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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

06
Dez19

Beijo de Até Amanhã

Gil Saraiva

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38. Beijo de Até Amanhã, vindo da forja dos que são quotidianos, habituais e quase que automáticos. Dos que começam por ser um simples sinal de despedida, mas que rapidamente ganham formas novas e se transformam numa demonstração de afeto, carinho, amizade, porque se escolhe a quem se dão e não se entregam indiscriminadamente, pela rua fora, a quem por nós passa no crepúsculo de um dia que se esgota. Nada disso, este é um beijo dos que implicam saudade mesmo antes da despedida, de uma despedida qualquer, uma daquelas que nem é sequer um adeus, pois que nele reside, apenas e só, um "até amanhã"…

05
Dez19

Beijo de Assinatura

Gil Saraiva

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37. Beijo de Assinatura, com cunho, daqueles que deixa marca, vigoroso, forte, avassalador, inimitável seja por quem for porque exclusivo de quem o produz. Possuidor de um secreto ingrediente que não se encontra em feiras ou mercados mas, apenas, lá bem nos confins da alma criadora que o fez despertar para a humanidade na forma de beijo que se reconhece pelo conteúdo, pela essência vaporina que o espelha no toque da derme, na fragrância da pele, na impressão viciante que deixa no pescoço, no rosto ou na boca daquela que o recebe, para em êxtase no final a ouvir balbuciar, perdida e sem defesas, o nome inebriante daquele que o criou.

04
Dez19

Beijo Assado

Gil Saraiva

 

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36. Beijo Assado, quiçá com castanhas, regado com jeropiga, acompanhado por uma lareira crepitante, numa sala de granito antigo com grandes traves de carvalho e faia a rasgar as paredes, ao som de uma canção clássica de Paulo Gonzo, entre amigos, numa noite aberta e luminosa de Lua Cheia, onde o frio nos faz sentir o doce conforto do calor do fogo e das amizades envolventes, rindo entre conversas de uma banalidade sem meias palavras e onde conviver parece ser realmente o mote mais importante. Um beijo assim dá-se a quem se quer bem, sem subterfúgios, sem malícias, sem truques e por absoluta vontade de partilhar o momento de forma simples, sincera e singular.

03
Dez19

Beijo Artístico

Gil Saraiva

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35. Beijo Artístico, onde a forma e o enquadramento ganham vida envolvidos em vários detalhes tais como a humidade dos lábios, o calor da pele da recetora, o luxo gasto no tempo para o preparar, os odores suaves sentidos na afinidade dos Phs, o ambiente pormenorizadamente criado envolvendo a escolha do local, a luz do dia, as fragrâncias selecionadas de maneira a inebriar o meio, o vestuário usado disfarçando detalhes menos convidativos, a exclusividade da escolha, a arte de transmitir o sorriso bem-disposto de uma amizade com futuro, de um conhecimento que se inicia, de uma partilha que se deseja, de um sonho que se quer sentir real, vivido e alcançado. Toda esta preparação requer vontade, desejo, sinceridade e empatia, não apenas de quem oferece o beijo como, principalmente, de quem o acolhe. No final está tudo no que ambos os olhares disserem nesse instante em que as almas não sabem mentir…

02
Dez19

Beijo de Arte

Gil Saraiva

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34. Beijo de Arte, de obra de arte, desenvolvido criativamente para poder chegar ao destino no mais puro dos estados, sem maldade ou malícia, apenas como agradecimento, depositado na face, com toda a simpatia, como um presente a ser retribuído. Porque a arte é eterna ele perpetuar-se-á na memória de quem tem a sorte ou a vontade de, sendo diferente, fazer deste engenho o caminho de cada dia, quer pela delicadeza, pela simplicidade, pela educação, quer, enfim, pelo trato dado ao interlocutor. Um beijo com arte é muito mais do que um mero ósculo que se entrega e esquece, ele tem a beleza intrínseca das obras-primas, sendo simultaneamente belo na forma, inspirador na intensidade, arrebatador na alma, apaixonante no coração, puro na conceção, divino na imagem e perfeito na essência sentimental que se dissemina por cada um dos seres envolvidos.

01
Dez19

Beijo de Arraiolos

Gil Saraiva

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33. Beijo de Arraiolos, tornado artístico por séculos de história e experiência. Suave como a lã envolvente de um tapete feito para durar e dar conforto, ornado a ouro nos detalhes mais íntimos e secretos, qual filigrana que se sente no brilho do olhar antes do cerrar languido de cada pálpebra. Tingido de ternura e carinho com requinte e precisão como se cada movimento desse beijo fosse um ponto bordado com mestria, gosto e gozo na memória derretida de emoções de quem se beija à lareira, em pleno inverno, sobre uma manta de lã feita lençol.

30
Nov19

Beijo Arqui...

Gil Saraiva

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32. Beijo Arqui-hiperbólico, imagine-se que a hipérbole é por si só um sinónimo normal do exagero, empregue na linguagem comum para expressar precisamente isso, o excesso. Com a junção do "arqui" superlativa-se o exagero ao seu expoente máximo fazendo deste beijar um beijo de uma vida, aquele que se recordará como um dos melhores momentos, dos mais íntimos, dos mais intensos, dos mais bem vividos. Beijar assim pode levar décimas de um segundo ou uma hora, não depende do tempo aplicado, mas do que sentimos durante esse tempo, se for arqui-hiperbólico é porque se tornará eterno.

28
Nov19

Beijo de Arco-Íris

Gil Saraiva

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30. Beijo de Arco-íris, de luz, bem lá do fundo do túnel, como um clarão a sério, multicor, vivo, garrido, a apontar para a alegria, para a boa disposição e para o prazer incrivelmente bom que é estar-se perto de quem se gosta. Beijo como quem se ri com quem se confia e onde nos sentimos entusiasticamente muito bem. O arco-íris tem sempre reservado aquela surpresa lá no fim, que pode nem ser o pote de fortunas de que os antigos falavam, mas que valerá sempre mais do que qualquer ouro por ter como prémio último o seu sorrir de alegria e de prazer pela partilha, pela companhia, pelo entendimento, pela cumplicidade deliciosa que se sente numa situação assim em que beijar é apenas o inicio…

27
Nov19

Beijo de Aquário

Gil Saraiva

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29. Beijo de Aquário, para o nativo deste signo é necessário sentir que a outra parte se encontra enquadrada com o seu pensamento de molde a ser solidária e firme. Só assim, neste sentir, o beijo aquariano não terá preconceitos, rotina ou qualquer norma pré-estabelecida, tornando-se surpreendente a cada instante, imprevisível na execução, o que faz com que o interesse se mantenha vivo e o desejo ao rubro. É o beijo da cumplicidade, da mais perfeita conivência, da parceria absoluta, da procura do entendimento, podendo ser quer civilizado quer selvagem, primitivo ou visionário. Beijo de Aquário, independente, dado com imenso fervor, emocionante em privado ou em público, sem duração certa, brincalhão, jocoso e surpreendente, e se parece frio quando não existe envolvimento sério, é campeão da intensidade quando a partilha é total.

26
Nov19

Beijo Apocalíptico

Gil Saraiva

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28. Beijo Apocalítico, irresistível, forte como a tempestade, molhado como mil tormentas, violento como um vulcão, intenso como um dilúvio, rasgado dos hipotálamos fervilhantes de quem assim se beija como se nesse beijo se acumulasse toda a atividade sexual de uma vida. Por fim, os corpos fervem a trinta e seis graus à sombra sem que a ciência o saiba explicar devidamente. É a festa desgovernada das hormonas que invadem os organismos feitos posse, querer, desejo e loucura impregnada de mil correntes soltas de uma só vez libertando os seres gerando o caos, atingindo o abismo e, finalmente, chegando ao céu.