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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

24
Jan20

Beijo Dado

Gil Saraiva

 

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88. Beijo Dado, aquele que se oferece por gosto, sem contrapartida, na expetativa da sua aceitação pacífica e, com alguma sorte, até acolhida com agrado. Quando puro ele faz parte de um lote restrito de ósculos que, pela sua natureza e essência, são altruístas, solidários, carinhosos, sentidos e absolutamente voluntários. Porém existem outros cambiantes. Na terra da picanha e do feijão preto ganha o nome de beijo de Tia, isto porque, em muitas ocasiões, só as bochechas se encostam e os lábios apenas fazem o movimento do beijo.Em situações mais extremas o beijo dado é também apelidado de beijo de perua porque nada se encosta e apenas se ouve o estalo do beijo e se nota o movimento da cabeça. Mas colocando de lado estas duas representações teatrais de um beijo que deveria ser efetivamente dado, ficamos perante um beijo espontâneo e sincero, em suma, um beijo de verdade.

17
Jan20

Beijo Conspirador

Gil Saraiva

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81. Beijo Conspirador, entregue na penumbra ou nas sombras da noite onde a luz parece temer chegar, talvez até porque a trama no escuro adensa o perigo, aviva os sentidos, desperta a imaginação, aguça cheiros e odores e gera uma intimidade envolvente que se acerca dos protagonistas como se de uma bruma se tratasse. Um limbo em que o espaço não tem dimensão e o tempo não tem relógio. Onde o instante dura uma eternidade e onde a eternidade parece gastar-se instantaneamente pela avidez da situação. Tudo porque um beijo conspirador é, por mérito próprio, o beijo digno dos amantes, no sentido mais romântico do luxurioso termo. Ele nasce do perigo, vive da excitação e realiza-se no existir.

11
Jan20

Beijo à Chuva

Gil Saraiva

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75. Beijo à Chuva, o espelho cristalino dos beijos românticos e de conquista. Traduz claramente que o amor vence os elementos, na luta pela sua realização, pela sua única e inabalável força. Um poder quase divino, fazendo os corpos esquecer o meio porque, no seio daquela união selada pelas bocas, existe um querer imaterial mais forte que gravidade ou magnetismo, que clima ou atmosfera, que habitat ou natureza. Beijo soberbo porque aquele género de afeto não tem barreiras, não desiste perante os obstáculos, não se perde na tempestade, nem se acalma na bonança. Ele é o bem supremo quando encontrado no seu estado mais puro e, sem explicações, está muito para além da inteligência, do saber e do conhecimento. Beijo à chuva, maior que as almas, as crenças, os credos, os sentidos e os elementos, maior que o universo, porque nada é maior do que a conquista do amor que este beijar representa a cada acontecer.

07
Jan20

Beijo Certeiro

Gil Saraiva

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71. Beijo Certeiro, dado sem tabus ou sem receios, destemidamente, com frontalidade, alegria, vida e paixão. Um daqueles que se dá com confiança, com a noção exata do que se quer e do que se espera, porque julgamos saber que a face a que se destina será por certo uma graciosa anfitriã. Para o darmos a alguém, e enquanto ato voluntário, temos de ter a certeza de que, do outro lado, existem pelo menos sinais de empatia e afeição. Este pode tornar-se num beijo surpreendente de conquista atingindo uma dimensão única de verdade. Tudo num caminho evolutivo que se avalia como sem regresso. Só assim se provoca a fusão de almas, o inflamar dos corpos, a plenitude dos seres, a busca do apocalipse dos sentidos, a divina glória do êxtase na vulcânica explosão de mil orgasmos...

