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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

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Beijo Envergonhado

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113. Beijo Envergonhado dado de forma embaraçada, suavemente, no rosto de quem se quer bem, não sem antes se ter passado por um processo de extrema complexidade… Primeiro no desenvolvimento da ideia (porque a vontade, esse desejo interior de beijar, seria por certo forte desde o primeiro momento). Depois a aproximação gradual, lenta (e quase que em pânico constante de se poder cometer um erro), à pessoa escolhida. Por fim o segundo em que o beijo é desferido (sim, porque por receio a duração será obviamente curta, quase curta demais para ser sentido por quem o recebe), naquela face suave que o acolhe, sem que nunca a recetora sequer possa imaginar como tal feito foi épico e glorioso. Um beijo entregue timidamente, envergonhado, de um modo ténue, como quem colhe uma flor silvestre, num passeio pelo campo na beira de um caminho, e a entrega, de braço estendido cobrindo o rosto, à dama que lhe roubou o coração.

Beijo de Ecos de Vinil

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104. Beijo de Ecos de Vinil, a lembrar os antigos Lps e Singles que rodavam magicamente reproduzindo os sons da agulha, com murmúrios de estática, nos embalando em músicas vindas do âmago dos solistas e das bandas, ainda sob a influência dos anos sessenta, onde fazer amor era sinónimo de combater a guerra e viver pela paz, onde beijar tinha sentido, sentimento e himalaias de emoção. Só este beijo consegue captar esses ecos idílicos de outrora reproduzindo a sintonia dos seres, na plenitude da entrega, na pureza das intenções, no romantismo do meio, na ingenuidade fofa de um beijar de amor.

Beijo Criativo

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84. Beijo Criativo, produzido fora de qualquer sonho, por mais divinal que este possa ser. Originado na realidade sincera de querer entregar, com a maior das simplicidades e vontades, algo de agradável a alguém, que se determinou previamente, e a quem se quer, mais do que tudo, prestar um agrado, uma afeição, algo simples, mas profundamente sentido e intencional. Sempre será, contudo, original e até artístico não perdendo a naturalidade, na senda do inesperado, mas apetecido, por forma a não provocar qualquer reação de desagrado, mas sim, possivelmente, ser recompensado com um outro beijo ou com um sorriso retributivo de simpatia, ou, quem sabe, um beijo de mais além...

Beijo de Corte

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83. Beijo de Corte, poderia ser este um beijo de vénia, de charme ou à Luís XV, mas embora ele possa ter toda essa força incluída, aqui importa mais o sentido do próprio do fazer a corte, do engalanar-se de rodeios e insinuações para se valorizar. Tudo à volta tem de ser criado de modo a dar-lhe grandeza e interesse, beleza e carisma, desejo e subtileza. Afinal interessa que a dama escolhida se sinta atraída pelo ambiente, pelo cavalheiro e pelo próprio beijo de um modo tão irresistível que a corte se torne eficaz levando a donzela a sentir-se rainha, o cavalheiro a imaginar-se nobre e o beijo a tornar-se épico.

 

Beijo de Comunhão

079 - comunhão.jpg

80. Beijo de Comunhão, daqueles que acontecem quando tudo se conjuga. Quando as coisas se encontram exatamente como gostaríamos. Quando aquela pessoa com quem estamos nos parece perfeita, ideal e parte integrante de nós mesmos. Quando o sorriso é fácil e a gargalhada espontânea. Quando sentimos de tal modo a harmonia das coisas que nem nos lembramos que elas existem. Quando o amor não é uma palavra gasta e com muito pouco sentido, mas sim um sentimento básico e tão vital que parece mais uma função orgânica, como o respirar, e tão natural que quase não damos por ele. É nessas alturas que o beijo ocorre feito comunhão. Dado porque faz sentido, sentido porque é real, tão real que pouco mais importa, afinal o que todos procuramos é chegar por fim à felicidade.

Beijo de Antologia

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24. Beijo de Antologia, descrito através dos séculos pelos historiadores, narrado em páginas sem fim por escribas, plumitivos e escritores, cantado nos coros populares com a graça simples do que vem do povo, entoado por bandas, cantores e trovadores nos quatro cantos do mundo em canções sentidas, emocionadas e arrebatadoras. Beijo declamado por poetas embevecidos pela beleza mágica de um gesto de amor que se fez eterno e repetido no tempo em milénios de história, de gentes e de quereres, tornado intemporal, imortal e repetido sempre que entre humanos há amor.

Poemas de um Haragano: Achas de um Vagabundo – Um Poema

 

 

        XVI

 

"UM POEMA"

 

Um poema

Nada tem de silencioso,

Mágico ou natural,

É sim um grito mudo

Do amago de quem escreve

Para a essência de quem lê...

 

Se for ouvido é música divina,

É arte,

É voz...

 

Mas se na valeta

Do esquecimento

Ele cair

Então

O poeta morreu uma vez mais,

Mas não sem antes sofrer muito

Para além do suportável

Pelo comum dos mortais...

 

Quantos de nós,

Muito além desse sentido,

A que chamamos de audição,

Escutamos realmente o grito mudo?

 

Quantos de nós ouvimos

No marasmo do nosso cotidiano

Um só poema?

 

"-Depende..."

Dirão os mais sensíveis...

"-Eu acho que sim!"

Afirmarão os convencidos

Pelas lições que a vida

Lhes foi dando...

"-Eu escuto..."

Dirás tu

Com medo da tua própria voz...

 

Um poema

Nada tem de silencioso,

Mágico ou natural,

É sim um grito mudo

Do amago de quem escreve

Para a essência de quem lê...

 

Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

(Gil Saraiva)

Poemas de um Haragano: Livro XXI – Morro de S. Paulo

 

                   V

 

“MORRO DE S. PAULO”

 

Ao olhar

Ressalta já o Morro de S. Paulo;

Ao recordar

Um Morro de reis, de glórias

E de escravos;

Morro de histórias,

Fantasmas e de bravos;

Morro de saudade,

No tempo perdido,

Onde um minuto vale a eternidade,

Onde cada segundo tem sentido…

 

Aqui, no Morro de S. Paulo,

Das águas feitas de cristal,

Se elevando

O sonho ganha corpo, rosto, forma,

É natural…

E o sorriso vai edificando,

Em cada instante,

Uma outra plataforma,

Feita de natureza cativante

Como que esculpindo nova Atenas…

Mais do que bonito

O Morro de S. Paulo

É belo apenas!

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)

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