 23/10

Gil Saraiva

 

Felicidade

 "FELICIDADE"

Dar asas à imaginação exige
Que nos afastemos da realidade...
Não podemos imaginar
Presos no colete de forças
Das normas e das leis,
Dos parâmetros sociais
Em que estamos envolvidos...

Imaginar
Implica liberdade de espírito,
De conceitos, de regras e de tabus...

Tal como a imaginação
Apela a uma forte libertação
Também o amor demanda
Os mesmos procedimentos...

Para amar é preciso ser livre
E estar disposto a tudo...

A diferença entre amar e imaginar
Traduz-se no objectivo
De cada um dos termos,
Na força implícita
Que em cada caso teremos que usar...

Se a finalidade da imaginação
Se retracta no acto criativo
De gerar um contexto
Nunca antes tornado cognitivo,
Em que o esforço pedido à mente
É apenas de abstracção,
Já amar obriga à utilização
De todos os recursos do ser
E tem, por fim,
A conquista inequívoca
Do que se ama...

Uma certeza podemos ainda acrescentar:
Quem ama utiliza, vezes sem conta,
A imaginação como recurso, meio,
Perspectiva e criação
Dos seus cenários de futuro,
Tornados presente em cada hora...

Já quem imagina apenas se limita
A criar a metáfora de cenários
Ou futuros possíveis
Sem a preocupação de com eles atingir
Qualquer nível de alegria.

É aqui que reside
A diferença fundamental:
Imaginar solicita um acto criativo
Por si só suficiente,
Enquanto amar possibilita
Que se encontre a chave última da razão
Pela qual todos existimos:
A felicidade!...

Por tudo isto
Eu confesso neste testemunho
Que sou livre e feliz:
Não só eu imagino que amo...
Como amo porque me tornei
Inegavelmente detentor
Da Felicidade!...

Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

22
Out08

Os Novos Provérbios do Século XXI

Gil Saraiva

Proverbiando...

 "A ordenhadora computorizada é quem mais ordenha"

Inicia-se hoje uma nova rubrica nos Desabafos de um Vagabundo: Provérbios para as futuras gerações, mas não uns quaisquer provérbios insipidos carcomidos pelo tempo, novos provérbios ou, quanto muito, reinspirações de ultrapassados chavões populares.

 1) Onde se dizia "Gato escaldado de água fria tem medo" deve passar a dizer-se "Gato escaldado de cão frio tem medo" ou "Porto escaldado na Ucrânia tem medo".

 2) Onde se dizia "Mais vale um pássaro na mão que dois a voar" deve passar a dizer-se "Mais vale um passarão na prisão que dois em minha casa" ou "Mais vale um Sócrates no Governo que dois no meu andar".

 3) Onde se dizia "O Povo é quem mais ordena" deve passar a dizer-se "A ordenhadora computorizada é quem mais ordenha" ou "A Manuela Ferreira Leite não dá boa ordenha", embora neste último caso haja quem acrescente: "...e se não se tiver cuidado o leite azeda".

 4)Onde se dizia "Mais homens se afogam no copo que no mar" deve passar a dizer-se "Homem que se afoga no copo não morre afogado" ou "Quando mais o Governo afunda mais grita que sabe nadar".

 5) Onde se dizia "E tudo o vento levou" deve passar a dizer-se "Se for peido também me vou" ou "Se for a ASAE digam que nem cá estou".

 Hoje ficamos por aqui, mas amanhã continuaremos por ali. Pede-se desculpa pelo uso de uma linguagem mais brejeira, mas

 6) Prefiro morrer de fome que de caganeira

 o que apenas poderá significar que o indivíduo em causa tem um verdadeiro afecto pelo seu temperamento olfativo.

 

 Haragano

22
Out08

Estive quase morto no deserto e o Porto aqui tão perto...

Gil Saraiva

O Futebol Clube do Porto não pode ter 90 minutos de Sacrifício

Estive quase morto no deserto e o Porto aqui tão perto...

 No Porto corre sangue azul na crucificação do Cavaleiro Jesualdo Ferreira, o último dos Lordes do Reino do Dragão. O Castelo do Dragão Azul foi assaltado pelos Bárbaros Ucranianos liderados pela horda do Dínamo de Kiev que, pela pata de Aliyev, o Urso Polar, gelou o coração do Dragão aos 27 minutos da batalha, tendo ficado sem sequer conseguir tirar partido desse fenómeno, recentemente chegado às hostes azuis, que dá pelo nome artístico de Incrível Hulk.

