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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Desabafos de um Vagabundo

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10
Dez19

Beijo Azul

Gil Saraiva

041 - azul.jpg

42. Beijo Azul do céu e do mar, sob o Sol radioso de um dia de primavera, inventado no final de um outono fustigado por frentes polares e muita chuva, mas primaveril só porque o beijo existe. Sim, primaveril e penteado por uma brisa suave por entre os seus cabelos, qual festa que um progenitor dedica à filha, qual caricia feita por apaixonado à dama amada, com detalhes enriquecidos de requintes odoríferos de margaridas, tulipas e papoilas, sorrindo ao vento e à menina, num beijo feito planeta, pleno de natureza, graça e vivacidade. Beijo azul em Terra azul onde os brancos das nuvens, lá no alto, parecem imitar risos de crianças gritando felicidade, inocência e despreocupação, abraçando quimeras, vivendo fábulas, conquistando universos com um simples abrir de braços, porque um beijo feito azul é muito mais do que primavera até no centro da maior das tempestades.

04
Ago11

Poemas de um Haragano: Nos Caminhos da Flor – Rasto

Gil Saraiva

 

     XV

 

"RASTO"

 

Olhar o céu

E ver nas estrelas

O florir da Primavera...

 

Sentir em cada uma

O perfume de uma flor!...

 

Tocar o infinito

Como quem toca uma quimera

Na essência vaporina

De um odor!...

 

Colher a mais perfeita,

Porém...

Da vista oculta,

Que não do meu sentir...

Que não do coração...

 

Sorrir só por sorrir!...

 

Em pétalas de amor

A desfolhar...

Entre meus dedos

Dar-lhe a forma

E um olhar...

 

Sentir a agitação do pólen

Me viciar o corpo,

Ir mais além...

Que ao infinito

Nunca foi ninguém!...

 

Regar,

Essa mais linda flor,

De vida,

De lágrimas de sémen

E saudade...

E ver nascer

Em folhas de prazer

Um novo amor,

Roubando assim à estrela

A liberdade!...

 

Ébrio de sonhos

Busco a flor oculta

Olhando o céu estrelado

E vasto...

 

Perdido de ilusão

Busco de novo...

Para encontrar apenas

O seu rasto...

 

Quem quiser ver

Florir a Primavera,

Nas estrelas

Do Universo imenso,

Tem que uma oculta flor

Ver brilhar

Sem que um qualquer outro

Possa vê-la!...

 

Pra poder ser minha

A oculta estrela

Tem de pensar o mesmo

Do que eu penso,

Tem de por mim sentir

Um amor tão vasto...

Que eu possa,

Por amor,

Seguir-lhe o rasto!...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

(Gil Saraiva)

28
Jul11

Poemas de um Haragano: Nos Caminhos da Flor – Imagine-se

Gil Saraiva

 

          VIII

 

"IMAGINE-SE..."

 

Imagine-se um mar de prata

Bordado ao ouro macio de um pôr-do-sol,

Deixemos agora

A nossa mente

Colocar algumas aves nidificando

Na costa fina de arbustos salgados,

Reserva natural

De um qualquer sonhado paraíso...

 

Em silêncio,

Os bateres de asas,

Se confundem com o restolhar do vento

Que sorri prá Primavera

Agora tão tangível...

 

O sentimento é por certo de harmonia!...

 

Pra quem não sente em verso

O deleite que os sentidos propiciam,

Recomendo que respirem fundo,

Deixem entrar languidamente

O cheiro a maresia...

 

Issooo...

Procurem agora sentir

A aragem vos acariciar,

De leve,

Passando-se suave

Pelo brilho dos olhos

E obrigando ao esvoaçar de alguns cabelos...

 

Com o olhar

Sigam as aves

Que gritam cânticos de amor

E de acasalamento...

 

Se entreabrirem os lábios

As papilas vão, por certo,

Detetar o gosto a mar,

O gozo das sensações plenas

E do encontro puro e idílico com Gaia,

A deusa que voluptuosa

Representa a Terra original...

 

Sentem?

Agora pensem,

Com um sorriso,

Num amor ausente...

 

Procurem influenciar a mente,

Mas sem esforço...

 

Issoooooo...

Estão vendo a sereia?...

 

É no exato instante,

De sensual e romântica lasciva,

Em que de joelhos nos dobramos

Para colher uma flor

De beira de caminho,

Que estamos integrados!

Cheios de amor,

De vida e de natura,

Enfim... de plenitude!!!

 

Imagine-se

Um mar de prata

Bordado ao ouro macio

De um pôr-do-sol

E conclua-se

Que afinal amar é simples...

 

Senão o mar seria água

E nada mais,

As aves: pássaros

E a reserva: pântano...

 

Imagine-se...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos Da Flor

(Gil Saraiva)

04
Jul11

Poemas de um Haragano: Terra de Vénus – Raptor

Gil Saraiva

 

     XXX

 

"RAPTOR"

 

Feliz aniversário lhe roubaste:

Ai! Diz-me onde se encontra a maravilha?

Mostra-me as pistas dessa tua trilha,

Pensa na dor que deixas, no desgaste...

 

Sabes ó raptor quem lhes tiraste...?