26
Dez19

Beijo Calmo

Gil Saraiva

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59. Beijo Calmo, lenifico e sereno na troca de olhares entre quem beija e quem recebe, coopera e se deleita. Depois… bem, depois vem o toque quase que casual das mãos, um contacto que assenta no pulsar das paixões e das sensações. Uma proximidade que sente a existência dos corações por debaixo das vestes do tempo, entre a derme e a lava excitada de cada um dos corpos. Depois, ahhhhhhh, depois a troca de sorrisos como se ambos fossem rouxinóis já feitos companheiros cantando noite adentro. Por fim, no apogeu crescente deste acontecer, os lábios estão prontos para se fundirem felizes na serenidade matutina de um ameno despertar de verão, na perfeita singularidade exclusiva de um beijo, que se degusta lentamente no palato íntimo dos egos que transmutam, com talhe ímpar, sentidos em sentimentos.

18
Dez19

Beijo na Boca

Gil Saraiva

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50. Beijo na Boca, clássico, sempre romântico, absolutamente sensitivo, sensual e desejado pelas partes, pois apenas nestas circunstâncias os lábios se encontram, se cruzam e entrecruzam, na busca de sentimentos tornados sentidos, na demanda comum de uma felicidade que se sente bem perto e para a qual a solução se encontra nessa entrega simples, carinhosa e devotada, desinibida e tão evidentemente atraente. O Beijo na Boca é sempre algo bem fácil de concretizar desde que os olhares se entendam, desde que as arritmias sejam uníssonas, desde que duas bocas se transmutem numa só.

16
Dez19

Beijo Bêdado

Gil Saraiva

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48. Beijo Bêbado, como se este fosse o produto acabado e abusado de um excelente vinho tinto "made in Portugal", de cor vermelho rubi, com bordo magenta a combinar com os lábios que o transferem. Com aromas de boa fruta, num todo bem composto, elegante e devidamente proporcionado. Aplicado aos odores singelos que se trocam na partilha e na magia das formas em questão, em que a boca confirma a elegância e a compostura com fruta sincera e expressiva, proporcionando um beijo alegre e agradável, que dá prazer. Ou, dito de outra forma, em que a boca experimenta a pele macia, o cheiro a mulher, a alegria e a vivacidade experimentada ao ponto de nos embebedar os sentidos e os sentimentos se não ficarmos por um beijo apenas e, em vez disso, nos embebedarmos nele, e nos seguintes, numa embriaguez total.

03
Dez19

Beijo Artístico

Gil Saraiva

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35. Beijo Artístico, onde a forma e o enquadramento ganham vida envolvidos em vários detalhes tais como a humidade dos lábios, o calor da pele da recetora, o luxo gasto no tempo para o preparar, os odores suaves sentidos na afinidade dos Phs, o ambiente pormenorizadamente criado envolvendo a escolha do local, a luz do dia, as fragrâncias selecionadas de maneira a inebriar o meio, o vestuário usado disfarçando detalhes menos convidativos, a exclusividade da escolha, a arte de transmitir o sorriso bem-disposto de uma amizade com futuro, de um conhecimento que se inicia, de uma partilha que se deseja, de um sonho que se quer sentir real, vivido e alcançado. Toda esta preparação requer vontade, desejo, sinceridade e empatia, não apenas de quem oferece o beijo como, principalmente, de quem o acolhe. No final está tudo no que ambos os olhares disserem nesse instante em que as almas não sabem mentir…

29
Nov19

Beijo Ardente

Gil Saraiva

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31. Beijo Ardente, excitante e excitado, aquele que provoca a inceneração figurativa dos corpos em desejo impregnado de sensualidade e sexo, de volúpia e lascívia, de prazer e deleite, de carne e luxúria, de concupiscência e ambição, ou seja, ele é o ato que alcooliza os sentimentos, que droga os sentidos, que vícia o espirito, que projeta a alma para universos paralelos onde reina a emoção e que obriga o coração a bombar sangue como se do dilúvio divino se tratasse, tal a abundância frenética de hormonas correndo maratonas, num vai e vem infernal, entre dois seres fundidos num fogo imenso que se alimenta de vida e de paixão.