Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

26
Out 08

Não Por Mim

"NÃO POR MIM..."

Às vezes acho-me um ser híbrido...
Não importa se o sou
Mas o que penso...
É como se metade do que me constitui
Fosse sentir
E só a outra parte de mim
Fosse homem nato...

Sou, tal como o dia tem na noite
Uma outra face,
Um ser ambidestro
No que toca à mística
Representada pelo coração...

Um quase ser criança
Entre pudores que,
Nesta idade que tenho,
Já extintos deveriam estar.

Mas corre-me nas veias o devir...
A sensação última de atingir
A plenitude das coisas
Simples e pequenas
Que permanecem fiéis à memória
De quem realmente as viveu
Com existência.

Mas para que falo eu isto?
Que importância tem?
Ahhhhhhh...

Importa reflectir,
Sentado nas escadas alvas e frias
Do mármore que edifica e marca
Cada registo do que sou,
Tentando sempre
Ir mais longe no pensar...

O que me move?
Ou, talvez, o que me comove?
Ou, ainda, o que me demove...?

É delicioso poder concluir que,
Em cada  caso,
A chave é sempre a mesma:
Sentimentos!
Vindos de dentro,
Da arca radioactiva de amor
À qual chamamos alma...

Sentimentos,
Desempacotados pelo espírito
Que nos torna humanos,
Postos a render
Para que possamos desfrutar,
A cada pegada impressa
No caminho da vida,
A realização do que deveríamos ser
Para que o existir tenha um propósito:
Felizes sermos!...

A demanda pela verdade
É um falso caminho se no final da linha
Não encontrarmos o amor!

É pela sensualidade dos corpos
Que a alma,
Feita espírito inventivo,
Nos mostra a excelência de uma espécie
Com milénios de existir:
O Ser Humano.

Um ser que não se reproduz apenas,
Mas que se funde em harmonia
Sempre que a longa busca pela alma gémea
Se conclui com êxito.

Ser sensual é ser-se  humano
E ter com isso a esperança
De perpetuar a espécie
Por forma a poder gritar bem alto,
Aos quatro ventos:
É amor!...

Às vezes acho-me um ser híbrido...
Não pelo que sou
Mas pelo que os meus olhos captam
Do mundo a que chamamos evoluído...
Onde sensualidade
Se confunde com pornografia,
Tal como o bem se confunde com o mal...

Às vezes
Acho-me um ser híbrido,
Mas não por mim...
Não por mim... 

Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

publicado por Gil Saraiva às 08:39
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