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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Beijo de Nascente

260 - nascente.jpg260. Beijo de Nascente, genuíno e impoluto, fora da contaminação dos homens, integro e natural, de uma transparência sã que ascende do íntimo da existência. Beijo puro e fresco como a água que brota da terra lá bem no alto da montanha. Cristalino como o rio que corre pela natureza. Vivo e criador como essa corrente de vida que procura chegar breve à foz, espalhando fauna e flora pelas suas margens bem delineadas. Enfim, belo porque são, feliz porque simples. Um beijo que nasce do seio da nossa própria essência, impelido por uma palavra, um olhar, um sorriso que assim, sem mais nem menos, nos diz que é bom viver e partilhar.

 

 

 

Beijo Conspirador

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81. Beijo Conspirador, entregue na penumbra ou nas sombras da noite onde a luz parece temer chegar, talvez até porque a trama no escuro adensa o perigo, aviva os sentidos, desperta a imaginação, aguça cheiros e odores e gera uma intimidade envolvente que se acerca dos protagonistas como se de uma bruma se tratasse. Um limbo em que o espaço não tem dimensão e o tempo não tem relógio. Onde o instante dura uma eternidade e onde a eternidade parece gastar-se instantaneamente pela avidez da situação. Tudo porque um beijo conspirador é, por mérito próprio, o beijo digno dos amantes, no sentido mais romântico do luxurioso termo. Ele nasce do perigo, vive da excitação e realiza-se no existir.

Beijo à Chuva

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75. Beijo à Chuva, o espelho cristalino dos beijos românticos e de conquista. Traduz claramente que o amor vence os elementos, na luta pela sua realização, pela sua única e inabalável força. Um poder quase divino, fazendo os corpos esquecer o meio porque, no seio daquela união selada pelas bocas, existe um querer imaterial mais forte que gravidade ou magnetismo, que clima ou atmosfera, que habitat ou natureza. Beijo soberbo porque aquele género de afeto não tem barreiras, não desiste perante os obstáculos, não se perde na tempestade, nem se acalma na bonança. Ele é o bem supremo quando encontrado no seu estado mais puro e, sem explicações, está muito para além da inteligência, do saber e do conhecimento. Beijo à chuva, maior que as almas, as crenças, os credos, os sentidos e os elementos, maior que o universo, porque nada é maior do que a conquista do amor que este beijar representa a cada acontecer.

Beijo de Bruma

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57. Beijo de Bruma… imagine um fim de tarde onde o crepúsculo se anuncia pelo mais romântico pôr-do-Sol de que alguma vez houve memória. Imagine também que tudo se passa à beira-mar, num dia quente e húmido, onde o azul da água contrasta com o branco macio do areal e o laranja de um astro em retirada. Imagine a falésia por detrás envolta no entardecer a ser coberta por uma nuvem de algodão que se apressa na brisa por chegar ao mar. Imagine-se menina de cabelos ao vento recebendo o beijo que nem amnésia poderá fazer esquecer, é esse o beijo que se descreve aqui… Um beijo de bruma.

Beijo na Boca

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50. Beijo na Boca, clássico, sempre romântico, absolutamente sensitivo, sensual e desejado pelas partes, pois apenas nestas circunstâncias os lábios se encontram, se cruzam e entrecruzam, na busca de sentimentos tornados sentidos, na demanda comum de uma felicidade que se sente bem perto e para a qual a solução se encontra nessa entrega simples, carinhosa e devotada, desinibida e tão evidentemente atraente. O Beijo na Boca é sempre algo bem fácil de concretizar desde que os olhares se entendam, desde que as arritmias sejam uníssonas, desde que duas bocas se transmutem numa só.

Beijo de Balança

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44. Beijo de Balança, porque a companhia gera o equilíbrio para este signo este é um que tem de ter paridade. Estamos no universo absoluto do dar e receber. Ele tudo faz para ser agradável e agradar, e o seu beijo é gentil, cúmplice e recíproco, a sua entrega leve, encantadora e amorosa na procura intensa de dar prazer a quem beija, não existe preguiça ou desleixo num beijo de um nativo de Balança. Aqui vive-se da afinidade e da empatia, da doçura e gentileza das palavras, da estabilidade e convivência. Se existisse um beijo mutualista seria este o protótipo sem a mínima dúvida ou hesitação. Beijo de Balança, produzido entre requinte e beleza, delicado, elegante e romântico, dependendo da orientação da outra parte são capazes do beijo mais fino e dócil ao mais excessivo e sexual.

Beijo de Anil

017 - anil.jpg18. Beijo de Anil em noite purpura, porque todos temos o nosso dia misterioso, gótico nos apetites, atrevido nas tentações, que foge do habitual espetro dos tons românticos, entre o rosa e o encarnado, para uma outra banda de desejos ocultos, escondidos no ego, aguardando a oportunidade para ganharem forma e cor, como se naquele momento fossemos personagens que arriscam entrar num novo horizonte, uma paisagem nunca antes devidamente explorada, completamente fora da habitual zona de conforto. Não sendo negro nem tétrico é um beijar que provoca arrepios, cria sensações estranhas no estômago e ânsia no coração.

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