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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

13
Dez19

Beijo em Bandeja Dourada

Gil Saraiva

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45. Beijo em Bandeja dourada, servido na mais soberba prataria por se tratar de um beijo que honra o Dia Internacional da Mulher. Um beijo de agradecimento, de reconhecimento, de homenagem, de admiração ou de amor, seja ele ornado de hortelã e alfazema, acompanhado por mimos aos cachos, com molhos de cumplicidade e temperos de alegria, seja servido em cru, sobre o brilho da prata dourada que é como ferrugem se comparado à luz que a dama emana. Mulher feita menina, a quem se entrega a vassalagem mínima devida por séculos de luta, pela companhia e pela esperança transmitida em cada olhar. Beijo em bandeja dourada pelo sorriso radioso dessa boca feita Sol onde os meus olhos se eclipsam.

12
Dez19

Beijo de Balança

Gil Saraiva

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44. Beijo de Balança, porque a companhia gera o equilíbrio para este signo este é um que tem de ter paridade. Estamos no universo absoluto do dar e receber. Ele tudo faz para ser agradável e agradar, e o seu beijo é gentil, cúmplice e recíproco, a sua entrega leve, encantadora e amorosa na procura intensa de dar prazer a quem beija, não existe preguiça ou desleixo num beijo de um nativo de Balança. Aqui vive-se da afinidade e da empatia, da doçura e gentileza das palavras, da estabilidade e convivência. Se existisse um beijo mutualista seria este o protótipo sem a mínima dúvida ou hesitação. Beijo de Balança, produzido entre requinte e beleza, delicado, elegante e romântico, dependendo da orientação da outra parte são capazes do beijo mais fino e dócil ao mais excessivo e sexual.

11
Dez19

Beijo de Babel

Gil Saraiva

 

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43. Beijo de Babel, tão intenso e grande como a Torre que lhe dá o nome. Um beijo que parece chegar ao céu, mas se aqui Deus quisesse frustrar o beijo insano confundindo-nos as línguas só o iria tornar mais intenso, mais vivo, mais perfeito, fazendo deste beijo a verdadeira caminhada até ao paraíso nunca antes encontrado em vida pelos simples mortais. No país verde e amarelo há quem lhe chame de beijo Ventilador ou Helicóptero como que a explicar os giros da língua dentro da boca do outro, como se fosse uma hélice, num baile próprio de ventoinha e até o apelidam de beijo aspirador de pó porque de tão intenso chega a ser profundo e sufocante. Esta junção entre dois seres toca as fronteiras do impossível, funde almas e corpos e faz-nos entender o que o amor tem de divinal. Agora o apogeu está bem ali, parece gritar, silvar como uma sirene industrial do século passado… Porém, o alarme à cabeceira da cama insiste e acabamos por finalmente acordar, deixando assim o beijo confuso e perdido em sonhos trocados numa Babilónia onde a torre nos atrapalha as línguas. Para o sentirem ambos vão ter que um dia, enfim, sonhar e acordar bem lado a lado…

10
Dez19

Beijo Azul

Gil Saraiva

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42. Beijo Azul do céu e do mar, sob o Sol radioso de um dia de primavera, inventado no final de um outono fustigado por frentes polares e muita chuva, mas primaveril só porque o beijo existe. Sim, primaveril e penteado por uma brisa suave por entre os seus cabelos, qual festa que um progenitor dedica à filha, qual caricia feita por apaixonado à dama amada, com detalhes enriquecidos de requintes odoríferos de margaridas, tulipas e papoilas, sorrindo ao vento e à menina, num beijo feito planeta, pleno de natureza, graça e vivacidade. Beijo azul em Terra azul onde os brancos das nuvens, lá no alto, parecem imitar risos de crianças gritando felicidade, inocência e despreocupação, abraçando quimeras, vivendo fábulas, conquistando universos com um simples abrir de braços, porque um beijo feito azul é muito mais do que primavera até no centro da maior das tempestades.

