Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

05
Ago 11

 

   XVI

 

"SEM..."

 

Para ser um mito

De alguém

Eu teria de existir

Antes de ser,

De ter vivido

Antes de existir,

De ser sonhado

Antes de conhecido ser...

 

Porém,

Por tudo isso...

Não passo de simples rumor

Nas gargantas

De quem nunca me imaginou...

 

Sou um Vagabundo Dos Limbos,

Sou Haragano, O Etéreo,

Condenado a não sentir

O cheiro da rosa...

 

Sem que uma pétala

Deslize entre meus dedos,

Qual torrente de um rio

Com margem certa...

 

Sem que um espinho

Me prove que o sangue

Ainda corre em minhas veias...

 

Sem que a beleza de uma flor

Me cegue de amor,

Qual rosa do rio

Que murmura segredos de infinito

Em meus ouvidos...

 

Sou um Vagabundo Dos Limbos,

Haragano, O Etéreo,

Prisioneiro do aroma suave

De uma simples flor,

Mas longe de ganhar raízes

Nas profundezas íntimas

Desse botão aberto ainda

Sem destino...

 

Nos caminhos da flor,

Qual seiva

Que alimenta a planta,

Eu continuo

Sem rumo

Meu caminho para a extinção...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

(Gil Saraiva)


03
Ago 11

 

       XIV

 

"POR MAIS..."

 

Por mais

Que o encanto

Pareça estar quebrado...

 

Por mais

Que o sonho

Tenha dado lugar ao Sol

Depois de um raiar irritante

E nublado da aurora...

 

Por mais

Que o cotidiano

Me tente chamar à razão,

Qual despertador enervante,

Repetitivo,

Monótono

E incansável...

 

Por mais

Que a flor

Se encontre oculta...

 

Por mais

Que tudo...

 

Nada vai parar

Quem sonha

Com o que sabe querer,

Por mais

Que o sonho

Demore a chegar...

Por mais que o sonho

Demore

A sonhar...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

(Gil Saraiva)


01
Ago 11

 

      XII

 

"O VASO"

 

Aceita meu vaso,

Sê a minha flor,

Para que te possa regar

A cada dia

De sorrisos

E de mimos

No mais intimo

Da nossa alienação...

 

Aceita meu vaso,

De barro feio...

Bruto na forma,

Naïf no desenho,

Para que nele

Possas ser

A minha flor...

 

Aceita meu vaso,

No decoro do silêncio

Da nossa cumplicidade...

Deixa que nele te implante

Meiga flor silvestre...

 

E que te regue...

E que te cuide...

E que se murchares,

Por falta de carinho,

Se quebre o vaso;

E seque eu,

Na essência desta alma

Que lhe deu o barro...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

(Gil Saraiva)

 


31
Jul 11

 

     XI

 

"O FIO..."

 

Que o meu grito aos astros

Se oiça nos confins do firmamento...

 

E que o seu eco se espalhe

Pelo infinito mundo das mensagens...

 

Que eu seja entendido

Ao menos uma vez...

 

Minhas palavras

São lágrimas de limbos

Que para se entenderem

Têm de ser sentidas

Por quem, como eu,

Chora o deserto para que nele

Uma flor possa nascer...

 

Se eu choro lágrimas de vagabundo

É porque estou condenado

A procurar um fim prá solidão...

 

Porque a solidão

Tem saída neste labirinto...

Mas quantos encontram

O caminho certo?

 

Quantos conhecem

O homem solitário,

Este ser que existe nas memórias

De quem com ele,

Um dia,

Foi feliz...

 

Vem amor, vem,

Juntos descobriremos o fio

Que nos conduz

À luz dos sentimentos,

Ao fim da sentença eterna

De vaguearmos perdidos pelos limbos...

 

Vem amor, vem,

Que o fio da vida

Pode a qualquer hora terminar...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

(Gil Saraiva)


24
Jul 11

 

              IV

 

"ETERNA ROCHA"

 

A flor do jardim olhou para mim...

Eu, um Vagabundo Dos Limbos,

Da net; Senhor da Bruma, da noite;

Haragano, O Etéreo...

Lenda urbana de quem nunca

Ninguém ouviu falar...

 

Passava perto, a caminho da vida,

E a flor do jardim olhou para mim...

 

As pétalas penteadas pela brisa,

O tronco hirto e firme pela certeza,

As folhas como braços abertos

Em minha direção...

