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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Beijo Morno

253 - morno.jpg253. Beijo Morno, quase sempre ligado à amizade ou às relações familiares. É calmo na conceção, simples na transmissão e no acolhimento, consentido pelas partes como se de um cumprimento se tratasse, sereno e despretensioso, por não exigir mais de si do que aquilo que realmente representa, e unicamente usado por casais na rotina diária. É um ato usado em despedidas, na hora do casal se separar para ir trabalhar, nas chegadas e regressos a casa ao fim do dia ou de qualquer outro ponto envolto na comezinha passividade do quotidiano. Beijo morno, um ato que existe sempre que mais não é preciso. Diz-se que ama, mas, na realidade, apenas sobrevive.

 

 

 

Beijo Molhado

252 - molhado.jpg

252. Beijo Molhado, de chuva, húmido ou transpirado que, embora tratando-se de um beijo dividido em quatro categorias diferentes é, em todos os casos, originário do elemento água. Se o primeiro pode significar adur a troca de línguas ou até simplesmente uma cena doce de jacúzi, também engloba pela abrangência os outros três. Seja um beijo de paixão entregue enquanto chove, à luz de um lampião numa rua da cidade. Seja um daqueles que, na intimidade da alcova conduz os intervenientes a um grau de excitação gerador de humidades internas de ante prazer. Seja ainda um outro que se partilha já no decorrer do sexo obrigando à transpiração dos corpos, que antecede os momentos “orgásmicos” de plena satisfação. Beijo molhado um dos poucos que acompanha, com diferentes cambiantes, o evoluir de uma relação, cúmplice, envolvente e atestadamente comprometido.

 

 

 

Beijo Mitológico

Beijo Mitológico.jpg

251. Beijo Mitológico, encomendado aos deuses para, em nome de um alguém,  ser entregue àquela dama. Transportado por Mercúrio, que era uma espécie de Correios, com tendência para "Express mail", daquele tempo. Envolto pelos aromas inebriantes dos vinhos de Baco. Decorado à imagem de Narciso. Enfeitiçado por Vénus com fragrâncias de um erotismo fino e requintado. Blindado por Marte, por forma a ser duradouro, inquebrável e invencível enquanto beijo. Acompanhado por Cupido que lhe incutiu alma e paixão e temperado por Minerva que lhe deu o paladar justo, civilizado, educado e louco que por fim a pode fazer sorrir de amor.

Beijo Misterioso

250 - misterioso.jpg250. Beijo Misterioso, dado quase timidamente, no meio de um baile de máscaras, exatamente no momento em que a luz falha por segundos. Imagine que é consigo, de repente, sente uns lábios na sua face, tenta olhar em redor para ver quem lho deu, ainda sentindo o calor dos mesmos na bochecha direita, mas a luz demora mais uns micros de segundo a aparecer e nessa altura já todos à sua volta têm de novo a máscara colocada. Ficou intrigada e a rever cada um dos convidados na esperança de encontrar num rosto a semelhança térmica e suave do beijo vindo praticamente do nada. De repente uma ideia: apanhar a mesma faísca fascinante num rasgo de um olhar. Beijo misterioso até a faísca se encontrar.

 

 

Beijo de Mim

249 - mim.jpg

249. Beijo de Mim, o mais adaptável de todos os atos de beijar. Beijo capaz de representar um qualquer beijo ou não fosse nosso, aquele que vem de nós. Não é difícil de nos imaginarmos a dar um beijo de amor, de carinho ou de paixão, bastando que exista a quem o dedicar, como se dá sem dificuldade um beijo fraternal ou de ósculo de amizade àqueles que imprimiram a sua existência no nosso quotidiano. Contudo, transferir um beijo jamais já exige grandes condições, todos se tornam viáveis se deixarmos a nossa essência liderar o processo, colocando ao volante, nessa viagem feita vida, uma boca pronta a obedecer às ordens tiranas, mas sábias, do coração e outra preparada para as receber com avidez.

 

 

Beijo Milagroso

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248. Beijo Milagroso, aquele que aparece sem se esperar. Não se sabe de onde, até se materializar algures num rosto escolhido e ganhar compreensão e significado. Uma forma diferente de se criar um beijo. Porém, possível, porque ele gera o milagre a cada sorrir, a cada saudade, a cada memória, a cada contacto, melhor que um qualquer placebo cura depressões, trata psicoses, alivia dores, resolve úlceras e ajuda à produção de dopamina. Contudo, qual chocolate, é preciso gostar-se mesmo para se conseguir sentir o efeito e tem de ser desejado para que o milagre aconteça. Beijo milagroso, feito a dois, por um amor indivisível.

 

 

Beijo Metapsicológico

 

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247. Beijo Metapsicológico, perfeito para ser entregue pela internet, uma vez que implica alguns fenómenos psíquicos aparentemente sobrenaturais, obrigando à intervenção do intelecto dos intervenientes onde atuam fatores desconhecidos do conhecimento atual, estudados apenas pela criptestesia, pela telecinesia e pela ectoplasmia. Freud apresentou vários estudos sobre os temas, mas o que importa aqui é que este beijo metapsicológico é aquele que, por força da intimidade e harmonia entre os intervenientes, se consegue gerar aqui e desaguar levemente na destinatária longínqua com uma intensidade que só o sentimento consegue explicar. Já lá diz o provérbio, o coração tem razões que a razão desconhece...

 

 

Beijo Mestre

246 - mestre.jpg246. Beijo Mestre, possuidor da mais desenvolvida inteligência emocional de que há lembrança. Um ato que faz escola, que gera discípulos e seguidores no universo dos seres humanos que deixam de si um pouco mais, na construção evolutiva e sensitiva da própria humanidade, na busca permanente de algo maior, mais digno, mais além. Beijo mestre, porque se transmite com saber na entrega, sapiência na conceção, erudição nos requintes da partilha e sensibilidade na emoção do momento feito eternidade.

 

 

Beijo em Menina Feita Mulher

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245. Beijo em Menina feita Mulher. Qual Maria da Fonte, de arma em punho, exigindo dos homens a devida indemnização pelos longos milénios de subserviência forçada. Qual Cleópatra, despertando para a existência, fazendo de imperadores romanos servos do seu erotismo divino. Beijo em menina, que num beijo se desperta para o resto da vida com a agilidade da gazela. Beijo que gera a entrega nada molificada, mas sim ávida de quem, ao sair do ninho, se lança aos perigos do futuro num primeiro voo feito de risco e assombro. Beijo em menina que nasceu para ser mulher.

 

 

Beijo Memorável

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244. Beijo Memorável, ilustre porque para sempre emoldurado e em exposição na galeria dos momentos de excelência de uma vida. Distinto, com o porte devido dos grandes feitos. Insigne, entre tantos, pela força e beleza da obra gerada de um momento desigual na luz intensa com que iluminou todos os chacras de uma só vez em dois seres em simultâneo. Eminente e tornado célebre, porque não apenas nos tocou na alma como nos elevou os corações. Beijo que nos tornou unos, indivisíveis e perfeitos para habitarmos, por direito próprio, o condomínio privado do amor.

 

 

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