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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Poesia: Livro - Achas para um Vagabundo

"MÚSICA"
.
.
A música tem o espaço invadido
De ternas melodias...
.
No bar,
A tela sem som,
Transmite ilusões
De novelas sem fim...
.
A cena,
Com contornes de virtualidade,
Faz-me ver-te ali...
Do outro lado do bar,
Na penumbra das luzes
Em perpétua difusão...
.
Ali...
Nessas formas
Desse corpo que sonho;
Nas margens desse teu cabelo,
Onde os meus dedos anseiam
Perder-se um dia mais...
.
Procuro,
Com ânsia adolescente,
O teu olhar,
Profundo...
Oculto...
Magnífico...
E sinto-o no sorriso
Desses lábios
Que Mona Lisa invejaria ter...
.
Porque não falas?
A espera
É como um incêndio de floresta...
Consome tudo em seu redor...
Devora o íntimo do ser e...
Mesmo assim...
É divino o prazer
Da ansiedade...
.
A música
Tem o espaço invadido
Do teu ser...
E a tela,
Sem som,
O sorriso mudo dos teus olhos!
.
A cena faz-me imaginar
Contornes de impossível...
E na penumbra das luzes
O sonho aparenta
Um perpétuo devir...
.
.
Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

Poesia: Livro - Achas para um Vagabundo

"JÁ SE VAI..."
.
.
Vem
Voar comigo entre palavras...
A volta ao mundo daremos
Em segundos pela net...
.
Vem!
Temos a riqueza suprema
Dos chats que trocamos,
Em letras que tudo dizem
Nas frases que em conjunto
Constituem...
.
Vamos
Sentir o vento
Nos acentos das palavras...
O mar em cada til
Salgado de emoção...
.
Vem!!!
Vamos provar
As nossas bocas
Nos simbolos simples
Das chavetas...
Ah!
.
Vem!...
Que net é lenta ainda
Mas a noite é curta
E já se vai...
.
.
Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

Poesia: Livro >> Achas para um Vagabundo

"JÁ SE VAI..."
.
.
Vem
Voar comigo entre palavras...
A volta ao mundo daremos
Em segundos pela net...
.
Vem!
Temos a riqueza suprema
Dos chats que trocamos,
Em letras que tudo dizem
Nas frases que em conjunto
Constituem...
.
Vamos
Sentir o vento
Nos acentos das palavras...
O mar em cada til
Salgado de emoção...
.
Vem!!!
Vamos provar
As nossas bocas
Nos simbolos simples
Das chavetas...
Ah!
.
Vem!...
Que net é lenta ainda
Mas a noite é curta
E já se vai...
.
.
Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

Poesia: Livro >> Achas para um Vagabundo

"FELICIDADE"
.
.
Dar asas à imaginação exige
Que nos afastemos da realidade...
Não podemos imaginar
Presos no colete de forças
Das normas e das leis,
Dos parâmetros sociais
Em que estamos envolvidos...
.
Imaginar
Implica liberdade de espírito,
De conceitos, de regras e de tabus...
.
Tal como a imaginação
Apela a uma forte libertação
Também o amor demanda
Os mesmos procedimentos...
.
Para amar é preciso ser livre
E estar disposto a tudo...
.
A diferença entre amar e imaginar
Traduz-se no objetivo
De cada um dos termos,
Na força implícita
Que em cada caso teremos que usar...
.
Se a finalidade da imaginação
Se retracta no acto criativo
De gerar um contexto
Nunca antes tornado cognitivo,
Em que o esforço pedido à mente
É apenas de abstração,
Já amar obriga à utilização
De todos os recursos do ser
E tem, por fim,
A conquista inequívoca
Do que se ama...
.
Uma certeza podemos ainda acrescentar:
Quem ama utiliza, vezes sem conta,
A imaginação como recurso, meio,
Perspetiva e criação
Dos seus cenários de futuro,
Tornados presente em cada hora...
.
Já quem imagina apenas se limita
A criar a metáfora de cenários
Ou futuros possíveis
Sem a preocupação de com eles atingir
Qualquer nível de alegria.
.
É aqui que reside
A diferença fundamental:
Imaginar solicita um ato criativo
Por si só suficiente,
Enquanto amar possibilita
Que se encontre a chave última da razão
Pela qual todos existimos:
A felicidade!...
.
Por tudo isto
Eu confesso neste testemunho
Que sou livre e feliz:
Não só eu imagino que amo...
Como amo porque me tornei
Inegavelmente detentor
Da Felicidade!...
.
Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

