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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visível o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, tudo o que a imaginação me permite

Serve este local para tornar visível o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, tudo o que a imaginação me permite

Beijo de Humores

174 - humores.jpg174. Beijo de Humores, odores e outros horrores, por vezes sorridente no chegar. "Corta-palha" aberto na luz de um só olhar, sentindo um sorriso cúmplice acompanhando o seu. Detetar o odor primaveril de uma colónia leve sob a pele do rosto e, depois, tocar com os lábios na derme suavizada pela amizade sentida e bem-disposta pela troca de mimo, pela alegria que transmite mas, quase cómico, pela atrapalhação de não se saber como será recebido, se pela descrição sonhada, se pelo horror de uma estalada, desferida pelo atrevimento do ato, se pelo torcer do nariz porque o aftershave emite odores baratos de barbeiro à beira da reforma, se pelo riso altivo de quem goza com a nossa singela pretensão de o dar, se pelo sorrir que se anseia, mas não se tem por certo ou garantido.

 

Beijo Húmido

173 - húmido.jpg173. Beijo Húmido, provocando diretamente a troca deliberada de fluxos, a comunhão íntima e osculada de bocas que se almejam. Imaginamos de imediato a dialética dos corpos na procura de um êxtase que se pretende mútuo, profundo, envolvente e morno num escaldante e ambíguo fervilhar dos egos pelas alcovas de Vénus e Apolo. Beijo húmido, molhado, cúmplice e sensual, dado com ganas entre quem partilha a suprema arte de amar.

Beijo de Honra

172 - honra.jpg172. Beijo de Honra, porque se a palavra for só uma também o será este beijo. O respeito que impõe determina-lhe inequivocamente a seriedade. Quando se beija com honra não existe o verdadeiro e o falso. Apenas o primeiro é válido porque a mentira vira quimera ou perde sentido, porque se limita a desaparecer deixando a hipocrisia reduzida ao seu real e insignificante valor. Neste beijo como na palavra apenas importa a honestidade franca com que se beija. Beijo de honra, aquele que uma vez dado tem o valor de sentença, de compromisso e de verdade, valendo bem mais que mil promessas.

Beijo Honesto

171 - honesto.jpg171. Beijo Honesto, porque usa a verdadeira essência do que sente para se projetar rumo a outro ser. Integro no sentir, porque não parte de premissas falsas nem usa subterfúgios para conseguir acontecer. Sério nos intuitos, porque fruto de sentimentos vindos do cerne ritmado do coração e tão constante como cada batida com que esta marca a vida. Virtuoso na entrega, porque espelha a alma de quem o cria na generosidade sincera de quem o acolhe. Honrado na palavra, porque jamais deixa que germinem falsas expectativas em seu redor fazendo tudo para que se cumpra, desde os princípios da sua génese até ao horizonte do seu alcance. Digno na finalidade, porque merecedor da dama que o acolhe, sabendo que nela se abriga uma estima autêntica, que deseja experimentá-lo, porque todo o corpo o pede, porque o seu espírito o solicita, qual estigma que se almeja ver gravado a ferro quente, numa libido que se inflama, qual derme onde ficará tatuado enquanto a honestidade for verdade.

Beijo Homérico

170 - homérico.jpg170. Beijo Homérico, não se trata apenas de um beijo épico, inesquecível e histórico. Nada disso, este é um beijo que avança por territórios nunca antes desbravados pela boca que o transmite na busca insana de alcançar a glória do prazer supremo na derme feminina que anseia pelo toque mágico de uns lábios de fome, de apetite pela carne, de frenesim por se libertar rumo a uma conquista que se quer guerreira mas consentida, vibrante mas aclamada, avassaladora mas pacifica. Tudo enfim se desenvolve na procura sensual de prazeres perdidos na memória dos tempos que a tempo urge recuperar para se regressar uma vez mais ao limbo da sensualidade, do erotismo, do prazer que só um ato de uma tal simplicidade consegue iniciar. Beijo homérico, mais do que uma epopeia, ele é a pedra de toque que dá rumo à vida até então apenas sonhada pelas raias da nossa imaginação.

Beijo Histórico

169 - histórico.jpg169. Beijo Histórico, dado hoje e para sempre recordado porque, embora beijar seja um dos mais normais padrões de cumprimento humano, há certos beijos que ganham o direito a ficarem para sempre registados nos anais da memória dos seus intervenientes. E isso, quer seja o primeiro beijo debaixo do fogo da paixão adolescente, quer seja o beijo partilhado numa ocasião única entre dois seres que se amam, quer seja ainda o beijo que nos recorda o dia em que criámos laços de amizade ou de partilha com alguém que já conhecíamos anteriormente mas que, por qualquer facto ou acontecimento subiu alguns degraus na escala da amizade e confiança agora alcançada. Beijo histórico, aquele que uma vez entregue e compartilhado se perpetua nos ficheiros secretos da memória, sob o arquivo das vivências inesquecíveis, no cofre-forte dos momentos que valeram uma vida.

Beijo Hippie

168 - hippie.jpg168. Beijo Hippie, partilhado na busca pacífica pela paz, pela harmonia, pela partilha de corpos e participantes, pelo amor livre e sem preconceitos. É acentuadamente um beijo de época gerado nos anos 60 e que duraria até uma boa parte dos anos 70 do século XX. Tratasse de um beijo de revolta contra o sistema, contra a guerra e o consumismo do Ocidente. Há quem lhe chame um beijo de orgia, por poder ter bastante mais participantes do que apenas os tradicionais dois amantes, mas é errado fazê-lo. Não se trata de um beijo de deboche, mas sim de um ato experimental de liberdade, de pureza e de revolta contra os falsos pudores civilizacionais das aparentes e corruptas filosofias ocidentais. Beijo hippie, psicadélico na forma e no conteúdo, sem género ou número de envolvidos previamente definidos, inter-racial, comunitário, pacífico e desprovido da intimidade das alcovas.

Beijo Hipnótico

167 hipnótico.jpg167. Beijo Hipnótico, porque nos transporta para um mundo apenas sonhado, porque nada tem de racional. Nessa dimensão do estar ele nos comanda a mente e o ser. E, porque existe, é o antidoto do sono e da monotonia, obrigando, por algum tempo, ao adiar da realidade da nossa por vezes conturbada existência. Beijo hipnótico, sempre dado de forma cativante, elevando-nos para patamares até aqui desconhecidos, onde o quotidiano perde importância e significado e onde o futuro não tem qualquer lugar ou razão de ser, afinal. encontramo-nos no limiar de outra bem mais fecunda realidade.

Beijo de Hidromel

166 - hidromel.jpg166. Beijo de Hidromel, tal como a bebida preferida dos deuses do Olimpo, porém com um cheirinho de lima para cortar a demasia do doce e evitar qualquer possível enjoo, que não as tonturas. Em seguida umas gotas de sumo de morango para lhe dar corpo, sabor e paixão, desenvolvendo a apetência, gerando o vício, provocando a plena entrega de ambos nessa partilha total. Mais ainda, vinda do alto, uma pitada de uma especiaria picante, a gosto, que ajude à subida do calor, ao regresso à primitiva natureza humana que não pensa em culpa, mas sim em cumplicidade. Por fim, dois cubos de gelo que possam conduzir mais facilmente ao arrepio dos corpos em contacto sem se perder o calor profundo que derrete icebergues, que faz fluir a vida e que permite redescobrir o coração.

Beijo Hidratante

165 - hidratante.jpg165. Beijo Hidratante, aquele em que a água é comutada pela saliva das línguas que se envolvem em obediências ocultas dos olhares, apenas lobrigados pelos instintos ávidos das sensações plenárias. Um beijo onde se nota a ausência de hecticidade nas bocas impedindo o gretar dos lábios e, simultaneamente, gerando o turvar da vista, a dopagem dos sentidos, a degustação inqualificavelmente superior de um paladar inigualável de utopias tornadas existência. Uma realidade que se cria nessa permuta de humores, que de cada um já nada tem, mas que através dos dois se transmuta na mais completa poção de amor.

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