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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

02
Abr20

Beijo Furtado

Gil Saraiva

155 furtado.jpg

155. Beijo Furtado, podendo ser equiparado a um beijo roubado vai mais longe ao ser revestido pela dose certa de malandrice e atrevimento. Exige boa disposição entre os intervenientes, uma pitada de irreverência e alguma coragem aliada à perspicácia exigida na seleção do momento certo para se promover o furto. Necessita de iniciativa, inteligência na leitura dos sinais transmitidos pelo outro elemento do par. Dá-se entre sorrisos e é normalmente bem-sucedido uma vez que é praticado por especialistas habituados a encher uma sala de boa disposição e possuidores de um tremendo magnetismo.

01
Abr20

Beijo Fundamental

Gil Saraiva

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154. Beijo Fundamental, aquele que faz diferença se não for dado. É, não apenas um beijo que se quer dar, que se deve dar, mas também que se tem mesmo de entregar. Um daqueles que alguém precisa de receber para que se sinta bem e que ocorre quando se encontra quem estava ausente e regressa ao lar, à cidade ou à terra, enfim, ao aconchego dos seus. É um beijo gerado também entre correspondentes que finalmente se conhecem, ou seja, este é um beijo de intenção, com significado, com sentimento e com a finalidade de se transmitir calor humano e demonstrar que nos importamos, que essa outra alma nos diz algo, que ou tínhamos saudades ou uma vontade imensa de a encontrarmos. Beijo fundamental, forte no querer, oferecendo o nosso conforto, carinho ou até mais, se a imaginação e as vontades o quiserem, mas sempre um beijo de boas vindas a quem entra, por mérito, no seio das nossas vidas.

31
Mar20

Beijo Frutuoso

Gil Saraiva

153 -Frutuoso.jpg153. Beijo Frutuoso, daqueles que não admitem dúvidas, que não são feitos de sacrifício, que não se destinam a inimigos, que não se interrompem se chove ou se há calor a mais, que não exigem esforço algum dos que o praticam. Daqueles que são naturais, que geram frutos, que constroem futuros apenas preocupados com o presente e sem nunca pensarem no passado, que fazem girar o mundo mais do que aquilo que a verdade nos revela e que são, pelo menos, semente de amizade, raiz do amor, origem da paixão, génese da vida humana, do ser, do sentir, do querer, da saudade e da união desta espécie emocional de que somos o exemplo singular.

30
Mar20

Beijo Frínico

Gil Saraiva

152 Frínico.jpg152. Beijo Frínico, na senda do homónimo poeta ateniense, não pela tragédia em que era exímio especialista, não por se lhe dever a invenção da primeira máscara alguma vez usada por um ser humano, mas porque a ele é atribuída a introdução e presença das mulheres em palco no remoto século sexto antes de Cristo. Um beijo que, quando se entrega, precisa da mulher em cena, sob pena de ser dado em vão, no vazio, em vez de ser calidamente depositado na derme de um rosto com a pompa e circunstância que a entrega tem feita ao vivo e a cores, olhos nos olhos, pele na pele. Beijo frínico porque de espectadora a mulher passou à ação.

29
Mar20

Beijo de Frescura

Gil Saraiva

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151. Beijo de Frescura, criado na brisa marinha que nos acaricia num passeio à beira mar junto aos salpicos salgados das ondas que se quebram na areia numa homenagem consciente da nossa passagem. Suave como a mão de um bebé, que mal nos toca na sua busca por carinho, mas que nos faz sorrir de ternura. Leve como a nascente de onde brota o alimento da vida que desliza serra abaixo avivando campos, tirando a sede a quem a tem e anunciando primavera. Cristalino como o brilho do nosso olhar no cruzar das faces, transparente de intenções, pleno de significados. Beijo de frescura porque a alma e o coração são os olhos de água da vida e da felicidade, capazes de gerar primavera em pleno inverno.

28
Mar20

Beijo Fresco

Gil Saraiva

150 Fresco.jpg

150. Beijo Fresco como a cacimba da manhã amainada pelo brasido cálido da lareira em fim de noite, sentido nos lábios de ambos como nascentes primaveris de águas profundas que nos assassinam a secura das almas para, em seguida, nos aplacar a impaciência de ser e de oxalá, por entre os efeitos húmidos da reunião das bocas numa assembleia biunívoca de vontades e quereres que nos desperta os sentidos, nos alvoroça os sentimentos e que se precipita no abismo catarático que conhecemos pelo nome de amor.

27
Mar20

Livro Ensaio: O Colecionador de Beijos II: Último Beijo

Gil Saraiva

Gil 02 março 2020.JPG

O Último Beijo 2.jpg

 

“ÚLTIMO BEIJO”

                                  

Semanas há que guardo afoito o leito

Onde caíste assustadoramente

Enfraquecida, pálida, doente,

Quase uma réstia, assim, de um ser perfeito,

 

Com quem, há muitos anos eu me deito

Numa fusão de corpos tão ardente,

Que, meu amor, não tem equivalente…

Teu coração, p’ra lá do doce peito,

 

Envia-me sorrisos abafados…

Por entre a tosse, a febre e muita dor,

Nesses teus olhos, eu só vejo amor…

 

Quero poisar nos lábios teus, cansados,

Esses anos de amor e de desejo,

Morrer contigo, nesse último beijo!

 

Gil Saraiva

03/2020

 

Nota: Para entender o contexto da criação deste beijo convém consultar a Carta à Berta de 27/03/2020.

26
Mar20

Beijo Fraternal

Gil Saraiva

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149.Beijo Fraternal, livre e igual, um beijo de Revolução Francesa ou, pelo menos, Iluminista, se adaptássemos o primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos do Homem aqui teríamos algo assim "Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade, direitos e beijos. São dotados de razão e de consciência e devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade no ato de beijar." Um beijo fraternal que não é, contudo, revolucionário, mas sim de paz, de estabilidade, dado entre quem se quer bem. É o beijo transmitido entre irmãos ou amigos, sem problemas de raça, credo, idade ou sexo. Nunca será um beijo interesseiro, mas sim um beijo de justiça, solidário e verdadeiro na camaradagem e na vida.

25
Mar20

Beijo à Francesa

Gil Saraiva

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148. Beijo à Francesa, de língua na língua, de lábios fundidos no fogo ardente das emoções vibrantes e ansiosas na procura febril do prazer dos corpos enquanto alimento último dos seres que a ele se entregam devotos e crentes. Também apelidado de beijo frenético. pela forma como altera até os comportamentos mais calmos, ou de linguado por terras lusas. Incrivelmente não fala francês, apenas talvez porque não fala, mas murmura, emite gemidos húmidos vindos de lugares que não se encontram na geografia do mundo, mas apenas na anatomia dos corpos. Beijo à francesa, diferindo apenas do beijo de língua no que à demora e intensidade diz respeito, completo de sabores e odores, apelidado pelas paisagens brasileiras de beijo de vai e vem, pelo continuo movimento das línguas presas à vez, requintado na degustação mutua dos seres, perdido nas alcovas, nas sombras, nos recantos onde se abrigam atentos os ecos da paixão.

24
Mar20

Beijo Forte

Gil Saraiva

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147. Beijo Forte, possante, másculo e viril, bastião e fortaleza inabalável do orgulho masculino. Tão hormonal que em seu redor parece sempre sentir-se o odor a sexo transpirando na própria atmosfera. Este é um beijo de homem com agá grande, mas sem violência, brutalidade ou abuso, não se trata de um beijo repressivo ou imposto. Contudo, embora sendo um beijo controlador, ou quase, é igualmente um beijo participativo, repartido e dado entre um casal com total consentimento e entrega da mulher envolvida. Beijo forte, heterossexual, pojante, decidido, regado de dopamina numa infusão frenética de estrogénio e testosterona.