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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Beijo Entregue

110 - entregue.jpg111. Beijo Entregue em qualquer circunstância, ambiente ou idade. Pode ser dado nas noites frias de inverno onde o calor de uma face quente tem no conforto ameno um refúgio seguro. Pode chegar em pleno outono dum passeio tardio, por entre tapetes de plátanos e árvores coradas pelas vestes seminuas que por ora envergam e onde o encostar dos lábios a um rosto tem semelhanças de aconchego e de abrigo. Pode nascer numa manhã chilreante de primavera, por entre os matizes verdes dos jardins pincelados de mil cores pelas flores que acolhem insetos e aves num convite explicito à polinização, em que beijar alguém nos faz sonhar com futuros dias de felicidade. Pode desaguar em pleno verão, à sombra de uma sombrinha, toldo ou guarda-sol, com uma bebida refrescante numa mão e um sorriso no semblante, em que o beijo desferido transpira desejo, anseia colo e inventa loucuras. Afinal apenas importa, seja onde for, seja como for, que o beijo entregue cumpra o ciclo, transfira o sentimento, apague o desejo e se instale triunfante no seio vulcânico dos corações que por ele batem a vida inteira.

Beijo Einsteiniano

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106. Beijo Einsteiniano, em que a relatividade se explica pela fórmula E=mc², sendo E a Emoção, m o momento e a fusão dos dois corações envolvidos no ato, dito de outra maneira, E, que representa a Energia da Emoção do evento e é igual a m, que se traduz pela Massa, aqui representada pelo Momento, multiplicada por , que nada mais é do que a velocidade da luz no vácuo, que se explica simplesmente pela intensidade de dois Corações elevados à sua potência na prática do beijo que integra a pureza e a verdade. Enfim uma Lei Universal, a Emoção sentida num simples beijo destes só pode ser universalmente traduzida quando o momento ganha oportunidade e se torna facto na fusão absoluta de dois seres que, por esta via, chegarão à felicidade.

Beijo de Diamante

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98. Beijo de Diamante, reluzente no brilho e no glamour que transmite qual joia sem preço numa montra Cartier na mais cara das ourivesarias. Importado de Paris com a assinatura inimitável de um mestre ourives de renome internacional. Um beijo transparente, cristalino, inigualável na sinceridade das intenções com que é enviado. Puro pela soberba integridade que lhe é inerente e pela honestidade ímpar com que é transmitido. Sempre inflexível quanto à nobreza do ato e felicidade da dádiva deliciosamente exclusiva, e, afinal, belo porque único e irrepetível como nenhum outro.

Beijo Decorado

 

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91. Beijo Decorado, que tem de ser requintado, não apenas com gosto ou alguns retoques de fantasia, mas aprimorado quer para a expetativa de quem o recebe, embebido de alegria, quer pela maneira como se entrega gerando felicidade. Importa criar um algo que possa ser recordado como belo, belíssimo ou mesmo soberbo, caso contrário a decoração não faz qualquer sentido. Interessa escolher o meio envolvente para a realização do evento, seja pela presença no ar de um bálsamo suave a flores silvestres, seja pela paisagem que poderá ser crepuscular e grandiosa ou urbana e suave na escolha das luzes que tiram a cena da penumbra. O ambiente deve ser acolhedor e o beijo entregue apaixonadamente, com convicção, ao som de uma música para a eternidade, para a memória, para a saudade.

Beijo Cúmplice

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87. Beijo Cúmplice, inventado pelo querer de dois seres que o realizam por desejo, vontade e paixão simultânea. Este é um beijo que ganha asas na privacidade das alcovas, protegido por esses refúgios pouco iluminados onde a sensualidade invade as sombras e os rasgos de luz dopam as mentes, apuram os sentidos, exaltam os sentimentos num universo de prazer tornado tátil por mãos, corpos e lábios que se envolvem em exercícios viciantes, de lancinante loucura sã, que só terminam por rendição das partes bem depois da unificação de um todo feito a dois. Beijo de cumplicidade, parente rico do amor, alma gémea da felicidade.

