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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visível o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, tudo o que a imaginação me permite

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Beijo de Sim

363 sim.jpg363. Beijo de Sim, um beijar que embora comece dependente de uma resposta da pessoa com que se divide, reparte e sublima, ao se obter a confirmação através do sim, vindo do outro lado com clareza. É aí que o beijo ganha asas, tempo, intensidade, conforto e carisma, já nada tendo a ver com o porque não, com qualquer hesitação, afrontamento nervoso ou agonia de carácter. É, então, que desafia as leis da física pela velocidade com que dos lábios o beijo chega ao coração e daí invade todo o universo, resumido nas três letras que formam a palavra sim, qual buraco negro da afirmação positiva de um sentimento que tudo absorve.

 

 

 

Beijo Desperdiçado

 

093 - desperdiçado.jpg

94. Beijo Desperdiçado por tanta gente, mas encontrado por alguém. Dividido por dois de forma simples. Perfeito na arquitetura, natural na construção, eloquente na entrega, desejado pelo querer, elementar na criação, mas apenas sonhado por aqueles que por algum motivo o perderam. Um beijar ainda às portas do inverno, quase que adormecido pelas estações do frio. Porém, finalmente desperto pelos executantes e num ápice tranquilamente pronto para provocar arritmias. Exige simbiose e afeto, carinho e ternura. Desenvolve emoções nesse ato praticado com a vontade explicita de conquistar almas, vidas, seres… sim, seres que se beijam por um desejo puro de sentir, de experimentar felicidade, de não perder pitada.

Poemas de um Haragano: Achas de um Vagabundo – Um Poema

 

 

        XVI

 

"UM POEMA"

 

Um poema

Nada tem de silencioso,

Mágico ou natural,

É sim um grito mudo

Do amago de quem escreve

Para a essência de quem lê...

 

Se for ouvido é música divina,

É arte,

É voz...

 

Mas se na valeta

Do esquecimento

Ele cair

Então

O poeta morreu uma vez mais,

Mas não sem antes sofrer muito

Para além do suportável

Pelo comum dos mortais...

 

Quantos de nós,

Muito além desse sentido,

A que chamamos de audição,

Escutamos realmente o grito mudo?

 

Quantos de nós ouvimos

No marasmo do nosso cotidiano

Um só poema?

 

"-Depende..."

Dirão os mais sensíveis...

"-Eu acho que sim!"

Afirmarão os convencidos

Pelas lições que a vida

Lhes foi dando...

"-Eu escuto..."

Dirás tu

Com medo da tua própria voz...

 

Um poema

Nada tem de silencioso,

Mágico ou natural,

É sim um grito mudo

Do amago de quem escreve

Para a essência de quem lê...

 

Haragano, O Etéreo in Achas para um Vagabundo

(Gil Saraiva)

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