Poesia: Livro >> Achas para um Vagabundo

"Haragano, O Etéreo"
.
(A HISTÓRIA...)
.
.
Ao princípio
Senti-me como que um desaparecido...
.
Não em combate,
Como certos militares em terra estranha...
.
Não no triângulo das Bermudas,
Como reza a história de muitos navios...
.
Não em pleno ar,
Como se fosse um avião
Engolido pela própria atmosfera...
.
Não! Nada disso! Desaparecido de mim...
Sem identidade... Sem existência...
Sem referências... Sem sentido de viver...
.
Imagine-se a montanha!
Grande! Monstruosamente grande!
Gigante mesmo
Elevando-se na planície!
.
Isso fui eu,
O eu Narciso antes da primeira queda,
Antes do começo das erosões...
Seguidas, repetidamente insistentes,
Continuadas no tempo e na vida...
.
Isso fui eu,
Antes dos abalos, dos sismos,
Dos terramotos sem fim
Num mundo feito de sobrevivência
Mais que de essência!
.
E a montanha foi perdendo forma,
Volume, dimensão...
Até se confundir na planície amorfa
Da multidão sem rosto,
Sem esperança,
Sem dignidade
E sem amor próprio...
.
Aparentemente,
Eu tinha desaparecido,
Sem que um vestígio de sobrevivência
Servisse de pista
Para uma busca por mim mesmo...
.
Imagine-se um desastre
Num qualquer ponto isolado do globo,
Onde um hipotético sortudo
Salvo da morte pelo acaso,
Irremediavelmente ferido,
Acabasse por ficar
Virtualmente irreconhecível
Perante a exposição ao tempo
E às depredações dos animais
E da própria natureza...
.
Isso era eu!
Perdido de mim e dos meus...
Desaparecido do mapa
Dos humanos com voz própria!
.
Ao princípio
Foi assim que me senti.
.
Depois, dei conta que vagueava
Sem destino ou rota certa...
Algures entre nenhures,
Um ser disforme,
Parco de alma e existir...
.
Durante momentos que pareceram anos,
Durante anos que não tiveram momentos,
Apenas procurei, não sei o quê...
Não sei porquê...
E não sei como...
.
Quando finalmente dei por mim,
Não passava de um vagabundo,
Perdido de si em busca do ser...
.
Era como se os locais,
Por onde a minha sombra
Me garantia a existência,
Fossem nuvens sem forma,
Estradas sem referências,
Caminhos sem lei...
.
Apenas limbos...
Apenas Éter...
.
Às vezes sentia
Que estava numa grande teia,
Cheia de predadores,
Plena de vítimas,
Ávida de sentidos e sentimentos...
.
Uma teia universal que me envolvia
Como uma rede escura e semieléctrica...
.
Descobri, aos poucos,
Que tinha sido absorvido pela internet
E que me tornara
Num Vagabundo Dos Limbos,
Em Haragano, O Etéreo,
Numa Lenda Urbana
De quem nunca ninguém ouviu falar,
Num Senhor dos Tempos
Sem tempo para si mesmo...
.
Um Sir, à inglesa, polido na forma,
Vazio no intimo de si próprio,
Repleto de vontade e de reconstrução...
.
Um Vagabundo Dos Limbos,
Haragano, O Etéreo,
Em busca da identidade esquecida
Num passado sem memória...
.
Até que renasci,
Gritando aos cinco ventos
A minha alvorada...
Vento de ser,
Vento de existir,
Vento de viver,
Vento de sentir,
Vento de amar...
.
De novo era gente,
Uma criatura nova,
Não na idade que essa
Não deixa Cronos em cuidados,
Mas na vida.
.
Eu era...
Eu sou, esse Sir,
O Vagabundo Dos Limbos...
Haragano, O Etéreo...
Pela rede universal transmitindo
A história de uma alma
Que aos poucos fui reconstruindo,
Sem vaidade, sem orgulho,
Sem a certeza sequer de ser ouvido...
.
Porém... com a esperança
De que ao falar globalmente
Para este universo imenso,
Possa um dia agir localmente
Na alma de um ser que como eu
Se sinta desaparecido a dada altura...
.
Assino, como me conhecem:
Sir, Vagabundo Dos Limbos,
Haragano, O Etéreo...
.
.
Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

Poesia: Livro >> Achas para um Vagabundo

"ELA..."
.
.
Ela
Não podia estar ali...
.
Talvez...
Nos confins do pensamento,
Longe de tudo...
Não de todos!...
Um rosto jovem no sorrir...
.
Um rosto,
Com raios de Sol
Caindo nos ombros,
Em cabelos de um ouro
Que brilha no escuro...
.
O azul do mar
Repousando nas pálpebras,
De uns olhos castanhos
Que brilham também...
.
Um doce poente
Poisado nos lábios,
De uma boca que arde
E cheira a pecado...
.
Um luar de prata
Em seu meigo rosto,
De uma Lua Cheia
Que ilumina a serra...
.
Os traços de Vénus
Moldados num corpo,
Que Gaia quis tão fértil
Como sensual...
.
O entardecer
Descendo no ventre,
Qual crepúsculo
Anunciando a plenitude...
.
O sabor a sal
Colando-lhe as coxas,
Húmidas de ansiedade,
De ante-prazer...
.
O toque da seda
Envolvendo os seios,
Tentando esconder
A derme perfeita...
.
O amor perdido
Em seu terno olhar,
Que busca sedento
Outro olhar igual...
.
E um ar de oásis
Cobrindo-lhe a pele,
Qual neblina ténue
Desejando Sol...
.
Ela...
Não podia estar ali...
.
Talvez...
Perto de alguém,
Imaginário ninguém,
A quem esperava,
Um dia,
Vir a encontrar!...
.
Ela
Não podia estar ali...!
.
Não!...
Não existe tal paisagem,
Pois as quimeras
Nunca são reais!
.
Mas...
Se por força
De acasos impensáveis,
A paisagem
Não for mera miragem...
.
Se o ocaso
Realmente for poente
Que chega ante meus olhos
Suspensos na excepção,
Então... então...
.
Então tudo eu dou
Pela paisagem!...
O que sou,
O que fui
E o que serei,
O que tenho
E o que possa vir a ter...
Tudo!...
.
Porque tudo é pouco
Se puder na paisagem
Meu ser eu colocar...
Num canto,
Ali...
Mas enquadrado...
.
Ela
Não podia estar ali...
.
.
Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