 D. Nuno, o Guardião Mor das Redes Reais do Reino do Dragão afirmou no flash interview: “O futebol é isto. São 90 minutos de sacrifício, de ataque continuado e não marcamos uma única vez. Eles, pelo contrário, num só remate à baliza, acertaram e ganharam. Por vezes isto é mesmo assim". E aparentando ter consultado à socapa o Rei Pinto da Costa no final do confronto afirma ainda D. Nuno com uma certeza inigualável: “Temos de continuar a trabalhar, com a dedicação de sempre. Precisamos de vencer na Ucrânia. Temos todas as condições para ganhar lá. Creio que nessa partida eles não vão jogar com 11 jogadores atrás da bola".

 Não sou portista e ainda por cima sou republicano (o meu Office 2003 dá erro na palavra portista – será vingança?), e sou daqueles que torce por qualquer clube português em jogos com equipas estrangeiras. Contudo acho que o FCP precisa começar a falar menos, a prometer menos e a fazer mais. Longe vai o tempo de Pepe, Bosingwa e Quaresma. É preciso reagir e criar novos Guerreiros no Reino do Dragão. Não quero o canto do cisne de Sérgio Godinho: "Estive quase morto no deserto e o Porto aqui tão perto."

Gil Saraiva

22
Out08

Haragano, O Etéreo 22/10

Gil Saraiva

Haragano, O Etéreo

"Haragano, O Etéreo"
(A HISTÓRIA...)

Ao princípio
Senti-me como que um desaparecido...

Não em combate,
Como certos militares em terra estranha...

Não no triângulo das Bermudas,
Como reza a história de muitos navios...

Não em pleno ar,
Como se fosse um avião
Engolido pela própria atmosfera...

Não! Nada disso! Desaparecido de mim...
Sem identidade... Sem existência...
Sem referências... Sem sentido de viver...
.
Imagine-se a montanha!
Grande! Monstruosamente grande!
Gigante mesmo
Elevando-se na planície!

Isso fui eu,
O eu Narciso antes da primeira queda,
Antes do começo das erosões...
Seguidas, repetidamente insistentes,
Continuadas no tempo e na vida...

Isso fui eu,
Antes dos abalos, dos sismos,
Dos terramotos sem fim
Num mundo feito de sobrevivência
Mais que de essência!

E a montanha foi perdendo forma,
Volume, dimensão...
Até se confundir na planície amorfa
Da multidão sem rosto,
Sem esperança,
Sem dignidade
E sem amor próprio...

Aparentemente,
Eu tinha desaparecido,
Sem que um vestígio de sobrevivência
Servisse de pista
Para uma busca por mim mesmo...

Imagine-se um desastre
Num qualquer ponto isolado do globo,
Onde um hipotético sortudo
Salvo da morte pelo acaso,
Irremediavelmente ferido,
Acabasse por ficar
Virtualmente irreconhecível
Perante a exposição ao tempo
E às depredações dos animais
E da própria natureza...

Isso era eu!
Perdido de mim e dos meus...
Desaparecido do mapa
Dos humanos com voz própria!

Ao princípio
Foi assim que me senti.

Depois, dei conta que vagueava
Sem destino ou rota certa...
Algures entre nenhures,
Um ser disforme,
Parco de alma e existir...

Durante momentos que pareceram anos,
Durante anos que não tiveram momentos,
Apenas procurei, não sei o quê...
Não sei porquê...
E não sei como...

Quando finalmente dei por mim,
Não passava de um vagabundo,
Perdido de si em busca do ser...

Era como se os locais,
Por onde a minha sombra
Me garantia a existência,
Fossem nuvens sem forma,
Estradas sem referências,
Caminhos sem lei...

Apenas limbos...
Apenas Éter...

Às vezes sentia
Que estava numa grande teia,
Cheia de predadores,
Plena de vítimas,
Ávida de sentidos e sentimentos...

Uma teia universal que me envolvia
Como uma rede escura e semi-eléctrica...

Descobri, aos poucos,
Que tinha sido absorvido pela internet
E que me tornara
Num Vagabundo Dos Limbos,
Em Haragano, O Etéreo,
Numa Lenda Urbana
De quem nunca ninguém ouviu falar,
Num Senhor dos Tempos
Sem tempo para si mesmo...

Um Sir, à inglesa, polido na forma,
Vazio no intimo de si próprio,
Repleto de vontade e de reconstrução...

Um Vagabundo Dos Limbos,
Haragano, O Etéreo,
Em busca da identidade esquecida
Num passado sem memória...

Até que renasci,
Gritando aos cinco ventos
A minha alvorada...
Vento de ser,
Vento de existir,
Vento de viver,
Vento de sentir,
Vento de amar...

De novo era gente,
Uma criatura nova,
Não na idade que essa
Não deixa Cronos em cuidados,
Mas na vida.

