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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visível o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, tudo o que a imaginação me permite

Serve este local para tornar visível o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, tudo o que a imaginação me permite

Desabafos de um Vagabundo: Registos da Memória - Brasil - Pipa - VII - Os Luares de Buda

Brasil Pipa VII.jpgBrasil - Pipa – VI – Os Luares de Buda (Foto de autor, direitos reservados)    

Registos da Memória

VII

Brasil – Pipa

Os Luares de Buda

Quem esteja em Pipa, no Nordeste do Brasil, na rua de acesso à Praia do Amor, e resolva, vindo dos lados da praia chegar à rua principal desta zona balnear, já depois da partida do crepúsculo, tem no caminho, à sua direita, a uns trinta ou quarenta metros antes de aceder à via que atravessa toda a localidade, uma pousada toda decorada ao estilo dos refúgios orientais onde buda é rei e senhor. Não importa o nome da instalação hoteleira em causa. Com a descrição que acabei de dar, amiga Berta, qualquer um encontra o lugar com facilidade.

Eu, que sou naturalmente curioso fiz uma visita ao espaço, uma vez que o jardim virado para a rua, com um buda a descansar meditativamente à beira de um pequeno lago, convida à visitação e aguça a indiscrição intrusiva, mas sem qualquer tipo de malicia.

As palmeiras, a estátua, o lago e o imenso verde e outras obras de arte oriental, tudo envolto em recantos sombrios e a solicitar mistério, denotam bom gosto, riqueza nos detalhes, estudo prévio e demorado de como o ambiente se tornará quando apreciado durante o dia, na aurora e no crepúsculo e com a chegada da noite. O interior da pousada, mais simples, porque é obrigatório que seja mais funcional, tem, todavia, mesma vertente oriental meditativa e solicita o apelo à meditação e ao relaxamento.

Ora, dá que pensar. Quem poderá optar por se instalar numa pousada assim? Julgo que apenas aqueles para quem os luares de buda sejam essenciais, ou seja, aqueles cujo stress do seu quotidiano obrigue a umas férias com menos praia e diversão e mais repouso e contemplação. É admirável todo o requinte e bom gosto do espaço, na procura da harmonia e da comunhão com o meio, sem pretensiosismos de grandeza que só destoariam. É por estas e por outras que eu recomendo Pipa aos viajantes. Na realidade este tipo de fenómeno diferente e diverso é mote em toda a estância balnear.

Gil Saraiva

 

 

 

Desabafos de um Vagabundo: Registos da Memória - Brazil - Pipa - VI - O Encanto dos Detalhes

Brasil - Pipa VI.jpg

Registos da Memória

VI

Brasil – Pipa

O Entanto dos Detalhes

 

A Pousada da Praia do Amor tinha um custo dia de menos de metade do preço de um hotel de três estrelas em Pipa e era bem mais barata do que um qualquer outro de duas. A descoberta acontecera, por mero acaso, numa visita por mim efetuada, online, sem intensões, ao Tripadvisor, ainda em Portugal. Uma simpática turista alentejana descrevera, num português que tinha tanto de popular como o que lhe faltava de erudito, como tendo, por mero acaso, descoberto um verdadeiro achado no Nordeste do Brasil. Dizia que descobrira um lar de verdade, para férias, numa estância turística e balnear como era Pipa.

Confesso que já me esqueci do nome da simpática turista. Contudo, tendo ali passado quinze dias, sou obrigado a reconhecer que ela tinha toda a razão em afirmar estar num lar (como se fosse em sua própria casa) e não numa qualquer pousada sem grande personalidade. A razão, mais uma vez fazendo uso das suas palavras é que a beleza do local não estava apenas no nome do estabelecimento, mas no excelente bom gosto e cuidado em todos os detalhes.

