Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

04
Jun 11

 

        XV

 

“PORTALÓ”

 

Erguido na floresta tropical,

Em plena mata atlântica nascido,

De chalé em chalé, foi construído

Charmoso hotel, bem perto do portal

 

Feito de história em arco magistral…

No Morro de S. Paulo ao Sol batido,

Encosta acima, p’lo verde escondido,

Parece poesia ao natural…

 

Tem nome de escritor cada chalé,

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”,

No nosso é já Pessoa que renasce

 

Em mensagem de amor, de paz, de fé…

O Atlântico enlaça a alma em nó,

Floresce nosso amor no Portaló!

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)


03
Jun 11

 

         XIV

 

“NA SOMBRA”

 

Aqui o verde é terra e é um espanto,

Do rio do Inferno à fortaleza,

Da ilha da saudade, em natureza,

Até ao galeão, p’lo verde manto…

 

Aqui o azul é mar, lágrima e canto,

É porto, é farol, sempre em beleza,

Oceano cristal, vida, pureza,

É navegar na praia do encanto…

 

Aqui respiro magia e sortilégio,

No Morro de S. Paulo, em Tinharé,

Séculos de histórias, máculas e fé

 

Chegadas de um passado em tempo régio…

Na sombra de um chalé, em Portaló,

Aqui, eu escrevo… aqui jamais ‘stou só!...

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)


01
Jun 11

 

 

 

            XII

 

“ROSA DO RIO”

 

Um dia, numa noite, sem esperar,

Ai, a mais bela flor, eu encontrei...

Como uma rosa, digna só de um rei,

Era como veludo ao desfolhar

 

Sem, no entanto, preciso ser tocar...

Gotas de orvalho nela vislumbrei,

Com um brilho que descrever não sei

E que então me fizeram deslumbrar...

 

Mas rosa a flor não era propriamente,

Descia à beira rio sem ter raiz,

Doava a tudo luz de tão feliz

 

Procurando aventura na corrente...

Era uma flor livre, era um sentimento,

Flor radical, pintura de um momento...

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)


30
Mai 11

 

         X

 

"SELVAGEM"

 

Passas rebelde, sem olhar ninguém,

Sorris de vida, procuras amor,

Tens a garra e a força do Condor

E duras as palavras para quem

 

Tenta deter-te a ti, sem vir por bem...

Tens no brilho do olhar um fogo, ardor,

Felino de vontades e fulgor,

Ansioso de ser feliz também...

 

Amas de coração, sem ser problema,

E não pareces ser essa ternura,

Que ocultas lá no fundo, em forma pura,

 

Soberana de vida, um diadema!...

Rainha és, num trono de coragem,

Mulher entre as mulheres... mais:... Selvagem!

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)


29
Mai 11

 

           X

 

"D. QUIXOTE"

 

Um sorriso do olhar... simples, mais nada...

Fazer parar o tempo nessa hora,

Saber morrer de amores, p’la vida fora,

Apenas p’lo teu ar de apaixonada...

 

E, então, te ver brilhar, de alma encantada,

Nesse crepuscular que a serra adora...

Sentir-te, à luz da vela acesa, agora,

A cintilar de vida, porque amada

 

Te sentes hoje, pra sempre, meu amor,

Vida, que me cativa e prende enfim...

Ah! Como é bom ser teu e ter em mim

 

Tudo o que sou, pra dar-me em mais furor...

E se me és Dulcineia, verso, mote:

Faz, por amor, de mim teu D. Quixote!...

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)


28
Mai 11

 

 

 

         VIII

 

"PERDIDO..."

 

Contigo quero ter o sexo porno,

Lascivo, sado, louco, inconcebível...

Contigo quero ter indescritível

Noite de amor, ao rubro, como um forno...

 

Contigo quero ser metal no torno,

Pronto pra ver moldado de impossível

Meu aço, às tuas mãos, inconcebível...

Contigo quero ter o beijo morno,

 

Dado pelos amantes imortais,

Em noites, p’los poetas, não sonhadas...

Contigo quero ver as madrugadas

 

Plenas de nós e amor, entre teus ais...

Contigo quero amar... louco, varrido...

E dentro do teu ser dar-me perdido!...

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)


27
Mai 11

 

 

              VII

 

"ALÉM DA MORTE..."

 

Eu amo-te, Ah!... Como eu te amo vida,

Luz, alma gémea, em mim redescoberta,

Tu és o rosto azul, na sala aberta,

Ao Sol que da janela, de fugida,

 

Te torna mundo, terra agradecida,

Por seres nascente, fonte, na deserta

Planície de mim, por ti desperta,

Qual Primavera solta, ao ar florida!...

 

Eu te amo, meu amor, flor encantada,

Perfume que o meu ser à força quer,

Deusa que Deus, um dia, fez mulher,

 

Para tornar minha alma apaixonada!

Tu és a minha estrela, a minha sorte,

E neste verso, minha... além da Morte!

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)


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