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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visível o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, tudo o que a imaginação me permite

Serve este local para tornar visível o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, tudo o que a imaginação me permite

Beijo Regado

326 - regado.jpg326. Beijo Regado pelo Atlântico onde me banho. Beijo inundado de Tejo que é margem de alguém e da cidade. Beijo de chuva de verão que cai, e não devia, entre trovões que protestam ter que brandir fora de época, ou relâmpagos que sorriem porque um beijo não tem minuto nem segundo para ser dado. Beijo molhado ao Sol que me aquece os lábios confusos, porque as Estações do ano se entrelaçam, num emaranhado celeste sem vazios, qual teia intemporal perfeita, criada para dar vida a este beijo sem relatividade ou teoria. Beijo regado, guloso de alegria e satisfação, qual fogo branco que arde nesse sorriso ao ser entregue na luz que lhe veste a face de quem humidamente o recebe.

 

 

 

Beijo refrescante

325 - refrescante.jpg325. Beijo Refrescante, como a água da nascente viajando serra abaixo, borbulhando por entre as rochas reluzentes ao constante polimento afável da corrente, cantando murmúrios em cada margem, refletindo um novo amanhecer, em dia em que o Sol, não sorrindo ainda em toda a sua aparência e vitalidade, nos vai dando um pouco da sua luz como se de ternura se tratasse. Beijo ao som da passarada que desperta ao longo das colinas ensaiando voos espreguiçados, por entre o verde das encostas e das árvores que recebem ondulantes a brisa que a aurora trouxe consigo ao se despedir. Beijo, sem mágoa, do frio que a noite antecedente tinha no enlaço. Beijo refrescante como a natureza num espírito feliz por existir e ter alguém para repartir cada sopro de vida.

 

 

 

Beijo Rebelde

324 - rebelde.jpg324. Beijo Rebelde, aquele que foge às convenções, aos dogmas e a espartilhos de qualquer natureza. Tem formas mil, momentos inesperados e concretizações que nunca se imaginavam poder vir a acontecer. É muitas vezes confundido com o beijo mafioso ou com o terrorista, mas isso é fruto de uma falsa visão deste ato. A rebeldia que nele existe é interior, vem do âmago dos egos e gera um ato criativo de inesperadas sensações naqueles com quem é partilhado. Nada tem de possessivo, bombista ou negativo, apenas aflora o lado selvagem e inconformado da existência humana e tira partido disso para se exprimir de forma sempre surpreendente, mas deliciosamente apreciada.

 

 

 

Beijo Real

323 - real.jpg323. Beijo Real, porque existe, pode até ter a classe e o sangue azul da monarquia, mas não ser apenas a mensagem que se transmite numa carta, postal ilustrado, telegrama ou até fax, num telefone ou telemóvel, com ou sem requintes de iphone, androide ou tablet, porque, afinal, é muito mais relevante do que tudo isso. O beijo real tem outro sumo. Vemos os gestos, sentimos o toque, trocamos olhares. Absorvemos aromas e fragrâncias um do outro, provamos a derme de alguém, e, em beijos reais mais profundos misturamos fluidos, deixamos até que o cérebro abra a caixa mística do prazer e nos deixe deleitar com um beijo fisicamente real, que, na melhor das concretizações, se assemelha sobremaneira aos portões do paraíso.

 

 

 

Beijo Rápido

322  - rápido.jpg322. Beijo Rápido, de raspão. Normalmente trata-se de um acontecimento de pouco significado. É um beijo que se entrega nas despedidas quase como se de um proforma se tratasse. Encontra-se nos cumprimentos diários ou regulares entre colegas, amigos ou conhecidos, mas não tem intensidade, vida própria ou qualquer tipo de paixão. Contudo, e como em tudo, existe a pequena exceção em que o beijo rápido é dado simultaneamente por timidez e amor. Aí trata-se, efetivamente, de um beijo entregue a medo, inseguro, mas normalmente carregado de emoção reprimida, no íntimo de quem com o coração nas mãos o entrega, sem esperar resposta, mas com a esperança ténue de uma correspondência.

 

 

 

Beijo de Rainha

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321. Beijo de Rainha. Sendo um beijo de realeza é, contudo, muito encontrado entre plebeus. É um beijo entregue no feminino e recebido por alguém que o anseia avidamente. No caso de um amante ou de uma pessoa a isso candidata, a nobreza do beijo torna-se por demais evidente e desejada. Contudo, é normalmente um beijo altivo, dado de nariz no ar, do cimo de um pedestal de que só se desce se a correspondência for por demais agradável ou até surpreendente. É nesses casos que o beijo de rainha ganha fôlego, força e intensidade. Aí, torna-se majestoso, mítico e imperial. Beijo de Rainha dado por quem o quer entregar na busca do que deseja vir a ter.

 

 

 

Beijo de Querer

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320. Beijo de Querer, habitualmente embalado pela apetência íntima de uma consonância a dois. Beijo criado pela reciprocidade das vontades em dividir, entre eles, uma profusão desgovernada de sentidos embriagados por impulsos tornados desejos, pelo alinhamento das emoções numa sintonia determinada, objetiva e voraz, que desagua deliciada numa maré viva de aspirações e lubricidades ansiadas desde esse momento sem volta, retorno ou marcha atrás. Beijo de querer, onde a volúpia parece habitar na companhia de uma luxúria libidinosa no sorrir, concupiscente no cintilar dos olhos e imperativamente lasciva no beijar.

 

 

 

Beijo Quente

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319. Beijo Quente, filho de um verão, que luminoso, irradia uma alegria consumada em felicidade, descendente de uma Lua Cheia estival e amena, repleta de estrelas. Beijo de cálida e penteada brisa composta por fragrâncias de maresia, pele e de luar. Beijo soalheiro desde os primórdios até à reconfortante conclusão depois de momentos ativos, vivos e sensuais de uma rendição crente na vida, na carne, na derme dócil de uma dama que se entrega por amor. Beijo quente, transpirado, apaixonado, vibrante de sexo, arrojado entre corpos e suado de prazer.

 

 

 

Beijo no Queixo

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318. Beijo no Queixo. Conhecido por ser um ato preliminar do beijo na boca. Em vez da solicitação verbal de um beijo na boca, que retira grande parte da envolvência e da atmosfera a uma ação de cariz tipicamente romântica ou sensual, o queixo é usado como prelúdio de uma partilha mais arriscada e íntima. A sua aceitação incentiva a subida até aos lábios na busca de uma proximidade bem mais abrangente. Beijo no queixo, dado por quem deseja ir mais além.

 

 

 

Beijo Queimado

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317. Beijo Queimado, embora a palavra queimado seja figurativa, ela representa bem que se trata de um beijo ardente que intoxica positivamente os sentidos. Trata-se de um ato de intensidade, demorado, agitado e erótico. Há quem use uma pitada de molho picante ou de piripiri antes de iniciar esta forma de beijar. A passagem da especiaria entre as bocas e as línguas gera uma efervescência extra que explica a denominação deste beijo peculiar. Beijo queimado, dado com paixão, na senda da sexualidade dos sentidos despertos pelas papilas gustativas.

 

 

 

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