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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Beijo de Pureza

314 - pureza.jpg

314. Beijo de Pureza, todo ele genuíno, de Portugal, de Camões e das Comunidades. Beijo de dez de junho. Beijo lusitano em todo o globo. Beijo de quem deu novos mundos ao mundo. Beijo de marialva, inocente no seu fado simples de conquistador sem manhas de Rodolfo Valentino ou Casanova. Beijo de quem beija por paixão e sentimento sem ensaios, de alma aberta e coração ao largo, poeta na esperança autêntica de ser bem acolhido, correspondido e até mesmo submetido à chama mais alta que o fez ansiar por ele, vergando à dama por quem arduamente se bateu. Beijo de pureza porque é tão português beijar assim, plenamente, em ingenuidade.

 

 

 

Beijo de Cristal

085 - cristal.jpg

85. Beijo de Cristal pela pureza, vulcânico na intensidade, profundo pelo sentimento e feliz porque se afinal para sonhar basta apenas um, já para beijar são sempre necessários dois. Um beijo é sempre um ato delicado, que requer ternura, suavidade, e, tal como o cristal que nada mais é do que um vidro sem impurezas tratado com cuidados acrescidos, este beijo, pela maneira singela e doce como deve ser dado, para ser límpido e perfeito, ganha o nome ao cristal, absorve as suas propriedades mas ultrapassa a matéria inerte em emoção, calor, sensualidade, inocência, vibração, energia, vigor e significado. Um beijo de cristal é um beijo são, sentido, vindo do âmago de um e entregue no âmago do outro. Dá-se entre seres humanos e guarda-se na cristaleira da paixão.

Beijo Amante

015 - amante.jpg

16. Beijo Amante, sentir primeiro a pele se arrepiar num frenesim lascivo, de desejo feito carne, sensual em cada toque de mãos, de pele na pele, de corpos se fundindo sem porquê apenas porque a atração é via de um mundo mais perfeito, mais bonito, mais além, com sentimentos cristalinos, justificados pela pureza explicita a que, num só olhar, traduzimos por amor ou bem maior. Depois… depois sentir pelos lábios nos lábios, pela boca na boca, na troca desgovernada de fluidos, gestos e gemidos, cada sentido despertar eletrizante para a vida numa vontade louca que nem explicar sabemos de beijar… Ah, isso é mais que essência, que o todo, isso é viver no deleite supremo de um beijo amante entre amantes.

Poemas de um Haragano: Nos Caminhos da Flor – Biunivocamente

 

               III

 

"BIUNIVOCAMENTE..."

 

Tu és o aroma

Que meus passos

Adoram percorrer,

O sorriso que ilumina

O fundo da minha alma,

A vida pela qual

Eu acabo por descobrir

Que tudo valeu a pena...

 

Mais do que a flor

És a essência,

A coerência,

A relação adequada

Entre o sentir

Que te transmito

Pelo conhecimento do que és

E o amor que me difundes

No cerne desse mundo

Que te constitui...

 

A essência...

A verdade...

A pureza dos princípios,

A lógica ordenada

De nossos olhares,

A ordem afrodisíaca

De uma linguagem mista,

Linguisticamente pura,

Absolutamente articulada,

Interativa...

 

Onde o discurso de incoerente

Desagua em ideias

Plenas de subjetividade,

De nuances incompreensíveis,

Em que tudo se resume

Àquilo que o coração

Chama de Amor...

 

Tu és o aroma,

O texto sagrado

De uma religião paranormal

Porque transcendente da razão...

 

Tu és o acontecimento,

A situação e mais ainda,

A equívoca equação

Que não se anula

Mas se traduz no íntimo

Deste teu interlocutor...

 

A falta de univocidade

Pode transformar nossas palavras

Num lugar indefinido

Que nenhum de nós

Consegue controlar...

 

Mas controlar para quê?

Importa sim sentir...

Sim... sentir...

 

O aroma

Que meus passos adoram percorrer,

O discurso de ideias

Plenas de subjetividade,

O texto sagrado

De uma religião paranormal,

A equívoca equação

Que não se anula,

O lugar indefinido,

Sem norma, sem razão,

Sem leis, sem regras,

Em que biunivocamente

Nos amamos!...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos Da Flor

(Gil Saraiva)

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