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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Beijo de Arte

033 - arte.jpg

34. Beijo de Arte, de obra de arte, desenvolvido criativamente para poder chegar ao destino no mais puro dos estados, sem maldade ou malícia, apenas como agradecimento, depositado na face, com toda a simpatia, como um presente a ser retribuído. Porque a arte é eterna ele perpetuar-se-á na memória de quem tem a sorte ou a vontade de, sendo diferente, fazer deste engenho o caminho de cada dia, quer pela delicadeza, pela simplicidade, pela educação, quer, enfim, pelo trato dado ao interlocutor. Um beijo com arte é muito mais do que um mero ósculo que se entrega e esquece, ele tem a beleza intrínseca das obras-primas, sendo simultaneamente belo na forma, inspirador na intensidade, arrebatador na alma, apaixonante no coração, puro na conceção, divino na imagem e perfeito na essência sentimental que se dissemina por cada um dos seres envolvidos.

Poemas de um Haragano: Nos Caminhos da Flor – A Palavra

 

 

NOS CAMINHOS DA FLOR

 

           I

 

"A PALAVRA"

 

O bar ao fundo...

O motivo era a espera,

Uma espera com fim anunciado:

Ela não devia demorar!

 

Na sala cheia ninguém dava por mim,

Naquele canto destinado

A ilustres desconhecidos,

Como eu, aliás...

A multidão falava de quotidiano,

Falava de tudo,

Mesmo sem muito conseguir acrescentar...

 

Na minha mente

Uma só palavra parecia bailar

Entre a ponta da língua

E a garganta seca da cerveja

Já extinta no copo da imperial,

Havia algum tempo...

 

O bar ao fundo...

Uma só palavra...

E ela que tardava...

 

Pela milionésima primeira vez

Consultei o relógio,

Era verdade:

Os segundos continuavam a passar

No ritmo incontrolável

Do Tempo...

 

Levantei o olhar...

Ela sorriu para mim

Uma vez mais,

Como mil e uma vezes o fizera

Anteriormente...

 

E a palavra ganhou forma de novo,

E o Tempo parou,

E o bar pareceu vazio,

E a garganta húmida

Ganhou voz e lançou a palavra,

Pela milionésima segunda vez,

Pela ponta da língua:

 

Amo-te!

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos Da Flor

(Gil Saraiva)

Poemas de um Haragano: Achas de um Vagabundo – Possa Ser Eu

 

            XI

 

"POSSA SER EU!"

 

Meu amor...

No espaço diminuto do meu cérebro

Não consigo enclausurar o amor que sinto...

É vasto demais, é denso, é forte,

E nem zipado cabe entre neurónios...

 

Poderia eu arquivá-lo nessa rede,

Aquela a que chamamos de Internet,

Em servidores sem fim...

Gigabytes e gigabytes de sentir...

Mas é pequena a Net, é curta, é vã...

 

Ah, mas então...

Só dessa forma se tornaria a rede

Um sentimento só, somente e apenas...

Mas tanto ficaria por expressar,

Pois está por inventar o chip ou a memória

Que possa processar o verbo amar

Com a dimensão e a dignidade

Que este deve possuir...

 

Porém...

Um processo existe, um meio, uma forma,

De saberes, ó meu amor, o quanto te amo...

Há um condensador do meu sentir

Que podes ler sem erro, bug

Ou vírus que o afete...:

 

O brilho dos meus olhos quando a retina

Capta a tua imagem e a retém

Lá prós lados desse órgão interno

A que teimamos dar por nome:

Coração!...

 

O fenómeno pode não ser sensível

À ânsia da descoberta do sentir

Através de quaisquer materiais...

Ah... Mas se amares...

Vais poder ler o brilho oculto

Aos olhos de um outro qualquer alguém

E, meu amor, que esse alguém

Possa ser eu!

 

Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

(Gil Saraiva)

Poemas de um Haragano: Livro XX - Selvagem

 

"SELVAGEM"

 

 

Passas rebelde, sem olhar ninguém,

Sorris de vida, procuras amor,

Tens a garra e a força do Condor

E duras as palavras para quem

 

Tenta deter-te a ti, sem vir por bem...

Tens no brilho do olhar um fogo, ardor,

Felino de vontades e fulgor,

Ansioso de ser feliz também...

 

Amas de coração, sem ser problema,

E não pareces ser essa ternura,

Que ocultas lá no fundo, em forma pura,

 

Soberana de vida, um diadema!...

Rainha és, num trono de coragem,

Mulher entre as mulheres... mais:... Selvagem!

 

 

Haragano, O Etéreo in Livro de Um Amor

(Gil Saraiva)

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