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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

20
Fev20

Beijo Envolvente

Gil Saraiva

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114. Beijo Envolvente, desenvolvido numa cena de genuína sedução, numa atmosfera carregada de fantasia e rococós própria dos momentos de ultrarromantismo, em que tudo se parece conjugar como que saído de um molde cativante, imprimindo um cunho caraterístico ao local, às circunstâncias e ao tempo. Numa palavra, o cenário revela-se perfeito. Nos olhares sente-se a atração dos corpos, dos rostos e dos gostos. Inesperadamente ela sabe aquilo que a atrai nele e, como que por um inexplicável ímpeto, ele descobre tudo o que ela tem de encantador. Só então o beijo acontece. Lânguido no começar, emotivo depois do primeiro toque, vivido em plena devoção no decurso da ação, envolvente na transcendência do transporte das mentes para as sensações tépidas dos lábios, que se humedecem mutuamente, enquanto ambos se sentem conduzidos para mundos julgados impossíveis. Beijo envolvente que nascendo de um quase nada, sem um como ou um porquê, sem racionalismos ou filosofias, apenas ao serviço das cativações próprias do sentir, desagua em cenas feitas de beijar, por entre sombras vacilantes de velas, que parcas luzes emanam, entre olores lúbricos e palatos feitos quinta-essência, numa foz impetuosa lotada dos mais finos nutrientes de um amar.

12
Fev20

Beijo de Empada

Gil Saraiva

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107. Beijo de Empada, criado com mil mimos tépidos, que aos poucos, enquanto duram e se demoram, chegam, sem darem conta, ao enrubescer dos cinco sentidos e de todas as emoções, como se fosse possível a sua transformação numa "manduca" deliciosa feita em camadas. Primeiro os sentimentos, ascendendo que nem lava, vindos do interior da alma, constituindo o nível base de suporte de toda a fundação deste beijar, como que refogando numa combinação temperada as moléculas que despertarão hormonas e feromonas. Na camada seguinte os sentidos, numa ebulição indescritível na busca faminta do êxtase, como que servindo de acompanhamento, que nos permite apreciar o degustar, quais emanações da derme que por debaixo esconde, sem sucesso, a ânsia da carne apetitosa. Quase no cimo acomodam-se os instintos, fervendo na natureza primitiva da sua remota origem, trazendo à nossa memória os intuitos primitivos de procriação animal, onde o gozo se partilha sem que o raciocínio se preocupe com quaisquer consequências. Finalmente a cobertura desta empada feita beijo, qual massa tenra de carinhos, gestos e ternura, representando a roupagem moderna impressa pela civilização evolutiva de milénios educativos e refinados na busca da perfeição das coisas para que tudo neste beijo se gere sem saber como mas que se devore sabendo bem porquê.

10
Fev20

Beijo Egípcio

Gil Saraiva

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105. Beijo Egípcio, dado de perfil, sob a tutela do rei dos deuses do Egito fundido com o deus do Sol, Ámon-Rá. Um beijar de olhos quase fechados, num rasgar que apenas nos deixa ver contornes, apelando aos outros sentidos, onde o olfato ganha força, o tato, dimensão e o paladar significado. Beijo entregue a 38 graus à sombra, num calor que vem de dentro, mas que nos refresca e bem dispõe, qual oásis, no meio da densa areia do nosso imenso, infindável e piramidal quotidiano. Um ato que se arquiva no sarcófago sagrado da memória, para sempre mumificado com fragrâncias de oxalá, suspiros de souvenir e contactos recriados em cada recordar. Beijo de abrigo onde ganhamos a energia necessária para prosseguir antes de continuarmos essa viagem única a que chamamos vida.

21
Jan20

Beijo de Cristal

Gil Saraiva

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85. Beijo de Cristal pela pureza, vulcânico na intensidade, profundo pelo sentimento e feliz porque se afinal para sonhar basta apenas um, já para beijar são sempre necessários dois. Um beijo é sempre um ato delicado, que requer ternura, suavidade, e, tal como o cristal que nada mais é do que um vidro sem impurezas tratado com cuidados acrescidos, este beijo, pela maneira singela e doce como deve ser dado, para ser límpido e perfeito, ganha o nome ao cristal, absorve as suas propriedades mas ultrapassa a matéria inerte em emoção, calor, sensualidade, inocência, vibração, energia, vigor e significado. Um beijo de cristal é um beijo são, sentido, vindo do âmago de um e entregue no âmago do outro. Dá-se entre seres humanos e guarda-se na cristaleira da paixão.