O encanto dos detalhes era quente, cativante e dava, de forma plena, a sensação de estarmos em casa própria. Não sei bem quais aqueles que devo realçar em primeiro lugar. Se, por um lado, tínhamos acesso a uma pequena piscina quase artesanal, mas sempre muito limpa e cuidada, por outro lado, o telheiro amoroso, onde se tomava o pequeno-almoço, o pequeno bar de serviço à piscina coberto de telhas, as plameiras dos vasos e da vegetação envolvente da pousada ou a imensa buganvília que fazia um túnel de sombra e verde a quem subia as escadas vindo da receção, enfim, tudo nos transmitia uma inédita sensação de conforto simples e de aconchego.

O céu, que não o diabo, estava na pureza do encanto dos detalhes. Não sendo um sítio de luxos e de mordomias, a Pousada da Praia do Amor, tem genuinidade associada ao tratamento invulgarmente familiar dado pelos proprietários aos seus hospedes. A última grande vantagem foi que, graças ao preço, em vez de passar uma semana em Pipa, ali gozei dezasseis maravilhosos dias de pleno encanto. Obrigado Camila, Aldenor e Marineide, será difícil esquecer-vos.

Gil Saraiva

 

 

 

Desabafos de um Vagabundo: Brazil - Pipa - V - O Recanto do Chopinho

Brasil Pipa V.JPG(Brasil - Pipa – V – Recanto do Chopinho (Foto de autor, direitos reservados)    

Registos da Memória

V

Brasil – Pipa

O Recanto do Chopinho

 

Quem sobe as escadas naturais por entre as rochas da pequena imitação de falésia que dá acesso à Praia do Amor em Pipa, no Nordeste brasileiro, pode, se ao alcançar o arvoredo denso, antes do início das habitações coloridas, não virar logo à direita, não dar por este fabuloso detalhe da paisagem urbana. Com efeito, por entre o meio do verde natural da vegetação, numa minúscula clareira, existe uma pequena mesa creme do Sol ladeada por um banco de plástico verde escuro e uma rede de pano cru presa a duas árvores.

Trata-se do recanto do chopinho ou, melhor explicando, de um poiso para qualquer veraneante que, regressado da afamada praia do romance, com uma lata de cerveja e um copo de plástico na mão, resolva descansar um pouco, por entre o verde natural, à beira de um caminho quase oculto de acesso ao centro de Pipa.

O recanto foi pensado pelos proprietários da Pousada da Praia do amor, cansados de ver, através das varandas do seu estabelecimento, do outro lado do muro que lhes limita a propriedade, os turistas sentados no chão da minúscula clareira a fazer uma pausa, que desejariam refrescante, na caminhada de regresso ao centro de Pipa.

No tronco da árvore mais próxima afixaram um aviso em A4, devidamente protegido por uma mica, onde apenas se lê, em português e inglês: “Se precisar de cerveja grite por uma.”  Devo reconhecer que nunca pensei que aquilo tivesse qualquer tipo de resultado prático quando, por mero acaso, o assunto foi abordado com os donos da pousada. Porém, a prova que a realidade é bem mais rica do que muita imaginação é que fiquei a saber que o pequeno anúncio, que ainda tem uma ilustração de uma lata de cerveja precedida de um cartoon de um rosto de perfil a gritar, somado ao banco, à mesa e à rede, consegue vender um mínimo de 50 latas diariamente.

Não vem em nenhum roteiro turístico de Pipa, mas o Recanto do Chopinho tornou-se, para mim, uma das pérolas mais genuínas de Pipa.

Gil Saraiva

 

 

 

Desabafos de um Vagabundo: Registos da História - Morreu Joge Sampaio - O Último dos Dom Quixote

Desabafos Jorge Sampaio.jpgRegistos da História

Morreu

Jorge Sampaio

O Último dos Dom Quixote

Vi hoje, assim que me levantei, o anúncio do falecimento de Jorge Sampaio, um homem de princípios que sempre lutou por eles. Honesto, sério, franco e verdadeiramente amigo dos portugueses de quem foi Presidente durante dez anos. A sua verticalidade e frontalidade estava bem mais alta do que a sua filiação partidária. Pela defesa da liberdade e dos seus princípios foi capaz de destituir um governo.

