Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

04
Ago 11

 

     XV

 

"RASTO"

 

Olhar o céu

E ver nas estrelas

O florir da Primavera...

 

Sentir em cada uma

O perfume de uma flor!...

 

Tocar o infinito

Como quem toca uma quimera

Na essência vaporina

De um odor!...

 

Colher a mais perfeita,

Porém...

Da vista oculta,

Que não do meu sentir...

Que não do coração...

 

Sorrir só por sorrir!...

 

Em pétalas de amor

A desfolhar...

Entre meus dedos

Dar-lhe a forma

E um olhar...

 

Sentir a agitação do pólen

Me viciar o corpo,

Ir mais além...

Que ao infinito

Nunca foi ninguém!...

 

Regar,

Essa mais linda flor,

De vida,

De lágrimas de sémen

E saudade...

E ver nascer

Em folhas de prazer

Um novo amor,

Roubando assim à estrela

A liberdade!...

 

Ébrio de sonhos

Busco a flor oculta

Olhando o céu estrelado

E vasto...

 

Perdido de ilusão

Busco de novo...

Para encontrar apenas

O seu rasto...

 

Quem quiser ver

Florir a Primavera,

Nas estrelas

Do Universo imenso,

Tem que uma oculta flor

Ver brilhar

Sem que um qualquer outro

Possa vê-la!...

 

Pra poder ser minha

A oculta estrela

Tem de pensar o mesmo

Do que eu penso,

Tem de por mim sentir

Um amor tão vasto...

Que eu possa,

Por amor,

Seguir-lhe o rasto!...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

(Gil Saraiva)


28
Jul 11

 

          VIII

 

"IMAGINE-SE..."

 

Imagine-se um mar de prata

Bordado ao ouro macio de um pôr-do-sol,

Deixemos agora

A nossa mente

Colocar algumas aves nidificando

Na costa fina de arbustos salgados,

Reserva natural

De um qualquer sonhado paraíso...

 

Em silêncio,

Os bateres de asas,

Se confundem com o restolhar do vento

Que sorri prá Primavera

Agora tão tangível...

 

O sentimento é por certo de harmonia!...

 

Pra quem não sente em verso

O deleite que os sentidos propiciam,

Recomendo que respirem fundo,

Deixem entrar languidamente

O cheiro a maresia...

 

Issooo...

Procurem agora sentir

A aragem vos acariciar,

De leve,

Passando-se suave

Pelo brilho dos olhos

E obrigando ao esvoaçar de alguns cabelos...

 

Com o olhar

Sigam as aves

Que gritam cânticos de amor

E de acasalamento...

 

Se entreabrirem os lábios

As papilas vão, por certo,

Detetar o gosto a mar,

O gozo das sensações plenas

E do encontro puro e idílico com Gaia,

A deusa que voluptuosa

Representa a Terra original...

 

Sentem?

Agora pensem,

Com um sorriso,

Num amor ausente...

 

Procurem influenciar a mente,

Mas sem esforço...

 

Issoooooo...

Estão vendo a sereia?...

 

É no exato instante,

De sensual e romântica lasciva,

Em que de joelhos nos dobramos

Para colher uma flor

De beira de caminho,

Que estamos integrados!

Cheios de amor,

De vida e de natura,

Enfim... de plenitude!!!

 

Imagine-se

Um mar de prata

Bordado ao ouro macio

De um pôr-do-sol

E conclua-se

Que afinal amar é simples...

 

Senão o mar seria água

E nada mais,

As aves: pássaros

E a reserva: pântano...

 

Imagine-se...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos Da Flor

(Gil Saraiva)


04
Jul 11

 

     XXX

 

"RAPTOR"

 

Feliz aniversário lhe roubaste:

Ai! Diz-me onde se encontra a maravilha?

Mostra-me as pistas dessa tua trilha,

Pensa na dor que deixas, no desgaste...

 

Sabes ó raptor quem lhes tiraste...?

Eles são pai e mãe mas já não brilha

Ali, bem ao seu lado, a sua filha...!

Ai, são eles os dois quem mais mutilaste!...

 

É deles, pai e mãe, o amargo gosto...

Só eles sentem mesmo a dor suprema,

De não verem agora o meigo rosto

 

Da criança brincando sem problema...

É deles o total vazio exposto...

Só mesmo eles sentem o poema!

 

Haragano, O Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)


03
Jul 11

 

               XXIX

 

“TREMOR DE TERRA”

 

Treme a terra em Itália fortemente,

Abre-se o chão com fendas de amargura,

Desabam edifícios na loucura

Da noite de terror que cai na gente…

 

Morrem homens, mulheres e mais pungente

Morrem crianças na idade pura,

Assim roubadas à vida futura,

Sem um porquê que limpe nossa mente…

 

Caem as casas aos milhares, no chão,

Ninhos de vida agora abandonada…

Treme, por todo o mundo, a Terra amada

 

Num caos feito de entulho e emoção…

Na dor se apaga então a nossa crise,

Que esta, perante a morte, é… nem deslise!...

 

Haragano, o Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)


02
Jul 11

 

          XXVIII

 

"MAR SALGADO"

 

Olho pra mim e não me reconheço;

Perdi brilho e sorriso no olhar;

Ganhei rugas de dor em cada esgar

E sei que já não sou nem quem pareço...

 

Duvido se de facto te mereço;

E sinto o teu olhar se evaporar

Submisso ao raciocínio singular

De que não sou quem q’rias no começo...

 

Julgo que a nossa marcha terminou,

Dizes que divergimos nos caminhos,

Juras que troquei rosas por espinhos,

 

Pensas saber que nada mais sobrou...

Olho pra mim e não me sinto amado;

E parto em meu olhar... um mar salgado!...

 

Haragano, O Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)


01
Jul 11

 

             XXVII

 

"SEM SABER COMO"

 

Que vou fazer agora meu amor?

Ai, diz-me, por favor, que faço agora?

Devo afogar na dor meu ser que chora?

Devo chorar o amor sem teu calor?

 

Devo existir sequer? Oh, por favor,

Diz-me o que hei-de eu fazer, já, nesta hora

Em que fiquei sem ti, que foste embora?

Como vou eu viver com esta dor?

 

Não tens resposta, já não dizes nada,

Deixaste que te amasse e me iludi,

Pensei que a minha vida era pra ti

 

E afinal acabei só nesta estrada!

É tão triste, mas tão triste sonhar

Para, sem saber como, eu acordar!

 

Haragano, O Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)


30
Jun 11

 

   XXVI

 

"ARDO"

 

A dor que dói assim qual fogo ardente,

Que nos consome em chamas mil, devora

A pouco e pouco a alma, e se demora

Nos consumindo o ser, o sermos gente...

 

A dor que dói assim me faz demente,

Qual tocha humana que arde a toda a hora...

E em labaredas choro meu ser agora,

Lágrimas inflamadas em torrente...

 

Eu choro a dor que dói, a dor profunda,

De te perder de mim, de ficar só,

Mas estas chamas fazem mais que dó,

 

Me tornam a existência vagabunda!

Qual tocha humana eu ardo sem momento,

Que a dor que dói assim não leva o vento...

 

Haragano, O Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)


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