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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

30
Dez19

Beijo Caramelizado

Gil Saraiva

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63. Beijo Caramelizado de veludo na seda de uma derme menina, tornada dama pelo cultivo doce de um encadeamento guloso. Beijo transformado em ato de intensa cumplicidade na superfície da pele macia, perfumada, onde os sentidos se perdem voluntariamente deitando fora mapas, GPS, bússola, sextante ou outro qualquer aparelho de localização mais sofisticado. Tudo por um momento a dois que se quer singular na forma e plural nas réplicas. Uma sequência produzida na senda ávida da criação de eventos únicos que se reproduzem espontaneamente graças ao prazer que originam. Beijo caramelizado porque nada é tão doce como o beijo certo.

13
Dez19

Beijo em Bandeja Dourada

Gil Saraiva

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45. Beijo em Bandeja dourada, servido na mais soberba prataria por se tratar de um beijo que honra o Dia Internacional da Mulher. Um beijo de agradecimento, de reconhecimento, de homenagem, de admiração ou de amor, seja ele ornado de hortelã e alfazema, acompanhado por mimos aos cachos, com molhos de cumplicidade e temperos de alegria, seja servido em cru, sobre o brilho da prata dourada que é como ferrugem se comparado à luz que a dama emana. Mulher feita menina, a quem se entrega a vassalagem mínima devida por séculos de luta, pela companhia e pela esperança transmitida em cada olhar. Beijo em bandeja dourada pelo sorriso radioso dessa boca feita Sol onde os meus olhos se eclipsam.

28
Nov19

Beijo de Arco-Íris

Gil Saraiva

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30. Beijo de Arco-íris, de luz, bem lá do fundo do túnel, como um clarão a sério, multicor, vivo, garrido, a apontar para a alegria, para a boa disposição e para o prazer incrivelmente bom que é estar-se perto de quem se gosta. Beijo como quem se ri com quem se confia e onde nos sentimos entusiasticamente muito bem. O arco-íris tem sempre reservado aquela surpresa lá no fim, que pode nem ser o pote de fortunas de que os antigos falavam, mas que valerá sempre mais do que qualquer ouro por ter como prémio último o seu sorrir de alegria e de prazer pela partilha, pela companhia, pelo entendimento, pela cumplicidade deliciosa que se sente numa situação assim em que beijar é apenas o inicio…

19
Nov19

Beijo de Ano Novo

Gil Saraiva

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21. Beijo de Ano Novo, antes de mais trata-se de um ato feliz, de partilha de uma passagem entre o que acaba para um novo ciclo que se inicia. Será sempre um beijo entregue entre borbulhas de champanhe, ao som de foguetes eclodindo pelos céus distribuindo figuras, imagens e cores garridas que tornam humilde o mais imponente arco-íris. A dado instante, por entre toda a gente que festeja, procuramos com o olhar ávido a quem queremos bem, brindamos, cumprimos os rituais e trocamos um beijo intenso, seguro, absoluto e decidido como poucos outros, é o mais perfeito rito de cumplicidade, de entrega e de certeza, sendo igualmente perfeito quer na amizade como no amor. Beijo a dois, entre mil, beijo de Ano Novo.

15
Nov19

Beijo de Amor

Gil Saraiva

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17. Beijo de Amor, mais do que dádiva esta é uma ação de total cumplicidade entre os que se amam. Aqui se enquadra a rendição mútua, a entrega voluntária de cada um ao outro, a criação de um elo comum, exclusivo e sentido, porque emanado pelo sentimento mais nobre da dimensão humana. Trata-se de uma partilha onde se troca privacidade por companhia, efémero por permanente, curto por longo, num espaço temporal que se quer aceso e apaixonado por muitos e muitos anos na senda de um deleite que imprime melodia ao coração, harmonia à vida, sonho à eternidade…

 

11
Nov19

Beijo no Altar

Gil Saraiva

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13. Beijo no Altar, um beijo de consumação de um casamento, normalmente religioso na origem, machista na determinação verbalizada pelo sacerdote, tradicional na forma, antigo na prática e, quantas vezes totalmente desprovido de sentimentos de um ou dos dois interlocutores. Porém, quanto convicto e assumido pelas partes, é um beijo de consolidação absoluta, de amor, de cumplicidade, de partilha social de sentimentos e de anúncio de uma fórmula de um futuro que se espera longo, participado e íntimo até uma possível eternidade por acontecer.

01
Ago11

Poemas de um Haragano: Nos Caminhos da Flor – O Vaso

Gil Saraiva

 

      XII

 

"O VASO"

 

Aceita meu vaso,

Sê a minha flor,

Para que te possa regar

A cada dia

De sorrisos

E de mimos

No mais intimo

Da nossa alienação...

 

Aceita meu vaso,

De barro feio...

Bruto na forma,

Naïf no desenho,

Para que nele

Possas ser

A minha flor...

 

Aceita meu vaso,

No decoro do silêncio

Da nossa cumplicidade...

Deixa que nele te implante

Meiga flor silvestre...

 

E que te regue...

E que te cuide...

E que se murchares,

Por falta de carinho,

Se quebre o vaso;

E seque eu,

Na essência desta alma

Que lhe deu o barro...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

(Gil Saraiva)