No outono de 1995, fiz-lhe uma grande entrevista para uma rádio regional do Algarve, de 55 minutos, durante um almoço da sua campanha presidencial, em Portimão. Foi à beira-rio, por entre peixe fresco, no meio de uma multidão de comensais. Por várias vezes se emocionou na defesa daquilo em que acreditava e estava, à época, firmemente convencido que derrotaria Cavaco Silva à primeira volta (o candidato presidencial da direita, e ex-Primeiro-Ministro).

Assim aconteceu. Cavaco Silva sofreu uma estrondosa derrota que, por pouco, não o afastou da política para sempre (porém, infelizmente, este personagem sinistro viria a suceder a Sampaio, logo depois deste cumprir os seus dois mandatos consecutivos).

Os três dias de luto nacional são poucos para homenagear o antigo Presidente da Républica Portuguesa, Jorge Sampaio. Poucos porque, quer se queira quer não, ele foi o último dos Dom Quixote. Efetivamente, não houve moinho de vento, político ou lobby que o demovesse das suas convicções. A honra e a palavra dada eram, para Sampaio, quase que apelidos do seu nome. A integridade, a frontalidade, a liberdade e a honestidade eram valores tão importantes como comer ou beber, ou seja, parte integrante do seu ser, de coração fraco e alma gigante. Estes desabafos são apenas a minha singela e humilde homenagem a um dos grandes de Portugal. 25 de ABRIL SEMPRE! Até sempre Senhor Presidente, até sempre!

 

 

 

Desabafos de um Vagabundo: A Inspiração de Isa Nascimento

A Inspiração de Isa Nascimento.gif

A INSPIRAÇÃO DE 

ISA NASCIMENTO

Os Desabafos de um Vagabundo têm na sua essência uma coisa excelente: Não estão sujeitos a tema. Para além disso, também não obedecem a formas, conteúdos ou algo que não venha da mais pura inspiração do momento. Mais uma vez, e para que não se pense que só elogio, ou quase, a poetisa Isa Nascimento, passo para este espaço a última critica que escrevi a propósito de um poema de Isa chamado “Inspiração”. (O poema pode ser visto e lido no blog em: https://isanascimento.blogs.sapo.pt/inspiracao-109612). A poetisa dá nos seus versos uma definição de inspiração com a qual eu não encontro concordância.

Passemos ao poema da autora, depois à imagem com que ilustra o mesmo, também de sua autoria e finalmente poderão ler a minha análise.

“Inspiração

A inspiração é um assomo

Uma larva que trepa pelo corpo acima

Tomando conta num ímpeto

Assumindo o controlo

Até brotar numa qualquer criação

 

A inspiração é um alento

Uma força motriz que te impele à força

Levando-te para sítios que desconhecias

Fazendo sair das tuas mãos

Algo que nem sabias que existia

 

A inspiração é um oásis

Uma fugaz miragem que rápido se desfaz

Tão rápido que já lá vai

Às vezes sem um ato criador

Um traço, uma palavra

Um grito ou uma gargalhada

Sem nada deixar para trás

 

A inspiração é uma joia

Rara e preciosa

Tem dias que brilha transbordante

Noutros uma mera utopia

 

Julho de 2021 – Isa Nascimento”                               (foto de Isa Nascimento)

Inspiração IN.jpgComentar ou não comentar? Heis a questão.

Comentar, pois a minha amiga Isa prefere que eu comente. Contudo, de que vale um comentário? Nunca sei muito bem. Se é um elogio afaga o ego de quem lê, mas sendo, no meu entender, tem de ser sincero, pois inversamente não passa de pura hipocrisia. Se é uma crítica... bem, vale o que vale, quer dizer que se fosse feito por nós seria diferente. Nem sequer significa que é mau, mesmo que o achemos péssimo. Afinal, essa é apenas a opinião de quem lê e de apenas de um leitor.

