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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

31
Ago09

Poesia: Livro - Nos Caminhos Da Flor

Gil Saraiva

"EU ESPERO"
.
.
Penso sozinho, eu sei,
Na solidão...
E o silêncio, nas sombras,
Não me ajuda...
Apenas faz crescer
Minha paixão...
Apenas me corroi
E me tortura
Em processos de mágoas
E loucura!...
.
E como se agrava a minha dor...
Em mil momentos de pavor...
Pois quanto mais eu penso,
Mais eu sei,
O quanto me doi
E me magoa,
Ter na solidão a voz amiga
Ou um riso cínico de intriga!...
.
Onde estará o meu amor?
Será que me deseja
Ou que me insulta?
E pensará em mim
A flor oculta?
Porque será que amar
Também é dor...?
.
Talvez se sinta só,
Para além das estrelas,
Através de imaginária ponte...
Através da linha do horizonte
Vem com as ondas do mar,
Vem para amar...
.
Espuma de raiva incontida
De querer e me não ter,
Mas de ser vida...
Mas de ser Ser...
.
Ela sabe, ao certo,
Que a desejo...
Me conhece bem
Em cada beijo...
Ai! Como posso eu
Viver sem ela...?
.
Eu quero o meu amor aqui,
Comigo...
Brilhando com o brilho
De uma estrela!...
.
Sinto algures alguém...
Sinto um respirar na escuridão...
E sinto mesmo
Sem sentir ninguém
Porque oiço bater um coração,
No silêncio dos limbos
Que não vejo,
No escuro vagabundo
Onde desejo,
Qual Haragano,
Um Etéreo ser,
Sem forma definida...
.
Eu a verei até,
Talvez, quem sabe,
Um outro Inverno...
.
E esperarei de pé,
Mesmo que a força acabe,
Na calote cristálica, glaciar,
No frio gelado de tão externo...
.
Se tiver de aguardar...
Aguardarei...
Aguardarei por meu amor eterno!...
.
Como um raio de Sol ela será...
Tão radiante
O gelo fundirá...
Nada esconderá o seu semblante!...
.
Viajar pela noite viajarei...
Guiando-me pela luz sem ter sinais...
A luz do seu amor, do meu amor,
A luz dos nossos ideais!...
.
E agora, por fim, nada mais digo...
Sei... sou... desejo... quero...
Eu sei meu amor o que consigo:
"-Amor acredita... Amor... eu espero!..."
.
.
Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

30
Ago09

Poesia: Livro - Nos Caminhos Da Flor

Gil Saraiva

"ETERNIDADE"
.
.
Quando na Praia Grande
Um jovem passa,
Num surfar que abraça,
Sem que abrande,
A praia, o mar,
O horizonte...
.
Quando a prancha é ponte,
E de fugida,
Entre espuma é hino,
Pelas vagas da vida,
Sem destino...
.
Quando na curva navega
Sobre as ondas,
Livre de entrega,
Sem fios, sondas,
Rumo ao céu divino...
.
Quando ao mar arranca
Pelas águas,
Um rufar, qual tambor
Em desatino...
.
Quando, ao Sol que desce,
A prancha desliza intemporal,
Enquanto o perigo cresce,
De forma injusta
E desigual:
.
Eu... vejo no surfista
A despedida:
Na forma de uma vaga...
Em agitar fatal...
Me recordando,
Um momento de partida
Em que a espuma
É teu rosto
Em lágrimas de sal!...
.
Não!
Não posso mais sentir
Tamanha dor...
.
Meu corpo quero fundir
Com teu amor,
E, mais que a saudade
Que em meu ser hoje treme,
Eu quero a força
Da vaga que geme,
O azul marinho
Da longevidade,
Eu quero, amor,
Contigo a eternidade!!!
.
.
Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

