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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Beijo de Sorte

373 - sorte.jpg373. Beijo de Sorte, poder dizer que existe a quem o entregar, poder ter a certeza que será bem-vindo, poder sentir o seu cheiro nos invadir e nos mutar, poder olhar e ver que está sorrindo, poder condensar uma vida num instante, poder saber a quem nos devemos dedicar, poderemos descobrir no espaço flutuante, poder aprender como é, o que se quer e para onde se vai, é poder dar um beijo de sorte. Poder ter quem se quer e estar a onde estamos, poder por fim amar, sentir, vibrar e descobrir que sabemos voar, é poder dizer que este beijo será, como a criança nascendo sem problemas, como o palácio que depois se ri do boi, como o raio que cai sem que se tema, como o Sol descendo no crepúsculo do horizonte, como a vida que se faz para lá do medo, como a água que se bebe de uma fonte e como a gota de água que por fim nos mata a sede, mais do que qualquer coisa que importe, um verdadeiro beijo de vida, beijo de sorte.

 

 

 

Poemas de um Haragano: Nos Caminhos da Flor – Não Leias…

 

         IX

 

"NÃO LEIAS..."

 

Não leias...

Não leias estes versos

Meu amor,

Eles, que são pra ti,

Não deves ler

Pois não podes, jamais,

Pensar saber

Que meros versos são...

Uns sem valor...

 

Não leias estes versos...

Por favor...

 

Neles, faminto vivo

Por viver,

Neles, razão tu és

Deste meu ser,

Neles, eu nada sou

Sem teu calor...

.

Não leias estes versos

Que te escrevo,

Não pode o teu amor

Calhar-me à sorte,

Não tenho as quarto folhas

Num só trevo

Se na roda da vida

Tenho a morte...

 

Não leias estes versos

Sonho terno

Se eu em teu existir

Não for eterno...

 

Não leias estes versos

Que falam de um de nós

Que apenas minha mente

E minha voz

Inventaram de forma inconsistente...

 

Não leias estes versos...

Estou doente!...

Como podes tu ler

Esta passagem

Se mais real que tu

É uma miragem!...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos Da Flor

(Gil Saraiva)

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