Beijo de Comunhão

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80. Beijo de Comunhão, daqueles que acontecem quando tudo se conjuga. Quando as coisas se encontram exatamente como gostaríamos. Quando aquela pessoa com quem estamos nos parece perfeita, ideal e parte integrante de nós mesmos. Quando o sorriso é fácil e a gargalhada espontânea. Quando sentimos de tal modo a harmonia das coisas que nem nos lembramos que elas existem. Quando o amor não é uma palavra gasta e com muito pouco sentido, mas sim um sentimento básico e tão vital que parece mais uma função orgânica, como o respirar, e tão natural que quase não damos por ele. É nessas alturas que o beijo ocorre feito comunhão. Dado porque faz sentido, sentido porque é real, tão real que pouco mais importa, afinal o que todos procuramos é chegar por fim à felicidade.

Beijo Borboleta

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55. Beijo Borboleta, dado quase de fugida, num curto espaço de tempo, mas intenso, forte, maravilhosamente ilustrador de emoções e partilha de almas. Sublime na aparência, nobre nas intenções, adulto na forma, exemplar na harmonia e na naturalidade como se entrega, mas, para além disso, espontâneo, completamente independente de obrigações, status, e outros "ões" com que normalmente nos regemos em sociedade. Cintilante pelo vibrar das pálpebras em movimentos cíclicos, nos rostos unidos de tão próximos, trocando olhares por entre a oscilação ritmada das pestanas quais asas de borboletas esvoaçando rumo à felicidade. Livre porque partilhado por vontade das partes na fusão do todo, e tão belo e perfeito como a borboleta, mas, como ela, com uma vida curta, porque os momentos de perfeição sempre nos parecem breves, pequenos, mas deliciosos.

Beijo Azul

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42. Beijo Azul do céu e do mar, sob o Sol radioso de um dia de primavera, inventado no final de um outono fustigado por frentes polares e muita chuva, mas primaveril só porque o beijo existe. Sim, primaveril e penteado por uma brisa suave por entre os seus cabelos, qual festa que um progenitor dedica à filha, qual caricia feita por apaixonado à dama amada, com detalhes enriquecidos de requintes odoríferos de margaridas, tulipas e papoilas, sorrindo ao vento e à menina, num beijo feito planeta, pleno de natureza, graça e vivacidade. Beijo azul em Terra azul onde os brancos das nuvens, lá no alto, parecem imitar risos de crianças gritando felicidade, inocência e despreocupação, abraçando quimeras, vivendo fábulas, conquistando universos com um simples abrir de braços, porque um beijo feito azul é muito mais do que primavera até no centro da maior das tempestades.

Feliz Dia dos Namorados - Beijo de "O Colecionador de Beijos II" - Beijo de Namoro

Beijo de Namoro.jpg

 

Beijo de Namoro, aquele que, embora possa parecer único e facilmente identificável, tem várias correntes ou vias de concretização. Para os românticos trata-se de um beijo de sedução, fascínio e entrega incondicional. Não tem condicionalismos que não sejam os que derivam da própria relação de entrega mútua. Porém, num cenário que envolva 2 pessoas cumpridoras de rituais, sejam eles religiosos ou de mero pudor, traduz-se num beijo casto, impoluto, sem troca de línguas ou demoras exageradas pela paixão. Existem variadíssimos tipos de beijos de namoro, todavia, aquele que se considera mais representativo, mais clássico no género, é o que é partilhado na paixão sensual e mútua de quem se pensa entregar cegamente na fusão eterna entre 2 seres, onde a pele sente o arrepio da espinha, o coração acelera batimentos sem motivo aparente, as secreções humedecem recantos na derme ardente e a vida parece, finalmente, ter encontrado a razão do seu perfeito existir.

Poemas de um Haragano: Nos Caminhos da Flor – Abaixo-assinado

 

                II

 

"ABAIXO-ASSINADO"

 

Pelo sorriso

Dos teus olhos...

 

Pelo prazer

Dos teus lábios...

 

Pela suavidade

Da tua pele...

 

Pelo odor

Do teu ser...

 

Pela felicidade

Da tua presença...

 

Pelo amor mais profundo...

 

Eu,

Abaixo-assinado,

Declaro que te amo,

Com toda a força

Dos elementos

E com o poder

Do universo

Que me constitui,

Para sempre!...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos Da Flor

(Gil Saraiva)

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