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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visível o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, tudo o que a imaginação me permite

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Vídeos da Pandemia: A Necessidade Aguça o Engenho - Os Problemas Das Regras Covid.

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MULHER ENTRA SEM MÁSCARA NUM SUPERMERCADO E VÊ-SE OBRIGADA A RESOLVER A SITUAÇÃO.

 

 

 

Registos da Memória - Brasil - Pipa - II - A Praia do Amor

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Brasil - Pipa – II – Praia do Amor - Foto de autor, direitos reservados)

Registos da Memória

II

Brasil – Pipa

Praia do Amor

 

A tabuleta não engana. A Praia do Amor fica na direção indicada e é um pequeno refúgio de areia entre rochas, a condizer com a própria tabuleta. Para lá chegar, como não podia deixar de ser, é preciso ir imbuído do verdadeiro espírito do amor e ainda ter alguma elasticidade nas pernas e equilíbrio, pois a descida faz-se por um caminho de rochas que obrigam a algum cuidado (que aumenta com a idade).

É claro que os jovens galgam a encosta com uma perna às costas e descem-na com a outra, mas este grupo etário não vai só atrás do amor, vai a ser conduzido pelas garras da paixão e o cheiro a erotismo mais ou menos descarado, dependendo dos ímpetos, de que pode vir a desfrutar nalguns dos recantos da dita praia. O mar é agitado por ali, embora não sendo perigoso, vem banhado pela espuma das ondas excitadas com a chegada à Praia do Amor. Um bar de apoio e alguns chapéus-de-sol para sombra, em tons de amarelo torrado, de verde bem vivo e um ou outro azul, completam o ar tropical, nordestino e “caliente” desta praia.

Os mais velhos protegem-se dos raios mais fortes do sol, sentados nas cadeiras brancas que o bar põe à disposição, protegidos pelos guarda-sóis. Porém, a água é o reino das pranchas de bodyboard e de surf, onde os heróis desafiam Neptuno, para gáudio das meninas que assistem da praia. Por toda a parte se sentem as hormonas que parecem despertas pelo nome sugestivo da praia. Quem não se puser a espreitar cada recanto, junto às rochas, poderá ficar na dúvida quanto ao porquê do nome praia do amor, agora se tiver atenção, já precisa de algum calo para não ruborescer. É tudo isto que a tabuleta indica na sua simplicidade despretensiosa, quase que desprendida do verdadeiro significado do amor. Afinal, o amor fica para aquele lado…

Gil Saraiva

 

 

 

Registos da Memória - Brasil - Pipa - I - A Rocha da Pipa

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(Brasil - Pipa – I – A Rocha da Pipa - Foto de autor, direitos reservados)   

Registos da Memória

I

Brasil – Pipa

A Rocha da Pipa

 

Tendo, dois anos antes, visitado Pipa de passagem, regressei ao Nordeste do Brasil e, desta vez, focado em Pipa. Trata-se de um destino turístico de classe média, ou média-baixa, em que a imaginação e alma fazem mais pela terra, do que o progresso e a tecnologia. Todo o meio urbano lembra uma favela reciclada e vestida com roupagens de vila antiga, dedicada à praia e ao turismo. Os investimentos fracassados ombreiam, lado a lado, com os que, por sorte ou solidez de investimento vingaram e prosperam.

Cedo descobri de onde vinha o nome da estância balnear. Porém, metade dos residentes não sabe o porquê, o que para um lusitano parece estranho. Ora, na baia onde Pipa recebe o Atlântico há uma pequena rocha cilíndrica, com mais de quinhentos anos de história, mesmo na ponta do cabo. É essa rocha (dizem-me que já foi maior e mais circular) que dá o nome à estância. Pipa chama-se Pipa, porque, por altura dos descobrimentos, à chegada à pequena baía, os marinheiros portugueses acharam que a rocha se assemelhava a uma pipa. Encontrado o nome de forma tão natural, não houve capitão ou comandante com coragem para escolher outro (normalmente com nome de santo católico ou, pelo menos, de índole religiosa).

Gaviões, águias e urubus, guardam, segundo reza a lenda, a afamada pipa (conforme pude inclusivamente fotografar), porque, algures ali perto, se esconde, há centenas de anos, um tesouro imenso, fruto dos primeiros saques feitos na região. Teve de ser escondido pois o mar revolto não deixou as embarcações saírem da baía e zarparem oceano adentro depois dos roubos. A fortuna enterrada teria sido coberta por uma carapaça de uma tartaruga gigante que servira de alimento aos oficiais encarregues da missão.

Diz ainda a lenda que o espírito da tartaruga fez com que os humanos se esquecessem do local exato do tesouro, como castigo pelo saque e pela morte da centenária tartaruga. Segundo os velhos anciãos, enquanto a carapaça cobrir o tesouro, ele jamais será encontrado…

Gil Saraiva

 

 

 

Registos da Memória - Brasil - Nordeste - X - Pipa - O Bar-Restaurante

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(Brasil - Nordeste – X – Pipa– O  Bar-Restaurante - Foto de autor, direitos reservados)   

Registos da Memória

X

Brasil – Nordeste

Pipa – O Bar-Restaurante

 

Antecipando os próximos registos da Memória que serão sobre Pipa, no Nordeste brasileiro, porque enquadrados num outro ano e noutra viagem, não poderia deixar de incluir aqui, nestes registos da memória, algo que achei importante guardar da visita relâmpago que fiz a Pipa durante a minha estadia na Ponta do Madeiro.

Com efeito, se Salvador Dali, alguma vez tivesse sido proprietário de um bar-restaurante e, por isso mesmo, o tivesse querido construir à sua imagem e semelhança, este que hoje aqui apresento, seria, sem qualquer dúvida, bem semelhante ao criado pelo grande Mestre da Pintura Mundial. O surrealismo do local, lembra o mestre em todo o seu esplendor. A forma impressionante como as imagens brotam das paredes e se misturam com toda a decoração só pode ser uma homenagem ao génio da pintura, representada por alguém com um profundo conhecimento da arte do inspirador deste espaço de lazer e cultura.

O bar criado algures por volta do ano de 2006, já necessita de alguns retoques na pintura para manter vivo o espírito surrealista de que se encontra embebido, contudo, ainda consegue surpreender o visitante pela forma como a pintura ganha a sua terceira dimensão, não apenas nos baixos relevos de paredes, muros e balcões, mas pela mobília escolhida a dedo para se integrar nesta disposição única e singular de arrojo e originalidade.

Situado no centro turístico de Pipa chama a atenção, em primeiro lugar pelo surrealismo evidente e depois pelo menu, não menos surreal. Se não refiro o nome do espaço é não apenas porque é irrelevante, mas porque, caso visite a estância balnear, não tem como não dar por ele e descobrir tudo por si. Pipa tem tudo isso a propor a quem a visita, romantismo, surrealismo, oceano, paisagem, povo, ambiente e amor.

Gil Saraiva

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(Brasil - Nordeste – X – Pipa– O  Bar-Restaurante b - Foto de autor, direitos reservados)   

 

 

 

Registos da Memória - Brasil - Nordeste - IX - Ponta do Madeiro - Piscina e Bar

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(Brasil - Nordeste – IX – Ponta do Madeiro – Piscina e Bar - Foto de autor, direitos reservados)   

Registos da Memória

IX

Brasil – Nordeste

Ponta do Madeiro – Piscina e Bar

 

Do ponto onde me encontrava a tirar esta fotografia apanhei, sem querer, o oceano, por entre as árvores, para lá da falésia. Fiquei satisfeito com o resultado. Afinal, não fora com intenção que registara os três azuis, oceano, céu e piscina. O registo era o do bar, por de baixo de um telhado de colmo, com os bancos do balcão dentro de água.

Uma comodidade da qual fiz uso e abuso durante toda a minha estadia ali, no Hotel Ponta do Madeiro, na zona de Tibau Sul, no Nordeste Brasileiro a Sul de Natal. O prazer de estar sentado dentro de água, encostado ao balcão, em conversas de circunstância e a beber um «chopo» (aquilo a que nós por cá chamamos de imperial ou de fino, dependendo da região do país), ainda hoje me vem à mente com saudades e alguma nostalgia associada.

Sentir o ar nas costas a queimar o dorso, enquanto o corpo se refresca sentado dentro de água e apoiado pelos cotovelos num balcão de bar, é uma daquelas imagens, do tipo que vemos nos filmes, a que normalmente associamos a paraíso. Não é assim tão estranho porque, afinal, estar ali representa despreocupação em relação ao passado, relaxe simples e sereno no presente e nenhuma apreensão em relação ao futuro. O jogo de luz, na quase totalidade da piscina, acompanhado pela sombra tépida da área do bar, fazem qualquer matemático pensar que a natureza é bem mais bonita do que meros cálculos abstratos e sem significado paisagístico, muito maior, por evidência lógica, é esse efeito num romântico inveterado que destila poesia apenas porque é muito bom ser feliz.

Gil Saraiva

 

 

 

Registos da Memória - Brasil - Nordeste - VIII - Ponta do Madeiro - Pétala de Rosa

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(Brasil - Nordeste – VIII – Ponta do Madeiro – Pétala de Rosa - Foto de autor, direitos reservados)   

Registos da Memória

VIII

Brasil – Nordeste

Ponta do Madeiro – Pétala de Rosa

 

Por entre o arvoredo dou conta de que algo se move no céu, bem por cima de mim. Na esperança de ver alguma das três ou quatro aves de rapina que costumam sobrevoar a Ponta do Madeiro e que ainda ando a tentar identificar, embora esteja quase certo que duas delas são águias brasileiras, que dão pelo nome de carcará, e uma outra me pareça uma das espécies de gaviões da região, contudo, acho que a última se assemelha, assim à distância, a um urubu, porém, ao olhar, armado em observador de passarada, dou com um parapente, disfarçado de pétala rosa, de uma rosa bem rosada, a desfrutar da brisa, navegando suavemente, como que saído das nuvens, rumo à eternidade.

O verde carregado das árvores, o céu azul a nascer clarinho e a subir, «ton sur ton» (como se diz por terras de França), até um azul mais pesado, enquadram quase que surrealmente o vistoso parapente, que navega, lá no alto, completamente indiferente aos meus pensamentos maravilhados com a descoberta ocasional. Por momentos deixo-me levar pelo voo do parapente e imagino a paisagem que lá de cima se vislumbrará. Os contornos da mata atlântica, das dunas e das terras áridas em contraste com a margem branca do oceano a desaguar azul na areia das praias e nas escarpas das falésias deve ser uma visão magnifica, digna de um registo da memória. Sorri…

Gil Saraiva

 

 

 

Registos da Memória - Brasil - Nordeste - VII - Ponta do Madeiro - As Flores

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(Brasil - Nordeste – VII – Ponta do Madeiro – As Flores - Foto de autor, direitos reservados)   

Registos da Memória

VII

Brasil – Nordeste

Ponta do Madeiro – As Flores

 

Já referi nestes registos da memória o meu espanto e admiração pela flora da Ponta do Madeiro, principalmente nos jardins e espaços verdes sob a responsabilidade do hotel. Contudo, sem mostrar um pouco daquilo a que me refiro, fica uma sensação estranha de vazio e é essa a razão da fotografia de hoje. Sem exagerar, posso garantir que nestes espaços verdes contabilizei umas trinta e duas espécies de flores que eu desconhecia inteiramente.

Porém, o mais interessante no arranjo e distribuição da flora e das flores em particular nas áreas exteriores deste hotel localizado no Nordeste do Brasil, no Estado de Rio Grande do Norte, na região de Tibau Sul, perto de Natal, mais propriamente na Ponta do Madeiro, tem a preocupação de parecer natural, quase como se o estado selvagem ou silvestre de flores e plantas pudesse ser igualmente encontrado no exterior com o mesmo tipo de ordenamento e distribuição. Fazer um jardim parecer natural é, apesar de tudo, uma arte difícil de levar a cabo, mas que aqui é conseguida plenamente.