29
Ago09

Poesia: Livro - Nos Caminhos Da Flor

Gil Saraiva

"ETERNA ROCHA"
.
.
A flor do jardim olhou para mim...
Eu, um Vagabundo Dos Limbos,
Da net; Senhor da Bruma, da noite;
Haragano, O Etéreo...
Lenda urbana de quem nunca
Ninguém ouviu falar...
.
Passava perto, a caminho da vida,
E a flor do jardim olhou para mim...
.
As pétalas penteadas pela brisa,
O tronco hirto e firme pela certeza,
As folhas como braços abertos
Em minha direcção...
.
"- É contigo que eu quero partilhar
A minha essência...
Aqui, numa cama de pétalas,
Sob um céu de luar...
.
Vem! Terás contigo o perfume da noite,
O sorriso das estrelas,
A plácida tranquilidade da Serra
Perante a eterna vigília da Lua...
.
Vem! Ocupa o meu jardim, sê meu Senhor,
O Senhor da Serra da Lua,
Dono do meu amar, do meu amor..."
.
Olhei a flor do jardim...
Ainda suspirava na ansia da resposta...
.
Olhei a flor, ali, ao sol exposta,
Branca e pura como a pura neve,
Silvestre e livre como a liberdade,
Doce e bela como a natureza...
.
Sorri... Oh como eu sorri...
Sorri de orgulho daquele olhar florido
Em mim poisado,
De vaidade infinita por me sentir
O desejo profundo de uma flor
E respondi:
.
"- Flor, eu sou um Vagabundo Dos Limbos,
Da net; Senhor da Bruma, da noite;
Haragano, O Etéreo,
Lenda urbana de quem nunca
Ninguém ouviu falar,
Buscava perdido o caminho da vida,
Em confusão, e... afinal...
Tudo é tão mais simples...
.
Serei teu e serás minha
Se o orvalho da madrugada
Eu poder ser em tua sede,
Alimentando-te a raiz e o existir...
.
Serei, enfim, o solo onde te firmas,
Servo da terra onde és jardim...
.
Não te quero eu perder,
Dá-me o teu etéreo existir
Na eternidade,
Transmuta-me na Serra da Lua...
.
Que a minha voz seja agora
A do vento que sopra de Ocidente,
A saliva o mar
Que desagua no meu corpo
E meus passos as pegadas do futuro
Que um qualquer dinossauro
Marcou na eterna rocha..."
.
.
Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

28
Ago09

Poesia: Livro - Nos Caminhos Da Flor

Gil Saraiva

"BIUNIVOCAMENTE..."
.
.
Tu és o aroma
Que meus passos
Adoram percorrer,
O sorriso que ilumina
O fundo da minha alma,
A vida pela qual
Eu acabo por descobrir
Que tudo valeu a pena...
.
Mais do que a flor
És a essência,
A coerência,
A relação adequada
Entre o sentir
Que te transmito
Pelo conhecimento do que és
E o amor que me difundes
No cerne desse mundo
Que te constitui...
.
A essência...
A verdade...
A pureza dos princípios,
A lógica ordenada
De nossos olhares,
A ordem afrodisíaca
De uma linguagem mista,
Linguísticamente pura,
Absolutamente articulada,
Interactiva...
.
Onde o discurso de incoerente
Desagua em ideias
Plenas de subjectividade,
De nuances incompreensíveis,
Em que tudo se resume
Àquilo que o coração
Chama de Amor...
.
Tu és o aroma,
O texto sagrado
De uma religião paranormal
Porque transcendente da razão...
.
Tu és o acontecimento,
A situação e mais ainda,
A equívoca equação
Que não se anula
Mas se traduz no intimo
Deste teu interlocutor...
.
A falta de univocidade
Pode transformar nossas palavras
Num lugar indefinido
Que nenhum de nós
Consegue controlar...
.
Mas controlar para quê?
Importa sim sentir...
Sim... sentir...
.
O aroma
Que meus passos adoram percorrer,
O discurso de ideias
Plenas de subjectividade,
O texto sagrado
De uma religião paranormal,
A equívoca equação
Que não se anula,
O lugar indefinido,
Sem norma, sem razão,
Sem leis, sem regras,
Em que biunivocamente
Nos amamos!...
.
.
Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos Da Flor

27
Ago09

Poesia: Livro - Nos Caminhos Da Flor

Gil Saraiva

"ABAIXO ASSINADO"
.
.
Pelo sorriso
Dos teus olhos...
.
Pelo prazer
Dos teus lábios...
.
Pela suavidade
Da tua pele...
.
Pelo odor
Do teu ser...
.
Pela felicidade
Da tua presença...
.
Pelo amor mais profundo...
.
Eu,
Abaixo assinado,
Declaro que te amo,
Com toda a força
Dos elementos
E com o poder
Do universo
Que me constitui,
Para sempre!...
.
.
Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos Da Flor

26
Ago09

Poesia: Livro - Nos Caminhos Da Flor

Gil Saraiva

"A PALAVRA"
.
.
O bar ao fundo...
O motivo era a espera,
Uma espera com fim anunciado:
Ela não devia demorar!
.
Na sala cheia
Ninguém dava por mim,
Naquele canto destinado
A ilustres desconhecidos,
Como eu, aliás...
A multidão falava de quotidiano,
Falava de tudo,
Mesmo sem muito conseguir acrescentar...
.
Na minha mente
Uma só palavra parecia bailar
Entre a ponta da língua
E a garganta seca da cerveja
Já extinta no copo da imperial,
Havia algum tempo...
.
O bar ao fundo...
Uma só palavra...
E ela que tardava...
.
Pela milionésima primeira vez
Consultei o relógio,
Era verdade:
Os segundos continuavam a passar
No ritmo incontrolável
Do Tempo...
.
Levantei o olhar...
Ela sorriu para mim
Uma vez mais,
Como mil e uma vezes o fizera
Anteriormente...
.
E a palavra ganhou forma de novo,
E o Tempo parou,
E o bar pareceu vazio,
E a garganta húmida
Ganhou voz e lançou a palavra,
Pela milionésima segunda vez,
Pela ponta da língua:
.
Amo-te!
.
.
Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos Da Flor