Eu era...
Eu sou, esse Sir,
O Vagabundo Dos Limbos...
Haragano, O Etéreo...
Pela rede universal transmitindo
A história de uma alma
Que aos poucos fui reconstruindo,
Sem vaidade, sem orgulho,
Sem a certeza sequer de ser ouvido...

Porém... com a esperança
De que ao falar globalmente
Para este universo imenso,
Possa um dia agir localmente
Na alma de um ser que como eu
Se sinta desaparecido a dada altura...

Assino, como me conhecem:
Sir, Vagabundo Dos Limbos,
Haragano, O Etéreo...

Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

21
Out08

A Nova PIDE/DGS

Gil Saraiva

A Nova PIDE/DGS

Ou

Uma maninha chamada ASAE

O Regresso do Medo...

Sendo eu, por nascimento, português, faço parte de um povo de brandos costumes e de uma tolerância à prova quase de choque. Mas sou, também, um daqueles que gosta de refilar por tudo e por nada, porque nós temos essa tendência meio masoquista de criticarmos o que é nosso (nacional) mas que, por acaso, até é do próximo (vizinho, conhecido, pessoa mais ou menos famosa ou até um dos VIPs cá do burgo). Somos assim, podemos nem estar a sofrer com a crise, mas, como convém que ninguém saiba que até estamos bem, não se vão lembrar de nos chatear, lá alinhamos nós na desgraça nacional da crise que nunca mais passa. Temos a tendência incompreensível de nos acharmos vítimas de tudo e de todos.

 E é neste ambiente de consciência negativa que nasce como um novo organismo mas que é na realidade um fruto de fusões, transformações, maiorias absolutas e sede de poder, uma autoridade nacional de repressão, feita de encomenda para os nossos masoquistas sentimentos de que as coisas não estão bem no que ao quintal do vizinho diz respeito: A ASAE, leia-se a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, um órgão de Policia Criminal.

 Quando foi criada em 2005 a ASAE deveria ser a resposta nacional à EFSA, em português a Autoridade Europeia de Segurança dos Alimentos, mas o governo não podia, nem queria criar um organismo de apenas defesa alimentar dos seus cidadãos, dependente de um menos significativo Ministério da Agricultura. Não! Era necessário pôr o povo na ordem. O plano desenvolveu-se em 2 fases.

A 1ª. Fase, em 2005, foi a dos pezinhos de lã, com o objectivo de relançar a política de defesa dos consumidores, criando uma entidade para avaliar os riscos na cadeia alimentar e fiscalizar as actividades económicas a partir da produção e em estabelecimentos industriais ou comerciais. Funções, essas, que antes estavam dispersas por vários serviços e organismos, tardando-se ai a ASAE de um organismo principalmente fiscalizador e tendo como pano de fundo o espírito da Autoridade Europeia de Segurança dos Alimentos, pese embora já com a sementinha da economia plantada no seio do organismo.

A 2ª. Fase, em 2007, foi a da tomada do poder, sendo uma das alterações com maior impacto a da transformação da ASAE num órgão com poderes de autoridade, ou seja um órgão de polícia criminal. Como tal pode fazer buscas, apreensões e escutas telefónicas, desde que autorizadas por uma autoridade judiciária. O mesmo acontece com as restantes polícias. Ou seja, na prática a ASAE é uma polícia (ainda por cima criminal) que não foi ratificada pelo Parlamento como constitucionalmente o deveria ter sido.

 Mais grave é que um organismo criado, em princípio, para de defesa dos consumidores se torna numa polícia criminal de métodos e objectivos bem mais repressivos. A Polícia Internacional e de Defesa do Estado / Direcção Geral de Segurança, vulgo PIDE/DGS, nasceu assim: funções administrativas e funções de repressão e prevenção criminal também com contornos de defesa dos cidadãos e da sua suposta segurança (conforme consta no Art. 2º. do decreto que a constituiu e que a legalizou) só que a irmã mais nova, a ASAE, que por decreto tem muitas funções, não deixa de ter, no meio das suas inúmeras alíneas, o desenvolvimento de acções de natureza preventiva e repressiva (conforme se poderá constatar no Decreto-Lei n.º 274/2007 que só não a legitimou porque o Parlamento não lhe deu aval, o que parece ser um detalhe insignificante para os senhores do poder). Bem mais esperta do que a irmã, e clamando uma legitimidade que afinal nem tem, a ASAE promete dar que falar enquanto não formos impedidos de o fazer porque tinhamos peixe congelado fora de prazo na arca frigorífica lá de casa.

 Voltarei por certo a este tema até porque ainda agora estamos a analisar a ponta do iceberg.

 Gil Saraiva

21
Out08

Ela 21/10

Gil Saraiva

Ela

"ELA..."
 
Ela
Não podia estar ali...

