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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

02
Ago11

Poemas de um Haragano: Nos Caminhos da Flor – Onde Estás?

Gil Saraiva

 

         XIII

 

"ONDE ESTÁS?"

 

Onde estás?...

Tu iluminas meus sonhos

Noite após noite

Como se eterna fosse

A tua luz...

 

Onde estás?...

Tu que me fazes sentir gente

Por entre gente

Que jamais o foi...

 

Onde estás?

Tu que saíste

Do cotidiano das imagens

Pra te instalares

Pra sempre

Em minha mente...

 

Onde estás?

Tu que és a seiva

Que me corre nas veias,

O gosto que me vem à boca,

O odor que me invade

O cérebro escravizado...

A flor oculta

Que floresce em meus sentidos...

 

Onde estás?

Diz-me pra que eu possa

De novo ser alguém!!!

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

(Gil Saraiva)

26
Jul11

Poemas de um Haragano: Nos Caminhos da Flor – Eu Espero…

Gil Saraiva

 

          VI

 

"EU ESPERO"

 

Penso sozinho, eu sei,

Na solidão...

E o silêncio, nas sombras,

Não me ajuda...

Apenas faz crescer

Minha paixão...

Apenas me corrói

E me tortura

Em processos de mágoas

E loucura!...

 

E como se agrava a minha dor...

Em mil momentos de pavor...

Pois quanto mais eu penso,

Mais eu sei,

O quanto me dói

E me magoa,

Ter na solidão a voz amiga

Ou um riso cínico de intriga!...

 

Onde estará o meu amor?

Será que me deseja

Ou que me insulta?

E pensará em mim

A flor oculta?

Porque será que amar

Também é dor...?

 

Talvez se sinta só,

Para além das estrelas,

Através de imaginária ponte...

Através da linha do horizonte

Vem com as ondas do mar,

Vem para amar...

 

Espuma de raiva incontida

De querer e me não ter,

Mas de ser vida...

Mas de ser Ser...

 

Ela sabe, ao certo,

Que a desejo...

Me conhece bem

Em cada beijo...

Ai! Como posso eu

Viver sem ela...?

 

Eu quero o meu amor aqui,

Comigo...

Brilhando com o brilho

De uma estrela!...

 

Sinto algures alguém...

Sinto um respirar na escuridão...

E sinto mesmo

Sem sentir ninguém

Porque oiço bater um coração,

No silêncio dos limbos

Que não vejo,

No escuro vagabundo

Onde desejo,

Qual Haragano,

Um Etéreo ser,

Sem forma definida...

 

Eu a verei até,

Talvez, quem sabe,

Um outro Inverno...

 

E esperarei de pé,

Mesmo que a força acabe,

Na calote cristalina, glaciar,

No frio gelado de tão externo...

 

Se tiver de aguardar...

Aguardarei...

Aguardarei por meu amor eterno!...

 

Como um raio de Sol ela será...

Tão radiante

O gelo fundirá...

Nada esconderá o seu semblante!...

 

Viajar pela noite viajarei...

Guiando-me pela luz sem ter sinais...

A luz do seu amor, do meu amor,

A luz dos nossos ideais!...

 

E agora, por fim, nada mais digo...

Sei... sou... desejo... quero...

Eu sei meu amor o que consigo:

"-Amor acredita... Amor... eu espero!..."

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

(Gil Saraiva)

19
Jul11

Poemas de um Haragano: Achas de um Vagabundo – Um Copo

Gil Saraiva

 

 

        XV

 

"UM COPO"

 

Um copo de cerveja e um cigarro...

E a música apalpando toda a gente...

Um copo de cerveja e um cigarro...

E gente sentindo o corpo quente...

 

Um corpo que deseja e mais um charro...

E o álcool subindo calmamente...

Um corpo que deseja e mais um charro...

E outro corpo aquecendo lentamente...

 

Um litro se despeja zarpa o carro...

E o leito se aproxima ardentemente...

Um litro se despeja, zarpa o carro...

E zarpa o sangue no corpo da gente...

 

Um fogo que se inveja, coze o barro

E unindo dois corpos fortemente:

É movimento, ritmo, ternura,

É febre, suspiros e loucura;

É infinito num tempo finito,

No segundo louco da expansão...

 

Um grito se solta e é bizarro...

É suor, saliva e sucos de emoção...

Um grito se solta, coze o barro

No exato momento da fusão!...

 

É já... ainda não... e mais... agora!...

É vem... amor... é dia dos sentidos,

É noite, ardor, é dentro e fora,

É grito que se quebra em mil gemidos!...

 

Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

(Gil Saraiva)

14
Jul11

Poemas de um Haragano: Achas de um Vagabundo – Nasce

Gil Saraiva

 

      X

 

"NASCE"

 

Temos esta noite...

Pensa bem...

Que importa o amanhã

Se hoje existimos...?

