Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

02
Ago 11

 

         XIII

 

"ONDE ESTÁS?"

 

Onde estás?...

Tu iluminas meus sonhos

Noite após noite

Como se eterna fosse

A tua luz...

 

Onde estás?...

Tu que me fazes sentir gente

Por entre gente

Que jamais o foi...

 

Onde estás?

Tu que saíste

Do cotidiano das imagens

Pra te instalares

Pra sempre

Em minha mente...

 

Onde estás?

Tu que és a seiva

Que me corre nas veias,

O gosto que me vem à boca,

O odor que me invade

O cérebro escravizado...

A flor oculta

Que floresce em meus sentidos...

 

Onde estás?

Diz-me pra que eu possa

De novo ser alguém!!!

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

(Gil Saraiva)


06
Nov 08

Eterna Rocha

"ETERNA ROCHA"

A flor do jardim olhou para mim...
Eu, um Vagabundo Dos Limbos,
Da net; Senhor da Bruma, da noite;
Haragano, O Etéreo...
Lenda urbana de quem nunca
Ninguém ouviu falar...

Passava perto, a caminho da vida,
E a flor do jardim olhou para mim...

As pétalas penteadas pela brisa,
O tronco hirto e firme pela certeza,
As folhas como braços abertos
Em minha direcção...

"- É contigo que eu quero partilhar
A minha essência...
Aqui, numa cama de pétalas,
Sob um céu de luar...

Vem! Terás contigo o perfume da noite,
O sorriso das estrelas,
A plácida tranquilidade da Serra
Perante a eterna vigília da Lua...

Vem! Ocupa o meu jardim, sê meu Senhor,
O Senhor da Serra da Lua,
Dono do meu amar, do meu amor..."

Olhei a flor do jardim...
Ainda suspirava na ansia da resposta...

Olhei a flor, ali, ao sol exposta,
Branca e pura como a pura neve,
Silvestre e livre como a liberdade,
Doce e bela como a natureza...

Sorri... Oh como eu sorri...
Sorri de orgulho daquele olhar florido
Em mim poisado,
De vaidade infinita por me sentir
O desejo profundo de uma flor
E respondi:

"- Flor, eu sou um Vagabundo Dos Limbos,
Da net; Senhor da Bruma, da noite;
Haragano, O Etéreo,
Lenda urbana de quem nunca
Ninguém ouviu falar,
Buscava perdido o caminho da vida,
Em confusão, e... afinal...
Tudo é tão mais simples...

Serei teu e serás minha
Se o orvalho da madrugada
Eu poder ser em tua sede,
Alimentando-te a raiz e o existir...

Serei, enfim, o solo onde te firmas,
Servo da terra onde és jardim...

Não te quero eu perder,
Dá-me o teu etéreo existir
Na eternidade,
Transmuta-me na Serra da Lua...

Que a minha voz seja agora
A do vento que sopra de Ocidente,
A saliva o mar
Que desagua no meu corpo
E meus passos as pégadas do futuro
Que um qualquer dinossauro
Marcou na eterna rocha..."

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

publicado por Gil Saraiva às 03:42
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