Paradoxalmente, as abelhas e as vespas, que se vêm nos jardins, parecem desinteressadas dos hóspedes humanos e nunca me senti incomodado pela sua presença durante toda a estadia no local. Embora o ambiente seja extremamente romântico, só o facto de eu ter sido levado a reparar nas flores, coisa a que não costumo dar grande relevância, é indicativo do seu impacto no conjunto harmonioso da paisagem. Aqui, fica a sensação de que Cupido, secretamente, aqui implantou uma parte do seu reino de amor. Se vier ao Hotel da Ponta do Maneiro, um dia, nas suas viagens, venha de espírito e coração prontos para entregar a alma ao amor…

Gil Saraiva

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(Brasil - Nordeste – VII b – Ponta do Madeiro – As Flores - Foto de autor, direitos reservados) 

 

 

 

Registos da Memória - Brasil - Nordeste - VI - Ponta do Madeiro - O Sagui

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(Brasil - Nordeste – VI – Ponta do Madeiro – O Sagui - Foto de autor, direitos reservados)

Registos da Memória

VI

Brasil – Nordeste

Ponta do Madeiro – O Sagui

 

Os jardins do Hotel Ponta do Madeiro são fabulosos pela diversidade de plantas e flores. Estando ao ar livre, junto à piscina, deitado numa espreguiçadeira, faz confusão à mente como é possível conseguir sentir no ar o aroma adocicado das flores a envolverem-nos com inúmeras fragrâncias tropicais, desconhecidas da memória de um europeu como eu. A relva bem aparada, as plantas murando a falésia e acompanhando a sua descida até à praia. Os arbustos como que desordenados, mas harmoniosamente ligando as árvores a todo o jardim.

A primeira vez que dei pelos saguis estava precisamente numa rede, deitado, na varanda do quarto, a olhar para o mar e a comer um pacote de amendoins, que poisara em cima de uma pequena mesa vermelha, que mais parecia um banco, ao lado da rede. No colo tinha a máquina fotográfica, pois estivera entretido a fotografar quatro aves de rapina, que me pareciam ser mais próprias do Andes, pois eram semelhantes ao condor. Contudo, estava certo disso, deviam ser águias em busca de almoço grátis. Jogara, a dada altura, a mão ao pacote de amendoins e este já lá não estava. Vi-o no chão, logo no momento seguinte. No canto da mesinha vermelha um sagui deliciava-se a abrir um amendoim e a comê-lo como se eu, ali bem perto, fosse mais um ornamento decorativo do que uma pessoa.

No chão, junto ao pacote, outros três saguis tinham subtraído, cada um deles, mais um amendoim e encontravam-se na fase de os abrirem. O que estava no canto do banco ia mais adiantado. Já devorara um amendoim e ia a meio do segundo. Com algum vagar peguei na máquina fotográfica e iniciei uma sessão de fotografias aos convidados penetras da minha varanda. O sagui do banco devia ser o macho alfa. Com um penteado à Einstein parecia indiferente ao facto de estar a devorar o que não lhe pertencia. Pensei que a teoria da relatividade se aplicava ao animal. Para ele era relativo que os amendoins fossem meus.

E=mc², ou seja, a sua energia diária era igual ao que comia multiplicada pela velocidade ao quadrado com que se aproveitava dos alimentos do incauto turista, no caso eu. Sorri para o meu Einstein. Para ele, o pacote dos amendoins fora uma oferta, senão porque estaria ali, assim, à disposição? Dei-lhe razão. Fora uma oferta. Terminado o pacote e devorado o seu conteúdo até ao último amendoim quer o alfa, quer os seus vassalos, abandonaram a varanda e desapareceram por entre a folhagem das árvores e dos arbustos. Sorri, tivera que ir ao brasil para conhecer Einstein. Estava deslumbrado com o acontecimento…

Gil Saraiva

 

 

 

Registos da Memória - Brasil - Nordeste - V - Ponta do Madeiro - A Praia

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(Brasil - Nordeste – V – Ponta do Madeiro – A Praia - Foto de autor, direitos reservados)

Registos da Memória

V

Brasil – Nordeste

Ponta do Madeiro – A Praia

 

A Praia da Ponta do Madeiro tem um único acesso direto, uma escadaria, com patamares, que só se consegue aceder atravessando a propriedade do hotel com o mesmo nome, descendo os 196 degraus que acompanham a falésia, acedendo finalmente ao areal. Mais perto da água uma fila de guarda-sóis azuis marca a linha da maré que quando cheia se espuma a dois metros das espreguiçadeiras. Mais atrás ficam os chapéus de colmo, mais perto da arriba verdejante, de um verde carregado porque muito húmido e fértil. O bar fica logo ao lado, a metros da enorme escadaria.