08
Jan20

Beijo Cigano

Gil Saraiva

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72. Beijo Cigano, roubado em noite sem Lua pelas raias da vida, cabelos ao vento brandindo florestas ocultas no breu. Beijo apanhado, quase ilegal, escondido de todos, família ou lar… Nada mais importa do que esse beijar. Beijar vagabundo de um haragano, que alazão selvagem não se deixa domar. Beijar cegamente num beijo profundo, que vem do instinto, que vem do amar. Beijo apropriado feito destino à luz da fogueira por entre sombras ocultas. Uma só maneira de chegar primeiro ao beijo que a alma parece cantar. Beijo lançado por cartas sem rumo que traçam destinos sem os traçar. Beijo feito de sinais de fumo que um beijo assim é de contrabando, é forte, é intenso, é de recordar, pode ser meigo, mas não é brando, pode ser vida, mas pode matar...

17
Nov19

Beijo Animado

Gil Saraiva

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19.Beijo Animado, excitado, entusiasmado, quer pelo toque que se perde na pele quer pelo aflorar dos lábios que nos lembram humores tropicais num ambiente onde o desejo de ambos incentiva o ato. Porém, sempre animado, na senda positiva de um feliz acontecer, porque beijar alguém com sentimento não é um mero beijo dado ocasionalmente em cumprimento, não é rotina, praxe ou uma qualquer conduta de menor ou maior educação, mas sim, antes de tudo o mais, é o cumprir da fome que nos vem do ser, o saciar da vontade que nos invade a alma, o aplacar da arritmia com que bate o coração e o cumprir de uma jornada que, chegando ao fim, nos trás a chave para um novo olhar.

06
Nov19

Beijo de Agora

Gil Saraiva

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8. Beijo Agora, podia ter sido ontem, ou poderá ser amanhã, afinal o que importa é que o beijo exista, cumpra a sua função e, sempre que for possível, dele se guarde uma boa recordação; porém, normalmente, os beijos são de um momento e não podem ser dados retroativamente nem mesmo preparados para um qualquer depois, porque beijar é coisa de instante, é como vela acesa que apagada existe até que o curto pavio seja ateado no próprio ato; só nessa altura, nesse segundo, podemos avaliar-lhe a luz, a intensidade, o desejo, a paixão ou o amor que nos revela. É a altura certa para se poder dizer bem alto beijo agora ou nunca…

05
Nov19

Beijo de Afinismo

Gil Saraiva

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7. Beijo de Afinismo, que, como o de amor, é procurado igualmente pelos dois intervenientes, é o beijo das almas gémeas, raras de encontrar, mas perfeito na entrega, inqualificável na intensidade, indescritível nas sensações provocadas, impossível de imitar por quem não sente a afinidade, a atração, o magnetismo proveniente da total harmonia entre dois seres, humanos na forma, nos atos, na aparência, transcendentes na cumplicidade, na partilha, na escolha de um caminho único porque outra maneira não existe de ambos poderem sobreviver. Beijo afinista, entregue de peito aberto, recebido de mão estendida.

 

01
Nov19

Beijo de Acontecer

Gil Saraiva

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3. Beijo de Acontecer, primeiro conhecemos alguém, conversamos e, com sorte e alguma empatia, descobrimos pontos de interesse em comum. Desde o início beijos são trocados, mas dados para o ar pois são as faces que se tocam. A certa altura um riso comum invade o espaço de ambos e sente-se o brilho nos olhares. As cenas repetem-se, sempre diferentes, mas os olhos já não vêm o mesmo e um tique miudinho invade o sistema nervoso, pairam cheiros no espaço envolvente, damos pela presença um do outro quase que instintivamente, o palato saliva de ansiedade, e um dia, sob uma luz que parece criada para aquele instante, mas que noutra altura qualquer pareceria banal, o beijo sucede, a temperatura sobe, e as feromonas fazem-nos descobrir o acontecer, de repente o tempo voa e a vida é bela.

31
Out19

Beijo Acompanhado

Gil Saraiva

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2. Beijo Acompanhado, aquele que tem os dois intervenientes igualmente envolvidos, ambos pensando coisas semelhantes, ambos imaginando um devir parecido, ambos na senda sensorial que começa no que se sente e não na mera circunstância daquilo que acontece, até porque a companhia é a irmã mais sensata de todas as relações, ela torna possível o inacreditável e faz do impossível algo muito mais provável de ultrapassar, sendo, em paralelo, a principal inimiga dessa coisa negra e feia que se deixa conhecer pelo triste nome de solidão. Beijo acompanhado por ambos, quando ambos o quiserem…