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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

02
Ago11

Poemas de um Haragano: Nos Caminhos da Flor – Onde Estás?

Gil Saraiva

 

         XIII

 

"ONDE ESTÁS?"

 

Onde estás?...

Tu iluminas meus sonhos

Noite após noite

Como se eterna fosse

A tua luz...

 

Onde estás?...

Tu que me fazes sentir gente

Por entre gente

Que jamais o foi...

 

Onde estás?

Tu que saíste

Do cotidiano das imagens

Pra te instalares

Pra sempre

Em minha mente...

 

Onde estás?

Tu que és a seiva

Que me corre nas veias,

O gosto que me vem à boca,

O odor que me invade

O cérebro escravizado...

A flor oculta

Que floresce em meus sentidos...

 

Onde estás?

Diz-me pra que eu possa

De novo ser alguém!!!

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

(Gil Saraiva)

29
Jul11

Poemas de um Haragano: Nos Caminhos da Flor – Não Leias…

Gil Saraiva

 

         IX

 

"NÃO LEIAS..."

 

Não leias...

Não leias estes versos

Meu amor,

Eles, que são pra ti,

Não deves ler

Pois não podes, jamais,

Pensar saber

Que meros versos são...

Uns sem valor...

 

Não leias estes versos...

Por favor...

 

Neles, faminto vivo

Por viver,

Neles, razão tu és

Deste meu ser,

Neles, eu nada sou

Sem teu calor...

.

Não leias estes versos

Que te escrevo,

Não pode o teu amor

Calhar-me à sorte,

Não tenho as quarto folhas

Num só trevo

Se na roda da vida

Tenho a morte...

 

Não leias estes versos

Sonho terno

Se eu em teu existir

Não for eterno...

 

Não leias estes versos

Que falam de um de nós

Que apenas minha mente

E minha voz

Inventaram de forma inconsistente...

 

Não leias estes versos...

Estou doente!...

Como podes tu ler

Esta passagem

Se mais real que tu

É uma miragem!...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos Da Flor

(Gil Saraiva)

28
Jul11

Poemas de um Haragano: Nos Caminhos da Flor – Imagine-se

Gil Saraiva

 

          VIII

 

"IMAGINE-SE..."

 

Imagine-se um mar de prata

Bordado ao ouro macio de um pôr-do-sol,

Deixemos agora

A nossa mente

Colocar algumas aves nidificando

Na costa fina de arbustos salgados,

Reserva natural

De um qualquer sonhado paraíso...

 

Em silêncio,

Os bateres de asas,

Se confundem com o restolhar do vento

Que sorri prá Primavera

Agora tão tangível...

 

O sentimento é por certo de harmonia!...

 

Pra quem não sente em verso

O deleite que os sentidos propiciam,

Recomendo que respirem fundo,

Deixem entrar languidamente

O cheiro a maresia...

 

Issooo...

Procurem agora sentir

A aragem vos acariciar,

De leve,

Passando-se suave

Pelo brilho dos olhos

E obrigando ao esvoaçar de alguns cabelos...

 

Com o olhar

Sigam as aves

Que gritam cânticos de amor

E de acasalamento...

 

Se entreabrirem os lábios

As papilas vão, por certo,

Detetar o gosto a mar,

O gozo das sensações plenas

E do encontro puro e idílico com Gaia,

A deusa que voluptuosa

Representa a Terra original...

 

Sentem?

Agora pensem,

Com um sorriso,

Num amor ausente...

 

Procurem influenciar a mente,

Mas sem esforço...

 

Issoooooo...

Estão vendo a sereia?...

 

É no exato instante,

De sensual e romântica lasciva,

Em que de joelhos nos dobramos

Para colher uma flor

De beira de caminho,

Que estamos integrados!

Cheios de amor,

De vida e de natura,

Enfim... de plenitude!!!

 

Imagine-se

Um mar de prata

Bordado ao ouro macio

De um pôr-do-sol

E conclua-se

Que afinal amar é simples...

 

Senão o mar seria água

E nada mais,

As aves: pássaros

E a reserva: pântano...

 

Imagine-se...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos Da Flor

(Gil Saraiva)

10
Jul11

Poemas de um Haragano: Achas de um Vagabundo – Felicidade

Gil Saraiva

 

          VI

 

"FELICIDADE"

 

Dar asas à imaginação exige

Que nos afastemos da realidade...

Não podemos imaginar

Presos no colete-de-forças

Das normas e das leis,

Dos parâmetros sociais

Em que estamos envolvidos...

 

Imaginar

Implica liberdade de espírito,

De conceitos, de regras e de tabus...

