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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Beijo de Nascente

260 - nascente.jpg260. Beijo de Nascente, genuíno e impoluto, fora da contaminação dos homens, integro e natural, de uma transparência sã que ascende do íntimo da existência. Beijo puro e fresco como a água que brota da terra lá bem no alto da montanha. Cristalino como o rio que corre pela natureza. Vivo e criador como essa corrente de vida que procura chegar breve à foz, espalhando fauna e flora pelas suas margens bem delineadas. Enfim, belo porque são, feliz porque simples. Um beijo que nasce do seio da nossa própria essência, impelido por uma palavra, um olhar, um sorriso que assim, sem mais nem menos, nos diz que é bom viver e partilhar.

 

 

 

Beijo Fálico

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132. Beijo Fálico, é precisamente aqui que os brasileiros costumam dizer: "ajoelhou, vai ter que rezar". Ora isso implica que quando uma dama se baixa, ficando com o rosto à altura da cintura do seu parceiro, terá que obrigatoriamente lhe beijar a masculinidade, porque, mais do que tudo, este é um beijo de sexo e excitação. Descoberto nas margens eróticas dos atos privados, onde, para o homem, a rendição feminina à sua masculinidade, lhe concretiza triunfos de ego e sonhos de volúpia. Este sentir e ver uma mulher beijar ou introduzir na sua boca o falo, com movimentos mais ou menos ritmados, consoante a situação, é sempre extremamente gratificante, excitante e estimulador da continuação do todo que é o ato sexual. Nem ele sempre será um fim, mas quantas vezes um prelúdio de intimidades onde o tempo se perde por entre o labirinto dos corpos que se encontram. Beijo fálico, um beijo que podendo existir por si só, é, normalmente, apenas um atalho que conduz os intervenientes até à autoestrada dos sentidos.

Beijo de Empada

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107. Beijo de Empada, criado com mil mimos tépidos, que aos poucos, enquanto duram e se demoram, chegam, sem darem conta, ao enrubescer dos cinco sentidos e de todas as emoções, como se fosse possível a sua transformação numa "manduca" deliciosa feita em camadas. Primeiro os sentimentos, ascendendo que nem lava, vindos do interior da alma, constituindo o nível base de suporte de toda a fundação deste beijar, como que refogando numa combinação temperada as moléculas que despertarão hormonas e feromonas. Na camada seguinte os sentidos, numa ebulição indescritível na busca faminta do êxtase, como que servindo de acompanhamento, que nos permite apreciar o degustar, quais emanações da derme que por debaixo esconde, sem sucesso, a ânsia da carne apetitosa. Quase no cimo acomodam-se os instintos, fervendo na natureza primitiva da sua remota origem, trazendo à nossa memória os intuitos primitivos de procriação animal, onde o gozo se partilha sem que o raciocínio se preocupe com quaisquer consequências. Finalmente a cobertura desta empada feita beijo, qual massa tenra de carinhos, gestos e ternura, representando a roupagem moderna impressa pela civilização evolutiva de milénios educativos e refinados na busca da perfeição das coisas para que tudo neste beijo se gere sem saber como mas que se devore sabendo bem porquê.

Beijo Egípcio

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105. Beijo Egípcio, dado de perfil, sob a tutela do rei dos deuses do Egito fundido com o deus do Sol, Ámon-Rá. Um beijar de olhos quase fechados, num rasgar que apenas nos deixa ver contornes, apelando aos outros sentidos, onde o olfato ganha força, o tato, dimensão e o paladar significado. Beijo entregue a 38 graus à sombra, num calor que vem de dentro, mas que nos refresca e bem dispõe, qual oásis, no meio da densa areia do nosso imenso, infindável e piramidal quotidiano. Um ato que se arquiva no sarcófago sagrado da memória, para sempre mumificado com fragrâncias de oxalá, suspiros de souvenir e contactos recriados em cada recordar. Beijo de abrigo onde ganhamos a energia necessária para prosseguir antes de continuarmos essa viagem única a que chamamos vida.

