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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visível o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, tudo o que a imaginação me permite

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Registos da Memória - IX - Branca Noiva do Mar - O Espelho de Água

Branca Noiva do Mar 09.JPG

(Fuzeta, Branca Noiva do Mar – O Espelho de Água - IX - Foto de autor, direitos reservados)

Registos da Memória

IX

Branca Noiva do Mar – O Espelho de Água

 

É comum falarmos em como a água de um pequeno lago num jardim nos faz lembrar um espelho. Sem correntes ou ventos que a perturbem o líquido sereno facilmente reflete as copas das árvores e o céu no alto. Porém, poder observar as nuvens do céu, na maré cheia numa ria viva, em movimento, ao sabor do tempo e da corrente, num vasto lençol de água, sem levantar o olhar para o céu, mas apenas mirando o magnífico espelho de água que a Ria Formosa nos oferece é algo profundamente mais deslumbrante e verdadeiramente belo.

São raros os espelhos de água na Ria Formosa, ali, na margem da Branca Noiva do Mar, nesta terra denominada Fuzeta, ainda mais escassos são, mas acontece, em dias de Sol e brisa no exato momento da praia-mar. Aquele instante em que, por sorte, o vento descansa e a maré, acabada de encher até ao seu limite máximo, faz uma pausa para repousar, antes de iniciar a sua longa descida, de mais de seis horas, até à maré vazia. O registo da memória foi tirado mesmo em frente à casa dos meus pais, cujo jardim, em maré plena, fica a menos de um metro do espelho de água, que, quis o destino, foi apanhado pela minha câmara, no dia certo, na hora exata, no local perfeito.

Infelizmente a casa hoje encontra-se ao abandono, herdada pelos meus irmãos mais velhos que, numa hora de debilidade minha, conseguiram excluir-me da herança (mas isso são contas de outro rosário). O que nunca me conseguiram tirar são as memórias daquela que foi a casa onde habitei no final da adolescência, até partir para estudar em Coimbra e mais trabalhar e enfrentar, na invicta cidade do Porto, o meu primeiro verdadeiro contacto sério com o mercado de trabalho por conta de outrem, que nessa altura foi o Estado, mais propriamente a Alfândega (mais outro rosário que não importa para aqui). As memórias do final da adolescência são aquelas que transportamos durante o resto da vida, como um tempo que é o nosso e de mais ninguém.

Ora, as minhas memórias da Fuzeta são minhas e única e exclusivamente minhas. Posso tentar descrevê-las, embebido na aventura que elas representaram para mim, todavia, acho que jamais conseguirei relatar a emoção total que senti ao vivê-las. Eu, a Branca Noiva do Mar, a Ria Formosa e um barco de borracha da marca Zénite, que voava, planando sobre a água numa almofada de ar, ajudado por um motor Mercury de vinte e cinco cavalos e de haste curta. Hoje, ao ver este céu refletido nas águas da Ria Formosa, voltou tudo a esses momentos do passado. O espelho de água fez-me lembrar o jovem rebelde, de sorriso fácil, ao comando de um barco de borracha, com um motor fora de bordo, sem volante, a planar pela Ria Formosa, cabelos ao vento, de pele morena e humedecida pelo calor de Sol e pelos salpicos da navegação.

O meu orgulho era ver aquele barco a ultrapassar os outros, de fibra de vidro, com mais cinquenta cavalos de potência do que o meu. O barco chamava-se “pst” e cada ano que passava acrescentávamos um s ao nome. Já ia em “Pssssssst” no último ano em que o conduzi. Com ele conquistei o mundo, não em termos de globo ou de vastas áreas continentais da Europa, Ásia, África ou Américas, mas o meu pequeno mundo de herói de mim mesmo, onde vivi aventuras sem fim. Conhecia a Ria Formosa como os corsários e piratas de outros tempos conheciam os sete mares e isso bastava-me. Olhei para o espelho de água bem de perto na margem da ria, inclinei-me para ver o meu reflexo e, para meu espanto, vi o rosto feliz de um garoto de 18 anos, de cabelos loiros do Sol, com o sorriso resplandecente da felicidade. Amei o espelho de água…

Gil Saraiva

 

 

 

Beijo de Bruma

057 - bruma.jpeg

57. Beijo de Bruma… imagine um fim de tarde onde o crepúsculo se anuncia pelo mais romântico pôr-do-Sol de que alguma vez houve memória. Imagine também que tudo se passa à beira-mar, num dia quente e húmido, onde o azul da água contrasta com o branco macio do areal e o laranja de um astro em retirada. Imagine a falésia por detrás envolta no entardecer a ser coberta por uma nuvem de algodão que se apressa na brisa por chegar ao mar. Imagine-se menina de cabelos ao vento recebendo o beijo que nem amnésia poderá fazer esquecer, é esse o beijo que se descreve aqui… Um beijo de bruma.

Poemas de um Haragano: Nos Caminhos da Flor – Imagine-se

 

          VIII

 

"IMAGINE-SE..."

 

Imagine-se um mar de prata

Bordado ao ouro macio de um pôr-do-sol,

Deixemos agora

A nossa mente

Colocar algumas aves nidificando

Na costa fina de arbustos salgados,

Reserva natural

De um qualquer sonhado paraíso...

 

Em silêncio,

Os bateres de asas,

Se confundem com o restolhar do vento

Que sorri prá Primavera

Agora tão tangível...

 

O sentimento é por certo de harmonia!...

 

Pra quem não sente em verso

O deleite que os sentidos propiciam,

Recomendo que respirem fundo,

Deixem entrar languidamente

O cheiro a maresia...

 

Issooo...

Procurem agora sentir

A aragem vos acariciar,

De leve,

Passando-se suave

Pelo brilho dos olhos

E obrigando ao esvoaçar de alguns cabelos...

 

Com o olhar

Sigam as aves

Que gritam cânticos de amor

E de acasalamento...

 

Se entreabrirem os lábios

As papilas vão, por certo,

Detetar o gosto a mar,

O gozo das sensações plenas

E do encontro puro e idílico com Gaia,

A deusa que voluptuosa

Representa a Terra original...

 

Sentem?

Agora pensem,

Com um sorriso,

Num amor ausente...

 

Procurem influenciar a mente,

Mas sem esforço...

 

Issoooooo...

Estão vendo a sereia?...

 

É no exato instante,

De sensual e romântica lasciva,

Em que de joelhos nos dobramos

Para colher uma flor

De beira de caminho,

Que estamos integrados!

Cheios de amor,

De vida e de natura,

Enfim... de plenitude!!!

 

Imagine-se

Um mar de prata

Bordado ao ouro macio

De um pôr-do-sol

E conclua-se

Que afinal amar é simples...

 

Senão o mar seria água

E nada mais,

As aves: pássaros

E a reserva: pântano...

 

Imagine-se...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos Da Flor

(Gil Saraiva)

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