 

Se podes escrever

As palavras

Que me invadem o ser

E me viciam...

Que importa o amanhã...?

 

Vício de ti...

É virtual?

Interneticamente inatingível?

Que importa o amanhã

Se a noite é nossa...?

 

Se é o futuro

Que te dá alento,

Porque não pode o presente

Ser esperança?

 

Ahhhhh!!!

Nasce comigo em cada tecla!...

Nos diálogos frenéticos

Das janelas privadas,

Fechadas a todos

Que não a nós...

 

Nasce comigo em cada letra

Teclada com a força

Do bater arrítmico

De nossos corações perdidos,

Para a eternidade,

De tanta paixão...

 

Ahhhhh!!!

Nasce comigo antes de amanhã,

Porque o agora existe!...

E é nosso amor,

É todo nosso!!!

Que importa o amanhã...?

Diz-me!

Que importa...?

 

Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

(Gil Saraiva)

11
Jul11

Poemas de um Haragano: Achas de um Vagabundo – Já Se Vai…

Gil Saraiva

 

        VII

 

"JÁ SE VAI..."

 

Vem

Voar comigo entre palavras...

A volta ao mundo daremos

Em segundos pela net...

 

Vem!

Temos a riqueza suprema

Dos chats que trocamos,

Em letras que tudo dizem

Nas frases que em conjunto

Constituem...

 

Vamos

Sentir o vento

Nos acentos das palavras...

O mar em cada til

Salgado de emoção...

 

Vem!!!

Vamos provar

As nossas bocas

Nos símbolos simples

Das chavetas...

Ah!

 

Vem!...

Que net é lenta ainda

Mas a noite é curta

E já se vai...

 

Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

(Gil Saraiva)

15
Jun11

Poemas de um Haragano: Terra de Vénus – Lilás

Gil Saraiva

 

     XI

 

"LILÁS"

 

Cor mais linda, pintura de açucenas,

Ali, na noite escura, és recordar

Na boca sensual que quer amar...

Uma voz rouca... só... sorrindo apenas...

 

Imagens simples, férteis e pequenas,

Mas tudo traduzido em um olhar...

Frenética loucura de um gostar

Jamais um mar será de águas amenas...

 

Um rio de cor, reflexos de sentir,

Um só lençol de seiva, uma choupana,

Que pode um coração fazer explodir

 

Ao som de um samba sob a luz cigana...

Cor mais linda, que uns lábios faz mordaz,

És por amor, ternura, a cor lilás...

 

Haragano, O Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)

02
Jun11

Poemas de um Haragano: Livro XXI – Portaló – Luar de Sonhos

Gil Saraiva

 

              XIII

 

"LUAR DE SONHOS"

 

Chegou hoje branca a noite de luar

Com farrapos de sonhos no horizonte

Envolvendo a serra, monte a monte,

Humedecendo as almas de invulgar

 

Ambiente de oculto secular...

Chegou hoje branca a noite em alva fonte,

Entre luz e mistério sendo a ponte,

Que a Lua não nos diz como alcançar...

 

Chegou hoje branca a noite... quase trágica,

Translúcida de seres e sentimentos...

Chegou hoje branca a noite e por momentos

 

Raiou, em sensual passo de mágica,

Poisando branca em teus olhos tristonhos

E os transformando num luar de sonhos...

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)

01
Jun11

Poemas de um Haragano: Livro XXI – Portaló – Rosa do Rio

Gil Saraiva

 

 

 

            XII

 

“ROSA DO RIO”

 

Um dia, numa noite, sem esperar,

Ai, a mais bela flor, eu encontrei...

Como uma rosa, digna só de um rei,

Era como veludo ao desfolhar

 

Sem, no entanto, preciso ser tocar...

Gotas de orvalho nela vislumbrei,

Com um brilho que descrever não sei

E que então me fizeram deslumbrar...

 

Mas rosa a flor não era propriamente,

Descia à beira rio sem ter raiz,

Doava a tudo luz de tão feliz

 

Procurando aventura na corrente...

Era uma flor livre, era um sentimento,

Flor radical, pintura de um momento...

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)

23
Mai11

Poemas de um Haragano: Livro XXI – Portaló – Apogeu

Gil Saraiva

 

        III

 

 

“APOGEU” 

 

 

Sua teu corpo amor e sua o meu

Até a vista nos ficar nublada,

Da fusão do contacto à pele suada

Sexo de fogo a noite desprendeu…

 

Seguindo unidos… Já amanheceu…

No Portaló um céu de trovoada

Parecia cantar, em alvorada,

A noite que entre nós aconteceu…

 

Veio a luz da manhã, se fez esplendor,

Brilhou como cristal a água azul,

Atracou um barco mais pra Sul

 

E buzinou pra nós o nosso amor…

Suou teu corpo amor, suou o meu,

De gota em gota… até ao apogeu!...

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)