Beijo Desejado

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96. Beijo Desejado, almejado, querido, cobiçado e pretendido com ânsias de fome e apetites de vontade pela menina feita mulher, pela mulher de novo menina. Um beijo que, partindo da iniciativa masculina, transporta com ele a arte mágica da fêmea que deliberadamente nos cativou o espírito e nos conduziu durante todo o trajeto até à conclusão de tal beijar. Invadindo-nos primeiro os sentidos pela presença, pelo toque, pelo cheiro, pelo murmurar de sereia feiticeira, pelo sabor que antecipamos sem antes o termos sentido, e, depois, no final do cerco, já durante o ato, aprisionando-nos o coração e corpo num querer que termina num beijo, que se torna recíproco e irreversivelmente apaixonado.

Beijo Delicioso

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93. Beijo Delicioso, provido de volúpia, inventado exclusivamente para repartir prazer pelos sentidos, ávidos de sensações plenas, dos interlocutores. Gerado entre hormonas e sentimentos este é um beijo de boca com aromas de iguarias singulares. Um daqueles em que os palatos julgam reconhecer o travo de licores celestes, temperados a chocolate fino e perfumados com odores de rosas e lilases. Beijo delicioso porque se partilha com vontade, se entrega com dedicação, e se consome recheado de alma e acontecer.

Beijo Dado

 

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88. Beijo Dado, aquele que se oferece por gosto, sem contrapartida, na expetativa da sua aceitação pacífica e, com alguma sorte, até acolhida com agrado. Quando puro ele faz parte de um lote restrito de ósculos que, pela sua natureza e essência, são altruístas, solidários, carinhosos, sentidos e absolutamente voluntários. Porém existem outros cambiantes. Na terra da picanha e do feijão preto ganha o nome de beijo de Tia, isto porque, em muitas ocasiões, só as bochechas se encostam e os lábios apenas fazem o movimento do beijo.Em situações mais extremas o beijo dado é também apelidado de beijo de perua porque nada se encosta e apenas se ouve o estalo do beijo e se nota o movimento da cabeça. Mas colocando de lado estas duas representações teatrais de um beijo que deveria ser efetivamente dado, ficamos perante um beijo espontâneo e sincero, em suma, um beijo de verdade.

Beijo Conspirador

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81. Beijo Conspirador, entregue na penumbra ou nas sombras da noite onde a luz parece temer chegar, talvez até porque a trama no escuro adensa o perigo, aviva os sentidos, desperta a imaginação, aguça cheiros e odores e gera uma intimidade envolvente que se acerca dos protagonistas como se de uma bruma se tratasse. Um limbo em que o espaço não tem dimensão e o tempo não tem relógio. Onde o instante dura uma eternidade e onde a eternidade parece gastar-se instantaneamente pela avidez da situação. Tudo porque um beijo conspirador é, por mérito próprio, o beijo digno dos amantes, no sentido mais romântico do luxurioso termo. Ele nasce do perigo, vive da excitação e realiza-se no existir.

Beijo à Chuva

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75. Beijo à Chuva, o espelho cristalino dos beijos românticos e de conquista. Traduz claramente que o amor vence os elementos, na luta pela sua realização, pela sua única e inabalável força. Um poder quase divino, fazendo os corpos esquecer o meio porque, no seio daquela união selada pelas bocas, existe um querer imaterial mais forte que gravidade ou magnetismo, que clima ou atmosfera, que habitat ou natureza. Beijo soberbo porque aquele género de afeto não tem barreiras, não desiste perante os obstáculos, não se perde na tempestade, nem se acalma na bonança. Ele é o bem supremo quando encontrado no seu estado mais puro e, sem explicações, está muito para além da inteligência, do saber e do conhecimento. Beijo à chuva, maior que as almas, as crenças, os credos, os sentidos e os elementos, maior que o universo, porque nada é maior do que a conquista do amor que este beijar representa a cada acontecer.

Beijo Certeiro

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71. Beijo Certeiro, dado sem tabus ou sem receios, destemidamente, com frontalidade, alegria, vida e paixão. Um daqueles que se dá com confiança, com a noção exata do que se quer e do que se espera, porque julgamos saber que a face a que se destina será por certo uma graciosa anfitriã. Para o darmos a alguém, e enquanto ato voluntário, temos de ter a certeza de que, do outro lado, existem pelo menos sinais de empatia e afeição. Este pode tornar-se num beijo surpreendente de conquista atingindo uma dimensão única de verdade. Tudo num caminho evolutivo que se avalia como sem regresso. Só assim se provoca a fusão de almas, o inflamar dos corpos, a plenitude dos seres, a busca do apocalipse dos sentidos, a divina glória do êxtase na vulcânica explosão de mil orgasmos...

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