Bem ao fundo é possível ver outro resort, que explora a Praia do Madeiro. O oceano, pintado a duas cores, banha a areia de um branco imaculado que se torna creme, a vários tons, pelo molhado das linhas da maré desenhadas no areal que acompanha toda a falésia entre praias. Das cores do oceano o branco predomina na margem, pelo quebrar de uma ondulação rasteira na areia da praia, quanto ao azul, predominam quatros tons cheios de significado e tingidos pela experiência dos séculos.

O mais escuro previne os banhistas da presença de rochas submersas ou de pequenos lençóis de algas por baixo da ondulação. O mais claro é sinal evidente de que o chão está perto e é possível ficar em pé na água. Os tons intermédios acusam profundidade onde no mais suave dos dois se nada, sem pé, com segurança e no outro fica um aviso de correntes firmes, que só devem ser frequentadas por nadadores entendidos na arte de bem nadar em toda a costa, porque este é um oceano amigo, que gosta de receber quem vem para se banhar nas suas águas, sem ambiguidades ou falsos avisos malandros que seriam incompreensíveis.

A areia da praia tem a finura de uma farinha consistente, que não chega ao pó, mas que ajuda os pés de quem passeia a se enterrarem facilmente, protegendo-os do calor da areia por vezes escaldante em demasia. Toda a natureza parece feita para prestar uma vassalagem hospitaleira a quem aqui chega, dando ao veraneante uma dimensão real do significado de plenitude. Brasil, Nordeste, Tibau Sul, Ponta do Madeiro, um resort digno de figurar nos mais prestigiados destinos do turismo mundial.

É um crime o que esta pandemia nos obriga a perder. O ser humano é um bicho social em movimento, quando confinado definha, murcha e perde-se com a ausência do sorriso dos rostos, por detrás de máscaras que nos roubam a felicidade e nos empurram para estados de medo, ansiedade e depressão. Que este filme de horrores, doença, desemprego, agonia e morte acabe logo. Deixo um beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

Registos da Memória - Brasil - Nordeste - IV - Ponta do Madeiro - A Luz

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(Brasil - Nordeste – IV – Ponta do Madeiro – A Luz - Foto de autor, direitos reservados)

Registos da Memória

IV

Brasil – Nordeste

Ponta do Madeiro – A Luz

 

No Brasil, mais propriamente no Nordeste, entre Tibau Sul e Pipa, fica localizada a Ponta do Madeiro, que possuiu um hotel com o mesmo nome e que oferece, a quem nele se instala, um pouco do paraíso, por uns dias, que certamente lhe ficaram na memória registados.

O acesso à praia é acessível por uma falésia, através de uma escadaria, com patamares que servem de miradouros, até uma praia maravilhosa com apoio de bar e duche, onde, não raramente, se encontram tartarugas de grande porte ou vêm golfinhos nadando ao largo.

Nas instalações do hotel, o terreno envolvente é o que mais chama a atenção, não apenas pelo exotismo das flores, ou pelos jardins primorosamente cuidados, mas também, pela piscina com apoio de bar, pelo serviço de massagem em tenda aberta, como pelos saguis que se passeiam com a confiança de quem se sente dono do pedaço. Não sendo eu um apreciador de toda a comida brasileira devo dizer que fiquei deliciado com o requinte dos pratos no restaurante do hotel.

Todavia, já nem falando da paisagem de deixar qualquer um de boca aberta, aquilo que mais me tocou foi a luz do lugar. O Sol parece divertido em brincar às escondidas com o arvoredo, aparecendo maroto, em todo o seu brilho e pujança em cada aberta que consegue encontrar. A luz torna-se intensa, radiante, transformando o verde em negro quando se intromete entre árvores ou arbustos altos, tal é a sua intensidade. Amei este local de cores vivas, de gente alegre, de paisagens de cortar a respiração, de comida deliciosa, contudo, quem me cativou a alma foi a luz, uma luz vinda diretamente de um sonhado paraíso…

Gil Saraiva

 

 

 

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