 

"- É contigo que eu quero partilhar

A minha essência...

Aqui, numa cama de pétalas,

Sob um céu de luar...

 

Vem! Terás contigo o perfume da noite,

O sorriso das estrelas,

A plácida tranquilidade da Serra

Perante a eterna vigília da Lua...

 

Vem! Ocupa o meu jardim, sê meu Senhor,

O Senhor da Serra da Lua,

Dono do meu amar, do meu amor..."

 

Olhei a flor do jardim...

Ainda suspirava na ansia da resposta...

 

Olhei a flor, ali, ao sol exposta,

Branca e pura como a pura neve,

Silvestre e livre como a liberdade,

Doce e bela como a natureza...

 

Sorri... Oh como eu sorri...

Sorri de orgulho daquele olhar florido

Em mim poisado,

De vaidade infinita por me sentir

O desejo profundo de uma flor

E respondi:

 

"- Flor, eu sou um Vagabundo Dos Limbos,

Da net; Senhor da Bruma, da noite;

Haragano, O Etéreo,

Lenda urbana de quem nunca

Ninguém ouviu falar,

Buscava perdido o caminho da vida,

Em confusão, e... afinal...

Tudo é tão mais simples...

 

Serei teu e serás minha

Se o orvalho da madrugada

Eu poder ser em tua sede,

Alimentando-te a raiz e o existir...

 

Serei, enfim, o solo onde te firmas,

Servo da terra onde és jardim...

 

Não te quero eu perder,

Dá-me o teu etéreo existir

Na eternidade,

Transmuta-me na Serra da Lua...

 

Que a minha voz seja agora

A do vento que sopra de Ocidente,

A saliva o mar

Que desagua no meu corpo

E meus passos as pegadas do futuro

Que um qualquer dinossauro

Marcou na eterna rocha..."

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

(Gil Saraiva)


23
Jul 11

 

               III

 

"BIUNIVOCAMENTE..."

 

Tu és o aroma

Que meus passos

Adoram percorrer,

O sorriso que ilumina

O fundo da minha alma,

A vida pela qual

Eu acabo por descobrir

Que tudo valeu a pena...

 

Mais do que a flor

És a essência,

A coerência,

A relação adequada

Entre o sentir

Que te transmito

Pelo conhecimento do que és

E o amor que me difundes

No cerne desse mundo

Que te constitui...

 

A essência...

A verdade...

A pureza dos princípios,

A lógica ordenada

De nossos olhares,

A ordem afrodisíaca

De uma linguagem mista,

Linguisticamente pura,

Absolutamente articulada,

Interativa...

 

Onde o discurso de incoerente

Desagua em ideias

Plenas de subjetividade,

De nuances incompreensíveis,

Em que tudo se resume

Àquilo que o coração

Chama de Amor...

 

Tu és o aroma,

O texto sagrado

De uma religião paranormal

Porque transcendente da razão...

 

Tu és o acontecimento,

A situação e mais ainda,

A equívoca equação

Que não se anula

Mas se traduz no íntimo

Deste teu interlocutor...

 

A falta de univocidade

Pode transformar nossas palavras

Num lugar indefinido

Que nenhum de nós

Consegue controlar...

 

Mas controlar para quê?

Importa sim sentir...

Sim... sentir...

 

O aroma

Que meus passos adoram percorrer,

O discurso de ideias

Plenas de subjetividade,

O texto sagrado

De uma religião paranormal,

A equívoca equação

Que não se anula,

O lugar indefinido,

Sem norma, sem razão,

Sem leis, sem regras,

Em que biunivocamente

Nos amamos!...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos Da Flor

(Gil Saraiva)


01
Jun 11

 

 

 

            XII

 

“ROSA DO RIO”

 

Um dia, numa noite, sem esperar,

Ai, a mais bela flor, eu encontrei...

Como uma rosa, digna só de um rei,

Era como veludo ao desfolhar

 

Sem, no entanto, preciso ser tocar...

Gotas de orvalho nela vislumbrei,

Com um brilho que descrever não sei

E que então me fizeram deslumbrar...

 

Mas rosa a flor não era propriamente,

Descia à beira rio sem ter raiz,

Doava a tudo luz de tão feliz

 

Procurando aventura na corrente...

Era uma flor livre, era um sentimento,

Flor radical, pintura de um momento...

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)


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