 

Tal como a imaginação

Apela a uma forte libertação

Também o amor demanda

Os mesmos procedimentos...

 

Para amar é preciso ser livre

E estar disposto a tudo...

 

A diferença entre amar e imaginar

Traduz-se no objetivo

De cada um dos termos,

Na força implícita

Que em cada caso teremos que usar...

 

Se a finalidade da imaginação

Se retracta no acto criativo

De gerar um contexto

Nunca antes tornado cognitivo,

Em que o esforço pedido à mente

É apenas de abstração,

Já amar obriga à utilização

De todos os recursos do ser

E tem, por fim,

A conquista inequívoca

Do que se ama...

 

Uma certeza podemos ainda acrescentar:

Quem ama utiliza, vezes sem conta,

A imaginação como recurso, meio,

Perspetiva e criação

Dos seus cenários de futuro,

Tornados presente em cada hora...

 

Já quem imagina apenas se limita

A criar a metáfora de cenários

Ou futuros possíveis

Sem a preocupação de com eles atingir

Qualquer nível de alegria.

 

É aqui que reside

A diferença fundamental:

Imaginar solicita um ato criativo

Por si só suficiente,

Enquanto amar possibilita

Que se encontre a chave última da razão

Pela qual todos existimos:

A felicidade!...

 

Por tudo isto

Eu confesso neste testemunho

Que sou livre e feliz:

Não só eu imagino que amo...

Como amo porque me tornei

Inegavelmente detentor

Da Felicidade!...

 

Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

(Gil Saraiva)

08
Jun11

Poemas de um Haragano: Terra de Vénus – É Apenas Amor

Gil Saraiva

                IV

 

"É APENAS AMOR"

 

É apenas amor, mas se isso é tudo

Como posso viver tão longe agora?

Como sorrir à dor que me devora

Se o espelho cada vez é mais sisudo?

 

Como posso viver se esta demora

Me afasta de teu ventre de veludo?

É apenas amor o grito mudo

Que dentro do meu peito, em fogo, chora!...

 

É apenas amor, por ti, amor...

Meu olhar turvo, a voz meio abafada,

A mão dormente, o corpo sem calor,

 

O vazio da mente enevoada...

Tem apenas amor meu Universo

E já nem forças tenho pra outro verso!...

 

Haragano, O Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)

05
Jun11

Poemas de um Haragano: Terra de Vénus – A Condessa

Gil Saraiva

 

            I

 

"A CONDESSA"

 

 

A Condessa sorriu...ligeiramente...

Um sorriso sem cópias ou igual...

O seu brilhante olhar tem do cristal

O mesmo ardor e garra permanente,

 

Aquele fulgor que nos desperta a mente,

Numa ânsia de sonhos e real...

A Condessa sorriu... tão natural,

Mas ao sorrir assim, candidamente,

 

Explodir fez, de vez, as emoções,

Mil melodias, odes, versos, hinos,

Lindas canções de amor e mais refrões,

 

Coros vindos do céu dobrando sinos...

Condessa que sorris... tão sorridente...

Sorri pra mim... assim... sorri somente...

 

Haragano, O Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)

26
Mai11

Poemas de um Haragano: Livro XXI – Portaló – Navegar

Gil Saraiva

 

       VI

 

 

"NAVEGAR"

 

 

Na frescura da derme acetinada

Se reflectem odores de sangue quente...

Reveste-lhe esse corpo a alma ardente,

Que no brilho do olhar se vê espelhada...

 

Génese de uma vida, de uma estrada,

Que apenas é trilhada por quem sente

O ser selvagem, por detrás da mente,

Que no sorriso parece tudo e nada...

 

É morno o toque, doce o paladar,

Fervente o cerne, corpo já sem mágoa,

Que parece nesta hora ir navegar

 

Em taças de luar, em rios d' água,

Onde apenas navega uma certeza:

A chama que o amor mantém acesa!...

 

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)

20
Mai11

Poemas de um Haragano: Livro XXI – Portaló – Despedida

Gil Saraiva

 

        XII

 

 

“DESPEDIDA”

 

 

No Hotel Portaló o ser se reparte

Qual afago, festa ou cafuné,

De chalé em chalé

Cultura é baluarte

Que à natureza se mistura

Com engenho…

Quem chega,

Chega a um mundo à parte;

Quem parte

Não esquece o desempenho

De quem

O acolheu naquele hotel,

De quem

Lhe deu guarida,

Deu quartel,

Deu nova vida…

 

Portaló não é porta,

É como um véu,

Passar por ele só importa

Para quem quer ficar perto do céu…

Quem parte

Leva natura e arte

Quem chega

Tem saudades quando parte…

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)