Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

30
Jan09

Um Novo Livro: Memórias da Terra

Gil Saraiva

Memórias da Terra

 "Memórias da Terra"

 

Terminou o livro de poemas "O Próximo Homem". No seu lugar inicia-se o livro seguinte "Memórias da Terra".

 

Porque as Memórias da Terra são fruto dos homens que a habitam, estas memórias não são as de todos os homens mas as deste ser que me constitui.

 

Neste livro desfilam algumas das lembranças do meu existir. Pedaços de mim onde choro, riu, falo e grito deixando o meu registo em cada uma das palavras que se unem em frases. Frases que geram poemas, poemas que fazem o Livro.

 

Espero que gostem, porque o Poeta vive sem ser lido mas não a Poesia.

 

Obrigado

 

Gil Saraiva

30
Jan09

Tien An Men 30/01

Gil Saraiva

 

Tien An Men

"TIEN AN MEN"

(AS VINDIMAS DE JUNHO)

Cantam as vindimas os Podadores,
Cantam na Praça de Tien An Men...

Vindimas de Junho
Onde uvas, aos cachos,
Aguardam a poda...
E há quem as ouça... parecem gritar:
"- Queremos Liberdade! Democracia...
E embora com medo queremos Liberdade!
Não vamos fugir,
Somos milhares pedindo uma voz,
E apenas uma,
Hoje e aqui em Tien An Men,
No lar da Paz Celestial...
Tien An Men, Tien An Men,
Pedimos apenas o que é natural!..."

Fazem chacinas os Caçadores,
Caçam na Praça de Tien An Men...

Chacinas de Junho
De foice e martelo, de gás e de bala,
De bomba e canhão, de tanques estanques,
Ceifam-se estudantes...
Morrem às dezenas, centenas, milhares,
Qual carne picada triturada a aço;
Não sobra pedaço...
No lagar de horrores o mosto já fede!...

E choram as vitimas dos Podadores
Choram na Praça de Tien An Men...

Vitimas de Junho...
Só os mortos cantam, num descanso ameno,
Na Praça da Paz Celestial...
Vitimas do medo, que o Poder tremeu,
Vitimas tão cedo de quem não cedeu...
Mortos, mais mortos e outros ainda
Que em Tien An Men
Pra sempre ficaram...
E só porque ousaram pedir Liberdade
Pra poder falar e ouvir e ler,
E poder escolher
Entre concordar e não concordar...

E contam as vitimas os Ditadores
Contam na Praça de Tien An Men

Um, dois, três, cem, mil, e mais e mais...
Aumentam os corpos ceifados a esmo:
Mulheres, homens, velhos, crianças,
Dois mil, três mil...
Vale mais não somar,
Esquecer os totais...
Que em Tien An Men ,
A praça da Paz Celestial,
Nasceu um Inferno feito por mil Dantes...
O Verão foi Inverno... morreram estudantes...

E cantam os Anjos num coro de dor
Cantam as Almas de Tien An Men...

E a China já chora
O chão decorado de ossos e tripas,
De músculos rasgados,
Banhados no sangue de um mar de mártires:
Um novo Austerlitz!...
No tocar dos extremos
O sangue é fusão...

Cantam as vitimas os Podadores
Tomara que só em Tien An Men...

Tomara também que no Luso Ocidente
Vindimas não hajam
Nos meses errados...

Cantam as vitimas os Podadores
Tomara que só em Tien An Men...

Vitimas de Junho...
Pisaram-se as uvas e embora verdes
Um mosto vermelho encheu o lagar
- Tien An Men... Tien An Men...
Os bagos esmagados parecem falar...

E cantam as vitimas os Podadores
Tomara que seja o Canto dos Cisnes...

Haragano, O Etéreo in O Próximo Homem