No caso de hoje senti-me exatamente quando, por engano, vejo um filme com cenas de operações passadas na mesa do bloco operatório: fico nervoso, irritadiço e muito apreensivo. É evidente que quando pensei em "Inspiração" não me passou sequer pela cabeça o ato de respirar, mas mais valia que tivesse passado. Todavia, transportei-me para o meu estro e dai, quase de imediato, para o estro do meu plectro. Foi nesta viagem e associação que o choque se tornou profundo. Eu explico:

1) "assomo" é uma palavra que significa aparecimento, é verdade, mas normalmente um surgimento negativo, quase que irritado e normalmente carregado de desconfiança. Ligá-lo à inspiração colocou-me de imediato em alerta.

2) "Uma larva que trepa pelo corpo acima". Jesus, Maria José! (diria a minha mãe, querendo apenas dizer "Credo!"). Odeio lagartas, mas larvas, então, fazem parte do meu imaginário de cenas que sempre envolvem momentos terror.

3) "Uma força motriz que te impele à força", Foi o mesmo que tivesse lido «uma força motriz que me impele à forca», Nunca senti que a inspiração, a minha, está claro, me obrigasse a fosse o que fosse, ainda por cima contra vontade, e isso, colocou-me, uma vez mais, em luta com o poema.

4) "A inspiração é um oásis

Uma fugaz miragem que rápido se desfaz

Tão rápido que já lá vai

Às vezes sem um ato criador

Um traço, uma palavra

Um grito ou uma gargalhada

Sem nada deixar para trás"    (excerto do poema de Isa Nascimento)

Sobre a presente estrofe só me apetece dizer: só se for a sua, menina Isa, porque a minha inspiração, quando vem, pode até ser um oásis, mas dos reais, sem miragens, pelo que não desaparece sem que o ato criativo seja nato. É impossível concebê-la e pensar que possa não deixar nada para trás.

5) "utopia", o fecho não é mais carinhoso que o começo. Utopia? Como utopia? Se é inspiração produz sempre um ato criativo, nem que eu seja o único a gostar dele, e por criativo eu quero dizer rico de conteúdo e significado. O meu estro não tem nada de utópico mesmo que imagine uma utopia.

Em resumo, minha querida amiga Isa, aqui no entender deste leitor faltou inspiração para falar na dita cuja. Apesar de tudo, se acha que não tenho razão, provavelmente está certa e eu errado, só que, mesmo que assim seja, mantenho a minha opinião.

 

Gil Saraiva

 

 

 

Desabafos de um Vagabundo: A Vacuidade de Isa Nascimento

A Vacuidade de Isa.jpgRegressei, impelido pela curiosidade, ao blog da Isa no Sapo, aquele  denominado "Um Pássaro Sem Poiso", onde ontem estive, desta vez para poisar a minha atenção sobre o poema intitulado "Vacuidade" e, mais uma vez, comentei. Volto, em primeiro lugar, ao poema e, como fiz no último, os comentários ficam para o fim:

Vacuidade: por Isa Nascimento - (https://isanascimento.blogs.sapo.pt/vacuidade-107046)

 

Vacuidade

 

Tão vazia me sinto

Nesta vida de ausentes.

Vazia como a casa

Sem eles presentes.

Vazia como a cama

De ti despejada.

 

Na vacuidade flutuo

Sem controlo nem direção,

Empurrada pelo vento

Ou pelos lamentos,

Ao sabor da chuva

E de quaisquer elementos.

 

Restam-me as palavras

A ocupar o vácuo ao entardecer,

Os espaços em branco

Do presente e do amanhecer.

 

Palavras feitas âncoras afundando-se

Sem com elas me levarem.

Fateixas de mil braços espraiando-se

Em porto seguro no fundo do mar.

 

Palavras feitas tijolos, meus versos

Contruindo, resgatando-me

Deste nada que é meu lar,

Erguendo-me noutros universos.

 

Isa Nascimento

Férias 2012 - Norte 031.JPG

                                                           (Imagem de Isa Nascimento) 

Os Comentários:

 

1 - Em primeiro lugar e antes de uma outra coisa qualquer, menina Isa, amei de coração. Excelente poema! Muito bom mesmo. Como é possível criar algo vindo, tão perfeitamente, do âmago do que somos, usando um palavrão tão feio, como é, no caso, a "vacuidade".

