Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

28
Mai 11

 

 

 

         VIII

 

"PERDIDO..."

 

Contigo quero ter o sexo porno,

Lascivo, sado, louco, inconcebível...

Contigo quero ter indescritível

Noite de amor, ao rubro, como um forno...

 

Contigo quero ser metal no torno,

Pronto pra ver moldado de impossível

Meu aço, às tuas mãos, inconcebível...

Contigo quero ter o beijo morno,

 

Dado pelos amantes imortais,

Em noites, p’los poetas, não sonhadas...

Contigo quero ver as madrugadas

 

Plenas de nós e amor, entre teus ais...

Contigo quero amar... louco, varrido...

E dentro do teu ser dar-me perdido!...

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)


27
Mai 11

 

 

              VII

 

"ALÉM DA MORTE..."

 

Eu amo-te, Ah!... Como eu te amo vida,

Luz, alma gémea, em mim redescoberta,

Tu és o rosto azul, na sala aberta,

Ao Sol que da janela, de fugida,

 

Te torna mundo, terra agradecida,

Por seres nascente, fonte, na deserta

Planície de mim, por ti desperta,

Qual Primavera solta, ao ar florida!...

 

Eu te amo, meu amor, flor encantada,

Perfume que o meu ser à força quer,

Deusa que Deus, um dia, fez mulher,

 

Para tornar minha alma apaixonada!

Tu és a minha estrela, a minha sorte,

E neste verso, minha... além da Morte!

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)


26
Mai 11

 

       VI

 

 

"NAVEGAR"

 

 

Na frescura da derme acetinada

Se reflectem odores de sangue quente...

Reveste-lhe esse corpo a alma ardente,

Que no brilho do olhar se vê espelhada...

 

Génese de uma vida, de uma estrada,

Que apenas é trilhada por quem sente

O ser selvagem, por detrás da mente,

Que no sorriso parece tudo e nada...

 

É morno o toque, doce o paladar,

Fervente o cerne, corpo já sem mágoa,

Que parece nesta hora ir navegar

 

Em taças de luar, em rios d' água,

Onde apenas navega uma certeza:

A chama que o amor mantém acesa!...

 

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)


25
Mai 11

 

 

              V

 

 

“BRAÇOS ABERTOS”

 

 

Quando os braços abriste para mim

E me deste teu meigo e doce colo,

Não sei eu se segui o protocolo,

Mas sei que me senti mui’ bem assim

 

Entre teus braços… Abraço sem fim

Junto ao teu peito meigo em que me enrolo,

Por esse teu carinho um novo Apolo

Me fizeste sentir… Num folhetim

 

Daqueles de cordel, com muito mel,

Apaixonado e vivo uma vez mais.

Quando os braços abriste fui jamais,

 

Fui nunca, garanhão, eu fui corcel

Cavalgando por ti, fui haragano,

No abrir dos teus braços… oceano!

 

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)


24
Mai 11

     

               IV

 

 

“VERMELHA MALA”

 

 

O brilho dos teus olhos deste a mim,

O rubro dessa boca me ofertaste,

No calor de teus seios me amparaste,

Em teus braços… de mata fui jardim…

 

Um bom abrigo foste tu, enfim…

Com tuas ternas mãos me massajaste,

Com as pontas dos dedos me coçaste,

No fundo do teu ser fui Mandarim…

 

Agora te dou algo onde guardei

O tão forte bater do meu sentir,

O meu amar, o meu por ti sorrir,

 

O meu ser, porque a ti amor me dei…

Guarda-a bem amor, porque ela embala

Meu coração, esta vermelha mala…

 

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)


23
Mai 11

 

        III

 

 

“APOGEU” 

 

 

Sua teu corpo amor e sua o meu

Até a vista nos ficar nublada,

Da fusão do contacto à pele suada

Sexo de fogo a noite desprendeu…

 

Seguindo unidos… Já amanheceu…

No Portaló um céu de trovoada

Parecia cantar, em alvorada,

A noite que entre nós aconteceu…

 

Veio a luz da manhã, se fez esplendor,

Brilhou como cristal a água azul,

Atracou um barco mais pra Sul

 

E buzinou pra nós o nosso amor…

Suou teu corpo amor, suou o meu,

De gota em gota… até ao apogeu!...

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)


22
Mai 11

 

          II

 

 

“A BATALHA”

 

 

Macumbas, fadas, anjos e bruxedos,

Sereias, mais encantos e vudu

Ou Iemanjá, milagre e tabu,

Trazem as trovoadas aos penedos…

 

Chuvas, calor e Sol entre rochedos,

Gotas de sal e sangue em rio Cairu…

Amor, suor e vida em corpo nu,

No Morro de S. Paulo são segredos…

 

Por toda a ilha o céu vence o inferno

E esta batalha não acaba mais,

Pois Tinharé protege seus mortais

 

Com seu manto de verde quase eterno…

Desde a primeira à quinta praia a vida

Usa o amor e a fé como saída…

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)


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