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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

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Beijo de Boas-Vindas

051 - boas-vindas.jpg

52. Beijo de Boas-vindas, este é um dos gestos mais comuns em qualquer encontro, novo conhecimento ou reencontro. Antes de mais trata-se de um cumprimento tão banal como o passou-bem, a conhecida troca do aperto de mãos, ou o mero olá, mencionado ao ver alguém pela primeira vez ao fim um dado tempo. Os brasileiros chamam-lhe beijo boca de siri, porque os lábios não se abrem no momento da entrega. Em resumo é um bom-dia, boa-tarde ou boa-noite traduzido na forma de beijo, porém ganha especial relevância quando associado à saudade, ao regresso pródigo de alguém de quem se sente a falta na alma e em cada dia, e torna-se a manifestação intensa de um carinho reprimido, por um tempo sentido como excessivo, que finalmente termina com um final feliz, como nas histórias que escutámos na infância das nossas vidas.

Poemas de um Haragano: Livro XXI – Morro de S. Paulo

 

                   V

 

“MORRO DE S. PAULO”

 

Ao olhar

Ressalta já o Morro de S. Paulo;

Ao recordar

Um Morro de reis, de glórias

E de escravos;

Morro de histórias,

Fantasmas e de bravos;

Morro de saudade,

No tempo perdido,

Onde um minuto vale a eternidade,

Onde cada segundo tem sentido…

 

Aqui, no Morro de S. Paulo,

Das águas feitas de cristal,

Se elevando

O sonho ganha corpo, rosto, forma,

É natural…

E o sorriso vai edificando,

Em cada instante,

Uma outra plataforma,

Feita de natureza cativante

Como que esculpindo nova Atenas…

Mais do que bonito

O Morro de S. Paulo

É belo apenas!

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)

Saudades

Saudades

"SAUDADES"

Saudades
Choro de um riso antigo
Hoje recordado...

Saudades
Vou deixando
Aqui, além...
Recordações eu guardo do meus passos:
Daquele alguém que um dia olhou pra mim
E me chamou de amigo...
E num olhar
Disse poder guardar de mim memória
E registar bem fundo o meu sorriso...

Saudades
Vou guardando, conformado,
Daqui, de além e de todo o lado
Onde há um abraço de amizade;
Onde a Humanidade for humana;
Onde a Paz existir na Natureza
E onde a Liberdade for amada...

Saudades,
Nostalogias, lembranças, emoções
E outros sentimentos pouco claros
Que vão ficando em nós
E que nos tornam
Produtos inventados pela mente
De quem a nosso lado já viveu
E guardou para si a nossa imagem...

Saudades
De outrora... de uma hora,
Daquele momento exacto,
Inesquecível,
Daquele instante louco, fugidio,
Em que a flor abriu, desabrochou...
Ou de outro que não conto por pudor,
Mas que por certo falava de Amor...

Saudades,
Momentos presentes do Passado
Que o Futuro não pode apagar;
Vivências de uma vida,
Lágrimas de dor, felicidade,
Desejos e gritos já vividos;
Anos de sonho e de saudades
E dias que são claras ilusões...

Saudades
Vou guardando, vou deixando
Aqui, ali, além, por todo o lado
Onde a lágrima seja borboleta
Ou onde a eternidade iluminada
Se reduza breve, num segundo,
A gotas de orvalho e de saudade...

Saudades
Choro de um riso antigo
Hoje, uma vez mais,
Já recordado
Ou novamente,
Até que enfim, reencontrado!...

Haragano, O Etéreo in O Próximo Homem

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