A tristeza profunda e sentida que esse vazio emana, gerou, em mim, uma intensa vontade de lhe oferecer colo, não porque a menina precise dele, pois já se faz acompanhar do desabafo, à tijolada, feito de palavras, mas porque a vontade inata da alma lusa, que é parte de mim (como o é de muitos de nós), me impele a ser solidário, amigo e ativo.

Note, menina, que não estou a falar da solidariedade bacoca, como aquela das petições fingidas, em que se oferece algo aos coitadinhos deste mundo, tornada moda nas redes ditas sociais. Essa visa cobrar o dízimo e oferecer a falsa sensação de salvação aos mais abonados materialmente e que preferem pagar, para aplacar a sua culpa de almas esvaziadas de qualquer sentimento verdadeiramente empático e solidário.

Aqui, onde me encontro, sentado a ler o seu poema, menina Isa, eu vi hoje passar, de perto, o vazio angustiado e profundo de uma alma à deriva que se tenta salvar no grito mudo das palavras escritas. A vontade inata é esticar o braço e agarrar a corda ou a corrente, arrastando, no ato, a âncora para terra firme, como se este vagabundo dos limbos, em que me constituo, a pudesse salvar, qual cravo em cano de espingarda, que habilmente transforma a ditadura, em plena revolução, num jardim de liberdade que se deseja firme. Porém, não sendo eu, certamente, um porto de abrigo, pelos instantes que durou a leitura e até um pouco mais além, desejei sê-lo.

Ups! A minha querida amiga, por vezes, tem este efeito em mim. Quando desperto já estou sendo arrastado, quase desde o início, pela maré do seu sentir. Mil perdões. Deixo uma quadra que fiz, tem muito tempo...

 

Sorria, nunca ande triste

Pelos caminhos da vida,

Que a vida, que em nós existe,

Não tem volta, só tem ida!

 

Gil Saraiva

 

2 - Voltei. Estava pela quarta vez a reler o poema (que, repito, adorei) quando reparei que cada estrofe tinha dois versos que rimavam entre si. Giríssimo. Não tinha notado. Este facto fez com que o tornasse a ler, pelo menos mais quatro ou cinco vezes. Perdi-lhe a conta. No final, cheguei à conclusão que a rima é totalmente dispensável. Explico porquê.

Cada estrofe tem uma musicalidade emprestada pela leitura que flui, em si mesma, apenas pautada pelas virgulas e pontos finais. A cadência impregna o poema, dá-lhe ritmo e vida própria. Porém, ao integrarmos as rimas na leitura (apenas dois versos em cada quatro ou seis) a musicalidade e serenidade austera da poesia é afetada e alterada pela rima pontual, realçando-a e esbatendo a força das palavras, alterando a fluidez e a musicalidade do conteúdo.

E depois... quem rima "afundando-se" com "espraiando-se"???? (Hehehe). Eu, milagrosamente, não enfatizei, nem sequer reparei na rima nas primeiras leituras, pois teria perdido, se o tivesse feito, a beleza corrente e fluida do conteúdo. Peço desculpas pela crítica, mas o poema ganha muito mais se não ligarmos à rima.

Obrigado.

Gil Saraiva

 

Nota: Isa respondeu-me inteligentemente a ambos os comentários, porque de outra maneira não poderia ser. Porém, se querem seguir essa novela sigam o link do blog desta minha virtual e talentosa amiga.

 

 

 

Desabafos de Um Vagabundo: As Palavras Caladas de Isa

Palavras Caladas.jpgLi no blog do sapo denominado "Um Pássaro Sem Poiso", um poema denominado "Palavras Caladas", o qual, por sua vez, ainda remete o visitante para outro poema da mesma autora, denominado "Silêncio", esse escrito nos idos de 2019. Li e comentei. Mas vamos em primeiro lugar ao poema e, por fim, ao comentário:

Palavras caladas: por Isa Nascimento - (https://isanascimento.blogs.sapo.pt/palavras-caladas-105073)

 

Palavras Caladas

 

A verdade é que o silêncio não tem significado.

 

Não significa ausência de crítica nem aceitação.