24
Ago09

Poesia: Livro - Baladas de Embalar

Gil Saraiva

"FADO DA MOODY'S"
.
.
Portugal estava no lixo,
Foi a Moody's que o pôs lá,
Qual maçã podre, com bicho,
É pra deitar fora já!
.
É pra deitar fora já,
Depois de séculos de História,
Nem importa quem cá está,
Pois tramar o tuga é glória.
.
Isto está mesmo a pedir,
Ai, Uma arma de dois canos
Cerrados que é pra partir
A cara aos "amaricanos".
.
Mas quem eles acham que somos?
Portugal deu a palavra,
Temos honra no que fomos,
Não somos da sua lavra...
.
Abutre é aquele que explora
O mais pobre ou o mais fraco,
Cheira o sangue e não demora
A deixar tudo num caco!
.
Isto está mesmo a pedir,
Ai, Uma arma de dois canos
Cerrados que é pra partir
A cara aos "amaricanos".
.
A Europa que se una,
À nossa volta na luta,
Que forme connosco a tuna,
Gritando: "filhos da dita!"
.
Gritando: "Filhos da dita,
Novos mundos deu ao mundo
Este povo que acredita
Conseguir sair do fundo..."
.
Isto está mesmo a pedir,
Ai, Uma arma de dois canos
Cerrados que é pra partir
A cara aos "amaricanos".
.
Dois terços do mar na Europa
É do nosso Portugal,
Não sujeitamos a OPA
O nosso país natal!
.
Se houve um entendimento,
Com a Troika do dinheiro,
Não nos "lixem" no momento
Deixa-nos provar primeiro!
.

Isto está mesmo a pedir,
Ai, Uma arma de dois canos
Cerrados que é pra partir
A cara aos "amaricanos".
.
,
Haragano, o Etéreo in Baladas de Embalar

23
Ago09

Poesia: Livro - Baladas de Embalar

Gil Saraiva

Balada dos Montes Quentes
.
.
À noite sonhei contigo,
Sonhei um sonho de amor,
Vi em teu peito um abrigo,
Nele sequei meu fulgor...
.
Senti a pele macia,
Sob a dureza dos cumes,
Senti que todo eu ardia
Num epicentro de lumes...
.
Passei a língua molhada
Sobre essa derme aquecida,
Esqueci de tudo, de nada,
E renasci para a vida...
.
À noite sonhei contigo,
Sonhei um sonho de amor,
Vi em teu peito um abrigo,
Nele sequei meu fulgor...
.
Trinquei de leve, com jeito,
A carne fofa, encantada,
E essa trinca em teu peito
Deixou-me a calça molhada...
.
Logo envolvi os meus lábios,
A doce alvura cercando,
Beijos que, não sendo sábios,
Lá aprenderam amando...
.
À noite sonhei contigo,
Sonhei um sonho de amor,
Vi em teu peito um abrigo,
Nele sequei meu fulgor...
.
Suguei-te doido, perdido,
Mamei sem sede de leite,
De novo fui atrevido,
Senti nas calças o azeite...
.
Fervia já, todo eu,
Nessas montanhas montado,
Tocando no que era teu
E me sentindo tocado...
.
À noite sonhei contigo,
Sonhei um sonho de amor,
Vi em teu peito um abrigo,
Nele sequei meu fulgor...
.
E as minhas mãos deslizaram,
Sobre os pecados mortais,
E, essa carne apertaram,
Entre os meus e os teus ais...
.
E já a roupa tiravas,
Nesse sonho que sonhei,
Logo quando te entregavas,
Por azar, eu acordei...
.
À noite sonhei contigo,
Sonhei um sonho de amor,
Vi em teu peito um abrigo,
Nele sequei meu fulgor...
.
E os seios, de almofada,
Eram só penas de pato,
Na fronha que, enfeitiçada,
Quase conseguiu um acto...
.
Simples pano de algodão,
De um palácio fez cabana,
Mente quem diz, sem razão,
Que o algodão não engana...
.
.

Haragano, O Etéreo in Baladas de Embalar

22
Ago09

Poesia: Livro - Baladas de Embalar

Gil Saraiva

"AO INFINITO"
.
.
Para se distinguir as formas
Importa focalizar o conjunto
No seu todo...
.
Para se conhecer a alma
Importa saber ler o ser
Na sua essência...
.
A premência do aperfeiçoamento
Gera o maravilhoso campo
Do existir com sentimento...
.
Queremos ser perfeitos
Para alguém...
Que nunca nós!
.
Se a arte é longa
E a vida é breve...
.
Se o espírito é força
Que a matéria move...
.
Se o corpo é existir
E a alma é ser...
.
Se a dor é berro...
E o amor é grito...
.
Quero que me falhe
Nunca a fala
Para poder dar voz ao coração,
Que por ti berra e grita ao infinito:
.
"- Vem arte eterna de ser e de emoção...
Tu és o amor que em mim resvala,
Palavra de ordem que pode até chorar
Mas que não... jamais... nunca se cala!"
.
.
Haragano, O Etéreo in Baladas de Embalar

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