Poesia: Livro >> Achas para um Vagabundo

"AQUI..."
.
.
Aqui,
Onde a palavra mais se afirma
Como produto social,
A faculdade última
De comunicarmos
Por meio de sinais
Que todos entendemos,
Porque são próprios
Desta comunidade
Que constituimos...
.
Aqui,
Onde a fala
Se traduz na escrita
Como um acto de utilização
De uma linguagem,
E porque não,
Como a concretização
Do potencial da língua
Passada à palavra...
.
Aqui,
Falamos...
Escrevemos...
Sentimentos em sinais,
Próprios do grupo
Que constituimos...
.
Aqui
Traduzimos estados da alma
Em discursos originais,
Vivos e criativos,
Através de combinações livres
Do que somos, sentimos,
Queremos, desejamos
E em última análise
Sonhamos...
.
Aqui...
Somos,
Nas palavras,
Verdadeiras metáforas
Do que queremos ser...
Configurações tacitamente
Assumidas pela líbido...
.
Aqui...
Inventamos verdades inequívocas
Provocadas pelo efeito do écran,
Como se da nossa própria visão
Se tratasse...
E nos lugares comuns
Desta linguagem
Afirmamos o grito
Da nossa solidão...
.
Aqui
Queremos existir
Em felicidade!...
Pura,
Simples,
Essencial...
.
Aqui
Conseguimos entender
E produzir
Um número infinito de frases
Que nunca antes lemos,
Ouvimos ou pronunciamos...
E porquê?
Porque estamos integrados!...
.
Aqui...
Somos parte de um todo
Que funciona sem conhecimento
De todas as partes,
Aparentemente anárquico,
Mas obviamente
Interligado a esquemas
Que apenas o nosso subconsciente
Consegue interpretar...
Enfim...
.
Aqui...
Somos os filhos
De uma mesma alcateia
E ao uivarmos,
Não estamos apenas a venerar a Lua
Que se encontra cheia...
Mas a dizer também aqui
Que queremos amar!...
.
.
Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

Poesia: Livro >> Achas para um Vagabundo


"ALGUÉM"
.
.
Vagabundo Dos Limbos...
Haragano, O Etéreo...
Jangada de palavras
Que flutuam pela net
Sem um rumo certo...
.
Sou
Aquilo que sempre fui:
Um sonhador!...
.
Sinto todas as lágrimas
Que choro em gotas de bits
E cascatas de bytes
Sem destino...
.
Sou
Um Vagabundo Dos Limbos...
Sou
Haragano, O Etéreo...
.
Que mais posso almejar
Do reino das palavras?
Quero a verdade!
E isso é muito?
.
Rindo de mim mesmo
Vou ficando...
Quem verdade fala
A um haragano?
.
Quem, na jangada,
Tem rumo, destino?
Ah!...
Tem de haver alguém...
.
.
Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

Poesia: Livro >> Achas para um Vagabundo


"ADORMECER..."
.
.
Quero ver o brilho de teus olhos
Refletir o gozo do teu ventre...
Quero...
Porque tu,
Fronteira marginal de meu prazer,
Fonte viciada onde me banho,
És rochedo que se ergue
Junto à praia,
És terramoto,
Epicentro de mim e tudo o mais...
.
Quero ser a maré
Que sobe à tua volta
E que volta a descer
Suavemente
Ou com a fúria das vagas,
Que na Adraga,
Moldam a seu belo prazer
A dura rocha....
.
Quero poder provar o sal
Das tuas ondas;
Escondendo-me à força e
À vontade,
Explodir dentro de ti
Nascente natural do meu querer,
Fonte viciada onde me venho
Pra regressar, um dia,
Não sei quando...!
.
E quero poder olhar para o mundo
Sem o ver;
Sentir a multidão
Sem a sentir;
Falar com a vida
Sem falar;
Pois sei que apenas quero ter
A tua companhia e saber ir
Para onde contigo
Possa estar...
.
Quero ainda
Que os nossos pensamentos
Se envolvam
Conforme os movimentos!...
.
Eu quero tudo amor
E tudo é pouco,
Porque o tudo é nada
Sem te ter...
.
Mas o que é tudo?
(Por um momento o espaço
Fica mudo
Para em seguida,
A minha voz, dizer...):
.
É o rever teu rosto de mar
A cada amanhecer
E já, indo alta a noite,
Voltar a vê-lo adormecer...
.
.
Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

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