Não significa compreensão nem escuta.

Não é poesia.

É nada.

É apenas ausência de verbalização e de som.

 

O silêncio é composto de ruídos abafados e palavras caladas.

Palavras que enchem de barulho o pensamento de uma boca silenciada.

Mas também palavras serenas, que tranquilizam a mente que as guarda dentro de si.

 

Não é possível saber.

Quem escuta o silêncio pode senti-lo, mas o que sente está em si e não no significado do silêncio.

 

Isa Nascimento (em 30 / 07 / 2021)

20200716_113908.jpg

(Imagem de Isa Nascimento)                                                           

O meu comentário:

"Quem escuta o silêncio pode senti-lo, mas o que sente está em si e não no significado do silêncio." A frase da menina Isa ajuda os mais distraídos a entenderem melhor o silêncio quando o escutam, ou não, fiquei sem ter a certeza. O verso visa orientar o leitor, ajudando-o numa reflexão mais profunda do tema.

Pensei nos meus silêncios, porque são vários. Tenho aqueles que me chegam do sentir, seja pelo amor, pelo medo, pelo pânico, pela ansiedade, saudade ou espera, esses eu sinto-os e compreendo bem o significado das palavras caladas que barafustam, internamente, desabafos pelas tascas do pensamento ou que se entregam à meditação, velada de conclusões, serena ou agitada conforme a origem ou a consequência.

Todavia, o pior e mais assustador dos meus silêncios dá pelo nome de imaginação.

Esse é um monstro terrível que muitas vezes me enche o cérebro de palavras e ruídos que se acumulam e transbordam, sem, contudo, terem para onde ir. Chego a sentir os portões da insanidade a rangerem de tão cheio que tudo se encontra no espaço limitado do meu cérebro.

Ás vezes, consigo sangrar o monstro, através de palavras mudas e de ruídos que não se escutam, nas palavras que escrevo, no mais profundo silêncio, dando alguma vazão à imaginação. Se este silêncio ganhar voz nas bocas de terceiros, não serei eu quem o desfaz, mas fico bem mais aliviado.

Minha querida amiga, às vezes a Isa leva-me tão longe, amei as suas "palavras caladas" de tal forma que vou usar quase todo este comentário num desabafo de um vagabundo próximo. Divinal este seu texto, desculpe se me estiquei em demasia.

Gil Saraiva

 

Nota: É evidente que o meu comentário teve resposta à altura por parte de Isa (veja no blog "Pássaro Sem Poiso") 

Gil Saraiva

 

 

                                                        

 

Desabafos de Um Vagabundo: Adeus Otelo!

DUV Otelo.jpgDesabafos de um Vagabundo: Adeus Otelo

Morreu hoje, no Hospital Militar onde se encontrava internado, Otelo Saraiva de Carvalho. O homem que personificou o 25 de abril de 1974. O rosto da Revolução dos Cravos, o Poeta da Esperança Popular. O inconformado, rebelde e inexplicável Otelo Saraiva de Carvalho.

Amado por uns, odiado por outros, Otelo nunca deixou que a sua pessoa fosse indiferente. Longe disso. Foi preso no 25 de novembro, foi mais tarde condenado por ser o líder das FP-25 e condenado a 15 anos de prisão dos quais apenas cumpriu 5, por indulto de Mário Soares. Era também considerado cúmplice e mandante das barbaridades cometidas pelo COPCON. Otelo sempre negou o comando das FP-25 e sempre repudiou a culpa nos abusos praticados pelo COPCON.

Na minha romântica perspetiva, Otelo nunca foi responsável pela violência destes factos passados depois do 25 de abril. Aproveitaram-se dele, da sua imagem e da sua aura para o usarem em proveito próprio.

O cravo de abril, como lhe chamei quando o entrevistei em 1991 murchou e morreu. O Fidel Castro-Che Guevara que acreditava, com um querer genuíno e pleno de ingenuidade, na revolução e no povo não subiu mais alto nos seus sonhos de um novo Portugal porque, como dizia, lhe faltava conhecimento político, cultural e bases de aprendizagem educativa e política para fazer melhor. Porém, o que fazia tinha alma, génio e impetuosidade irreverente de quem sonha pelo povo que defende.