09
Dez19

Beijo Aveludado

Gil Saraiva

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41.Beijo Aveludado com pétalas carmesins, pleno de alegria vinda da luz do astro rei, entregue por anjos sem sexo, mas muito diligentes, nessa face amiga e sorridente no exato momento da receção. Só assim, ao toque suave e macio do veludo, se junta a seda acetinada de um rosto, numa harmonia perfeita para um beijo que trás consigo o cheiro das flores, a candura das texturas deslizantes no contacto, o fechar e abrir dos olhos refletindo os amplexos carentes que decorrem durante o ato de beijar… É como quem beija o que é sagrado e que tem de ser preservado a todo o custo, como quem sente cada segundo sabendo que todos eles se vão perpetuar, vivos para a eternidade, no arquivo memorial das recordações de cada um de nós. Beijo aveludado que repousa sorrindo na seda macia dessa alma.

08
Dez19

Beijo Australiano

Gil Saraiva

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40. Beijo Australiano, muito pouco usado em Portugal onde os beijos das intimidades na intimidade ganham outras designações, como sessenta e nove, só para citar um dos casos, mas bastante usado no nosso hemisfério para explicitar um ósculo invertido, como por analogia geográfica ao continente australiano, nos antípodas. Praticado não apenas entre heterossexuais este é um beijo universal, que se multiplica por quatro vertentes consoante onde e como é entregue e partilhado. Beijo Australiano um ato privado que exige entrega, sexo e luxúria.

06
Dez19

Beijo de Até Amanhã

Gil Saraiva

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38. Beijo de Até Amanhã, vindo da forja dos que são quotidianos, habituais e quase que automáticos. Dos que começam por ser um simples sinal de despedida, mas que rapidamente ganham formas novas e se transformam numa demonstração de afeto, carinho, amizade, porque se escolhe a quem se dão e não se entregam indiscriminadamente, pela rua fora, a quem por nós passa no crepúsculo de um dia que se esgota. Nada disso, este é um beijo dos que implicam saudade mesmo antes da despedida, de uma despedida qualquer, uma daquelas que nem é sequer um adeus, pois que nele reside, apenas e só, um "até amanhã"…

05
Dez19

Beijo de Assinatura

Gil Saraiva

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37. Beijo de Assinatura, com cunho, daqueles que deixa marca, vigoroso, forte, avassalador, inimitável seja por quem for porque exclusivo de quem o produz. Possuidor de um secreto ingrediente que não se encontra em feiras ou mercados mas, apenas, lá bem nos confins da alma criadora que o fez despertar para a humanidade na forma de beijo que se reconhece pelo conteúdo, pela essência vaporina que o espelha no toque da derme, na fragrância da pele, na impressão viciante que deixa no pescoço, no rosto ou na boca daquela que o recebe, para em êxtase no final a ouvir balbuciar, perdida e sem defesas, o nome inebriante daquele que o criou.

04
Dez19

Beijo Assado

Gil Saraiva

 

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36. Beijo Assado, quiçá com castanhas, regado com jeropiga, acompanhado por uma lareira crepitante, numa sala de granito antigo com grandes traves de carvalho e faia a rasgar as paredes, ao som de uma canção clássica de Paulo Gonzo, entre amigos, numa noite aberta e luminosa de Lua Cheia, onde o frio nos faz sentir o doce conforto do calor do fogo e das amizades envolventes, rindo entre conversas de uma banalidade sem meias palavras e onde conviver parece ser realmente o mote mais importante. Um beijo assim dá-se a quem se quer bem, sem subterfúgios, sem malícias, sem truques e por absoluta vontade de partilhar o momento de forma simples, sincera e singular.

02
Dez19

Beijo de Arte

Gil Saraiva

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34. Beijo de Arte, de obra de arte, desenvolvido criativamente para poder chegar ao destino no mais puro dos estados, sem maldade ou malícia, apenas como agradecimento, depositado na face, com toda a simpatia, como um presente a ser retribuído. Porque a arte é eterna ele perpetuar-se-á na memória de quem tem a sorte ou a vontade de, sendo diferente, fazer deste engenho o caminho de cada dia, quer pela delicadeza, pela simplicidade, pela educação, quer, enfim, pelo trato dado ao interlocutor. Um beijo com arte é muito mais do que um mero ósculo que se entrega e esquece, ele tem a beleza intrínseca das obras-primas, sendo simultaneamente belo na forma, inspirador na intensidade, arrebatador na alma, apaixonante no coração, puro na conceção, divino na imagem e perfeito na essência sentimental que se dissemina por cada um dos seres envolvidos.