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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visível o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, tudo o que a imaginação me permite

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Registos da Memória - X - Braga Branca - Neva no Bairro

Braga Branca 10.JPG

(Braga Branca – Neva no Bairro - X - Foto de autor, direitos reservados)

Registos da Memória

X

Braga Branca – Neva no Bairro

 

A neve cai farta no bairro castanho claro onde habito naquele dia de Braga Branca. Um bairro que, reparo agora, é igual a si mesmo, bloco a bloco, edifício a edifício, nas vizinhas torres que o constituem. Parece amorfo. Agora que o vejo no contraste com a neve que brilha enquanto cai, concluo, pela monotonia dos edifícios que, na origem, aquele devia ser um por certo um bairro social, periférico até, que aos poucos foi sendo engolido pela cidade e se tornou mais caro pela proximidade das artérias que o levam ao coração de Braga e às saídas estratégicas da cidade.

Um bairro social pareceu-me bem. Para mim, então, é maravilhoso, pois que me considero um ser bastante social também. Depois de olhar bem há minha volta concluo que o arquiteto deve ter desenhado apenas um edifício e depois repetiu o modelo a duas cores, a de burro quando foge e a de burro quando anda, ou seja castanho claro e castanho ainda mais claro. Que trabalheira deve ter tido o inventor daquele espaço, pensei. Deve ser fastidioso distribuir, por uma área tão grande, prédios todos iguais, apenas a dois tons. Para sorte dos atuais residentes, na altura, deveriam estar na moda da solidariedade social os largos amplos, para os filhos dos sociais poderem brincar na rua.

Os largos deram lugar aos jardins, relativamente simples, mas bem cuidados, em volta foram feitos estacionamentos para quem não tem garagem e assim evoluiu aquela zona da cidade. Antigamente deviam existir até mais espaços livres, porém, agora, estavam ocupados por armazéns de um único piso, enormes, prontos para fazer escoar qualquer tipo de mercadoria para o Porto ou um qualquer outro destino. O meu pensamento regressa à neve que não para de cair. O asfalto da rua fica molhado, parecendo realçar o negro do alcatrão, a combinar com os troncos das árvores despidas de folhas, erguendo os troncos em preces celestiais que não se escutam. Neva no Bairro e eu sorri feliz.

Gil Saraiva

 

 

 

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