Àqueles que o odeiam, aos que o consideram culpado de tudo o que foi acusado no PREC e nos tempos conturbados do período pós-revolucionário, peço que respeitem a morte do poeta da revolução e que não destilem veneno sobre esta homenagem que aqui deixo. Aos outros, àqueles que o vêm como eu via, deixo o meu profundo pesar num dia triste como o de hoje. Morreu o Senhor 25 de abril, o Senhor Revolução. Paz à sua memória, glória ao cravo irreverente da liberdade sem bazucas e capital. Adeus Otelo!

Gil Saraiva

 

 

 

Jim Morrison, 50 anos depois da sua morte

Jim Morrison,.jpg

Fotografia de Jim Morrison da Banda The Doors

Fez este mês cinquenta anos que morreu Jim Morrison, o vocalista da banda rock The Doors, mais propriamente no passado dia três. Por incrível que pareça eu lembro-me bem, sendo o mais novo de cinco irmãos (o mais velho dista doze anos de mim) desde muito cedo a música dos The Doors fez parte do meu universo musical e deixou marcas profundas nas minhas preferências musicais. Outros existiram e geraram o mesmo efeito, destaco, entre eles os The Beatles, os The Rolling Stones, Kim Crimson, Yes, Cat Stevens e mais uma infinidade de cantores e bandas dos anos sessenta e setenta.

Tenho a certeza que se tivesse conhecido Jim Morrison pesoalmente, este, por maior que fosse o meu esforço, jamais faria parte do meu lote de amigos. Demasiado alcoólico e drogado, demasiado anarquista e absolutamente imprevisível. Contudo, e há sempre um porém naquilo que é a nossa avaliação de alguém, isso não o impediu de ser um génio da múcica, alicerçado numa banda soberba. Um génio e um poeta. Ora, é a estas facetas que se dirige o meu tributo, cinquenta anos depois da morte de Jim Morrison, um monstro sagrado da música rock do século vinte.

Desabafos Jim Morrison.jpgFotografia da Campa de Jim Morrison em Paris

Hoje, neste ributo deixo a minha tradução de um dos clássicos da banda, a música: Riders On The Sorm.

 

Riders On The Storm by The Doors

 

Cavaleiros na tempestade,

Cavaleiros na tempestade…

 

Nesta casa nascemos,

Ao mundo fomos lançados

Como um cão sem osso

Ou um ator emprestado.

 

Cavaleiros na tempestade…

 

Há um assassino na estrada,

De cérebro alterado,

Qual sapo esborrachado.

 

Aproveitem uma longa ponte

E deixem os seus filhos brincarem…

 

Porém, se deres boleia àquele homem

A tua doce família morrerá,

Sim!

Pelo assassino do asfalto.

 

Mulher,

Tu tens que amar o teu homem,

Mulher,

Tu tens que amar o teu homem!

Pega nele pela mão

E ajuda-o a entender…

Pois o mundo depende de ti

E para que a vossa vida não termine

Tu tens que amar o teu homem,

Isso sim!

 

Cavaleiros na tempestade,

Cavaleiros na tempestade…

 

Nesta casa nascemos,

Ao mundo fomos lançados

Como um cão sem osso

Ou um ator emprestado.

 

Cavaleiros na tempestade,

Cavaleiros na tempestade…

 

Cavaleiros na tempestade,

Cavaleiros na tempestade,

Cavaleiros na tempestade…

 

Compositores: John Densmore, Ray Manzarek, Robby Krieger e James Morrison: The Doors.

Tradução livre de Gil Saraiva

01.jpgRiders On The Storm by The Doors

Pelo contibuto muito especial para a minha vida aqui fica a minha respeitosa homegem a este que foi um dos grandes vocalistas e criaticos do final do último milénio: Jim Morrison.

Gil Saraiva

À memória de Jim Morrison...

Jim_Morrison.jpg

 

 

 

 

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