Eles são pai e mãe mas já não brilha

Ali, bem ao seu lado, a sua filha...!

Ai, são eles os dois quem mais mutilaste!...

 

É deles, pai e mãe, o amargo gosto...

Só eles sentem mesmo a dor suprema,

De não verem agora o meigo rosto

 

Da criança brincando sem problema...

É deles o total vazio exposto...

Só mesmo eles sentem o poema!

 

Haragano, O Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)

03
Jul11

Poemas de um Haragano: Terra de Vénus – Tremor de Terra

Gil Saraiva

 

               XXIX

 

“TREMOR DE TERRA”

 

Treme a terra em Itália fortemente,

Abre-se o chão com fendas de amargura,

Desabam edifícios na loucura

Da noite de terror que cai na gente…

 

Morrem homens, mulheres e mais pungente

Morrem crianças na idade pura,

Assim roubadas à vida futura,

Sem um porquê que limpe nossa mente…

 

Caem as casas aos milhares, no chão,

Ninhos de vida agora abandonada…

Treme, por todo o mundo, a Terra amada

 

Num caos feito de entulho e emoção…

Na dor se apaga então a nossa crise,

Que esta, perante a morte, é… nem deslise!...

 

Haragano, o Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)

02
Jul11

Poemas de um Haragano: Terra de Vénus – Mar Salgado

Gil Saraiva

 

          XXVIII

 

"MAR SALGADO"

 

Olho pra mim e não me reconheço;

Perdi brilho e sorriso no olhar;

Ganhei rugas de dor em cada esgar

E sei que já não sou nem quem pareço...

 

Duvido se de facto te mereço;

E sinto o teu olhar se evaporar

Submisso ao raciocínio singular

De que não sou quem q’rias no começo...

 

Julgo que a nossa marcha terminou,

Dizes que divergimos nos caminhos,

Juras que troquei rosas por espinhos,

 

Pensas saber que nada mais sobrou...

Olho pra mim e não me sinto amado;

E parto em meu olhar... um mar salgado!...

 

Haragano, O Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)

01
Jul11

Poemas de um Haragano: Terra de Vénus – Sem Saber Como

Gil Saraiva

 

             XXVII

 

"SEM SABER COMO"

 

Que vou fazer agora meu amor?

Ai, diz-me, por favor, que faço agora?

Devo afogar na dor meu ser que chora?

Devo chorar o amor sem teu calor?

 

Devo existir sequer? Oh, por favor,

Diz-me o que hei-de eu fazer, já, nesta hora

Em que fiquei sem ti, que foste embora?

Como vou eu viver com esta dor?

 

Não tens resposta, já não dizes nada,

Deixaste que te amasse e me iludi,

Pensei que a minha vida era pra ti

 

E afinal acabei só nesta estrada!

É tão triste, mas tão triste sonhar

Para, sem saber como, eu acordar!

 

Haragano, O Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)

30
Jun11

Poemas de um Haragano: Terra de Vénus – Ardo

Gil Saraiva

 

   XXVI

 

"ARDO"

 

A dor que dói assim qual fogo ardente,

Que nos consome em chamas mil, devora

A pouco e pouco a alma, e se demora

Nos consumindo o ser, o sermos gente...

 

A dor que dói assim me faz demente,

Qual tocha humana que arde a toda a hora...

E em labaredas choro meu ser agora,

Lágrimas inflamadas em torrente...

 

Eu choro a dor que dói, a dor profunda,

De te perder de mim, de ficar só,

Mas estas chamas fazem mais que dó,

 

Me tornam a existência vagabunda!

Qual tocha humana eu ardo sem momento,

Que a dor que dói assim não leva o vento...

 

Haragano, O Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)

29
Jun11

Poemas de um Haragano: Terra de Vénus – A Vida

Gil Saraiva

 

     XXV

 

“A VIDA…”

 

Por entre o vento e frio da terra agreste,

Por entre a chuva agora copiosa,

Vendo nuvens de forma volumosa

Vindas do cardinal de noroeste,

 

Vejo surgir o Sol no brilho infindo

Da figura que chega, mais formosa

Do que uma Primavera gloriosa,

Que pelo mês devia já ter vindo…

 

És tu que chegas perto, meu amor,

Com o Sol nos cabelos trazes luz,

Com um brilho dos olhos que seduz

 

Até a terra fria e sem calor…

Obrigando o Inverno à despedida,

Vem! Qual Verão tropical tu és a vida…

 

Haragano, o Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)

28
Jun11

Poemas de um Haragano: Terra de Vénus – Adeus Mãe

Gil Saraiva

 

        XXIV

 

"ADEUS MÃE"

 

São as chagas de Cristo em cada palma,

Flagelos mais de mil, aqui... além...

São lágrimas de fogo em noite calma,

Soluços que o meu peito não contém...

 

São farrapos dispersos da minha alma,

Recordações, saudades, sei lá bem!...

São como as roxas malhas de uma talma

Que parece sofrer por minha mãe...

 

São sombras de mistério... vago fumo...

Folhas seguindo o vento neste Outono!...

Folhas de quem vou eu seguir o rumo

 

Rolando pelo chão... Terminal sono!...

Mãe choro o teu sorriso, coisa pouca,

A falta dos teus braços, dessa boca...

 

Haragano, o Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)