Talvez...
Nos confins do pensamento,
Longe de tudo...
Não de todos!...
Um rosto jovem no sorrir...

Um rosto,
Com raios de Sol
Caindo nos ombros,
Em cabelos de um ouro
Que brilha no escuro...

O azul do mar
Repousando nas pálpebras,
De uns olhos castanhos
Que brilham também...

Um doce poente
Poisado nos lábios,
De uma boca que arde
E cheira a pecado...

Um luar de prata
Em seu meigo rosto,
De uma Lua Cheia
Que ilumina a serra...

Os traços de Vénus
Moldados num corpo,
Que Gaia quis tão fértil
Como sensual...

O entardecer
Descendo no ventre,
Qual crepúsculo
Anunciando a plenitude...

O sabor a sal
Colando-lhe as coxas,
Húmidas de ansiedade,
De ante-prazer...

O toque da seda
Envolvendo os seios,
Tentando esconder
A derme perfeita...

O amor perdido
Em seu terno olhar,
Que busca sedento
Outro olhar igual...

E um ar de oásis
Cobrindo-lhe a pele,
Qual neblina ténue
Desejando Sol...

Ela...
Não podia estar ali...

Talvez...
Perto de alguém,
Imaginário ninguém,
A quem esperava,
Um dia,
Vir a encontrar!...

Ela
Não podia estar ali...!

Não!...
Não existe tal paisagem,
Pois as quimeras
Nunca são reais!

Mas...
Se por força
De acasos impensáveis,
A paisagem
Não for mera miragem...

Se o ocaso
Realmente for poente
Que chega ante meus olhos
Suspensos na excepção,
Então... então...

Então tudo eu dou
Pela paisagem!...
O que sou,
O que fui
E o que serei,
O que tenho
E o que possa vir a ter...
Tudo!...

Porque tudo é pouco
Se puder na paisagem
Meu ser eu colocar...
Num canto,
Ali...
Mas enquadrado...

Ela
Não podia estar ali...

Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo
 

20
Out08

Aqui 20/10

Gil Saraiva

 

Aqui

"AQUI..."

Aqui,
Onde a palavra mais se afirma
Como produto social,
A faculdade última
De comunicarmos
Por meio de sinais
Que todos entendemos,
Porque são próprios
Desta comunidade
Que constituimos...

Aqui,
Onde a fala
Se traduz na escrita
Como um acto de utilização
De uma linguagem,
E porque não,
Como a concretização
Do potencial da língua
Passada à palavra...

Aqui,
Falamos...
Escrevemos...
Sentimentos em sinais,
Próprios do grupo
Que constituimos...

Aqui
Traduzimos estados da alma
Em discursos originais,
Vivos e criativos,
Através de combinações livres
Do que somos, sentimos,
Queremos, desejamos
E em última análise
Sonhamos...

Aqui...
Somos,
Nas palavras,
Verdadeiras metáforas
Do que queremos ser...
Configurações tacitamente
Assumidas pela líbido...

Aqui...
Inventamos verdades inequívocas
Provocadas pelo efeito do écran,
Como se da nossa própria visão
Se tratasse...
E nos lugares comuns
Desta linguagem
Afirmamos o grito
Da nossa solidão...

Aqui
Queremos existir
Em felicidade!...
Pura,
Simples,
Essencial...

Aqui
Conseguimos entender
E produzir
Um número infinito de frases
Que nunca antes lemos,
Ouvimos ou pronunciamos...
E porquê?
Porque estamos integrados!...

Aqui...
Somos parte de um todo
Que funciona sem conhecimento
De todas as partes,
Aparentemente anárquico,
Mas obviamente
Interligado a esquemas
Que apenas o nosso subconsciente
Consegue interpretar...
Enfim...

Aqui...
Somos os filhos
De uma mesma alcateia
E ao uivarmos,
Não estamos apenas a venerar a Lua
Que se encontra cheia...
Mas a dizer também aqui
Que queremos amar!...

Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

19
Out08

Alguém 19/10

Gil Saraiva

 

Alguém

  "ALGUÉM"

Vagabundo Dos Limbos...
Haragano, O Etéreo...
Jangada de palavras
Que flutuam pela net
Sem um rumo certo...

Sou
Aquilo que sempre fui:
Um sonhador!...

Sinto todas as lágrimas
Que choro em gotas de bits
E cascatas de bytes
Sem destino...

Sou
Um Vagabundo Dos Limbos...
Sou
Haragano, O Etéreo...

Que mais posso almejar
Do reino das palavras?
Quero a verdade!
E isso é muito?

Rindo de mim mesmo
Vou ficando...
Quem verdade fala
A um haragano?

Quem, na jangada,
Tem rumo, destino?
Ah!...
Tem de haver alguém...

Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo