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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visível o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, tudo o que a imaginação me permite

Serve este local para tornar visível o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, tudo o que a imaginação me permite

Beijo Romântico

336 - romântico.jpg336. Beijo Romântico, difícil, muito difícil de se dar devidamente. Para o conseguir é preciso, primeiro que tudo, sentimento, mas não um sentir qualquer, esse não serve, tem de ser genuíno, real, sentido no amago de nós mesmos e rececionado pelo amago de quem o recebe. Não basta apenas sentir é obrigatório vibrar. Este é um caso onde a troca de olhares é fundamental. Olhos nos olhos, em profundidade, sem subterfúgios de qualquer espécie, ligados pela alma que une lábios com lábios, lábios com face, lábios com pele. Porque não importa onde os lábios poisam na interlocutora, importa sim como ela os sente. Beijo romântico, de beiços embeiçados, possuídos, verdadeiros, vibrantes, extravasando hormonas e entusiasmo.

 

 

 

Beijo de Romance

335 - romance.jpg335. Beijo de Romance, inicialmente sente-se no ar a atitude, o estado de espírito, depois damos conta de um movimento lento, sentido, aproximando os dois seres como por magia, qual magneto atraindo entre si corpos e almas em rota de colisão apetecida. Beijo num ambiente paira a bruma própria dos sonhos e da fantasia, da intuição e da paixão, da cegueira absoluta de tudo que não seja o outro. É o um para um, o um em um, o um apenas, fundido de uma dualidade feita unidade pela força criativa de beijo. Tocam-se os corpos, roçam-se as vestes, transmite-se o calor, o cheiro, a energia e, no tocar dos lábios o Sol se põe, deixando para trás paisagens de fogo e água, num misto de natureza inebriada. A lua fica prenhe, plena, cheia e luminosa, fogueiras se acendem nos corações batendo descompassadamente em uníssono e olhos trocam sorrisos arrebatados por esse beijo de romance.

 

 

 

Beijo Robin dos Bosques

334 - robin dos bosques.jpg334. Beijo Robin dos Bosques, malandro, atrevido, com ar rufia de quem desafia conscientemente a sorte. Beijo roubado em dia quente de primavera que aguarda ansiosa pela chegada do verão e pela entrada reconfortante nas águas dos ribeiros num mar que relaxa, bem dispõe e que nos refresca o ego. Um daqueles que nos apaga as lágrimas do quotidiano e nos acende a chama da vida, qual seta que penetra, mas que não faz, como que por milagre, qualquer rotura. Beijo de bom vilão, de "bad boy", com um não se sabe bem o quê de atração fatalmente irresistível. Beijo Robim dos Bosques, beijo de pecado de quem peca sem pecar...

 

 

 

Beijo Risonho

333 - risonho.jpg333. Beijo Risonho, porque feliz, simples e sem precisar de especiais argumentos para se realizar plenamente. Dá-se por entre a cumplicidade dos seres que se entendem e sabem o que desejam. Partilha-se como ato de propagar a alegria de nos sentirmos vivos e animados com o existir. Existe na simplicidade cúmplice de uma felicidade visível aos olhos de todos e nunca acaba de forma sorumbática ou amarrotada. É por excelência um beijo de vida, de existência satisfeita consigo e com o mundo que a rodeia. Um beijo que se comunga entre os que se sentem bem-aventurados pela fortuna do ser, do ter e do amar.

 

 

 

Beijo Revolucionário

332 - revolucionário.jpg332. Beijo Revolucionário, de abril, de cravo ao peito ou na espingarda, da coragem de avançar contra a apatia implícita no platonismo luso. Beijo de primeiro de maio, de punho erguido pelo direito de ser e existir, de lutar pelo acesso à felicidade, à alegria, numa luta que cheira a primavera, que se espera problemática, mas proveitosa na conquista convicta. Um beijo que se bateu pela concretização, suando sangue, suor e lágrimas de hipotéticos fracassos ou rejeições por parte da mulher escolhida. Beijo revolucionário, que não desiste ao primeiro não, de um Sérgio Godinho cantando "…e ela disse que sim", rubro, inflamado, intenso e incomensuravelmente apaixonado.

 

 

 

Beijo de Réu

231 réu.jpg331. Beijo de Réu, nascido de um profundo arrependimento, criado na certeza inabalável da necessidade de se corrigir um erro, uma injustiça ou uma má avaliação feita em circunstâncias que não permitiram a correta apreciação. Aquele que, no fundo, se trata não de um beijo de culpa, mas sim de razão, de reposição da verdade, da descoberta de sentimentos perdidos em confusões sem suporte e agora reencontrados. Beijo de réu, submisso, servil, disposto a sacrifícios, arrebatado pelos remorsos e reforçado pela verdade, submisso e disposto a cumprir pena.

 

 

 

Beijo Republicano

330 - republicano.jpg330. Beijo Republicano, ou da República Portuguesa, de cinco de outubro, verde na esperança e vermelho pelo quente e viril combate a uma monarquia, que se desvaneceu com o fim de um mapa cor-de-rosa, numa bandeira feita laica, sem bênção, mas repleta de fé. Beijo dado nas ruas não olhando a classes, ingénuo, arrebatado, ansioso de mudanças e pleno de orgulho nacional, patriótico e apaixonado pelo busto feminino que o simboliza. Beijo republicano, dado sem rodeios, um ato simples no feitio, vivo na convicção, arrojado na entrega.

 

 

 

Beijo Repenicado

329 - repenicado.jpg329. Beijo Repenicado, com muito mimo, doçura, ternura, afeto, cheio de frenesim, de excitação e de vontade. Conhecido no Brasil como beijo peixinho, porque os lábios se unem suavemente, criando como que dois bicos tenros. Um beijo carinhoso que se reparte com alguém, a quem queremos bem. Um beijar de boas vindas oferecido no retorno de uma ausência. É o beijo do regresso a casa, ao lar, ao aconchego dos seus, ou seja, dado com intenção, com significado, com sentimento e com a finalidade de transmitir afeto especificamente a uma só pessoa. Ele demonstra, mais do que tudo, que nos importamos, que queremos repetir uma e outra vez, que essa outra alma nos diz algo e fundamentalmente que tínhamos saudades...

 

 

 

Beijo de Rei

328 - rei.jpg328. Beijo de Rei, entregue por altura do Dia de Reis à donzela, com a devida pompa e circunstância. Beijo coberto por um manto de mistério entre vapores de alfazema e alecrim. Beijo decorado no ato da entrega pelas safiras de seus olhos, pela seda da sua face e pelos rubis dos seus lábios. Ah… sim, e devidamente apimentado pelas fragrâncias do seu existir. Beijo dado em vestes formais de realeza e corte, porque um rei não beija assim, aos sete ventos, procura antes, exaustivamente, a quem beijar e, quando encontra, entrega como se recebesse, partilha com consentimento, desfruta como se da mais preciosa iguaria se tratasse. Beijo de rei a nobre dama, um ato azul no conteúdo e rubro na devoção apaixonada.

 

 

 

Beijo Relutante

327 - relutante.jpg327. Beijo Relutante, entregue a medo, na dúvida de não saber se a aceitação será aquela que primeiramente tanto se desejou. Beijo que mesmo assim se tenta, se entrega, procurando aflorar levemente a cútis ansiada, como se de uma frágil pétala de seda se tratasse. Beijo que receia, como se um erro pudesse deitar tudo a perder, não apenas naquele segundo, mas para todo o sempre, sem remédio possível ou recuperação que se vislumbre. Beijo relutante, aquele que só ao ser bem recebido pela dama se torna seiva de vida, de prazer e de conquista.

 

 

 

 

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