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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Desabafos de um Vagabundo

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11
Jun11

Poemas de um Haragano: Terra de Vénus – Sentir Camoniano

Gil Saraiva

 

                 VII

 

"SENTIR CAMONIANO"

 

Amor é eterno nada e universo;

É ilusão que muito e pouco dura;

É muita fome ter quando há fartura;

É viver o contrário do inverso;

 

É um calado estar quando converso;

É doença que não procura a cura;

É seta que não faz qualquer rotura;

É submarino coração emerso;

 

É vela acesa que apagada existe;

É o sonho do homem acordado;

É a felicidade de estar triste...

 

Mas como podes ter tu sublimado

Este sentir, Camões, que descobriste

P’rá ‘inda ser presente o Amor passado?...

 

 

Haragano, O Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)

10
Abr11

Poemas de um Haragano: Livro XX - Além da Morte

Gil Saraiva

 

"ALÉM DA MORTE..."


Eu amo-te, Ah!... Como eu te amo vida,
Luz, alma gémea, em mim redescoberta,
Tu és o rosto azul, na sala aberta,
Ao Sol que da janela, de fugida,

Te torna mundo, terra agradecida,
Por seres nascente, fonte, na deserta
Planície de mim, por ti desperta,
Qual Primavera solta, ao ar florida!...

Eu te amo, meu amor, flor encantada,
Perfume que o meu ser à força quer,
Deusa que Deus, um dia, fez mulher,

Para tornar minha alma apaixonada!
Tu és a minha estrela, a minha sorte,
E neste verso, minha... além da Morte!


Haragano, O Etéreo in Livro de Um Amor

(Gil Saraiva)

09
Abr11

Poemas de um Haragano: Livro XX - Navegar

Gil Saraiva

 

"NAVEGAR"

 

 

Na frescura da derme acetinada

Se reflectem odores de sangue quente...

Reveste-lhe esse corpo a alma ardente,

Que no brilho do olhar se vê espelhada...

 

Génese de uma vida, de uma estrada,

Que apenas é trilhada por quem sente

O ser selvagem, por detrás da mente,

Que no sorrir parece tudo e nada...

 

É morno o toque, doce o paladar,

Fervente o cerne, corpo já sem mágoa,

Que parece nesta hora ir navegar

 

Em taças de luar, em rios de água,

Onde apenas navega uma certeza:

A chama que o amor mantém acesa!...

 

 

Haragano, O Etéreo in Livro de Um Amor

(Gil Saraiva)