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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

Beijo Encantado

102 - encantado.jpg103. Beijo Encantado, qual profecia com três mil anos, que vem de boca a boca sendo contada pelas anciãs. O milagre acontece sempre e de cada vez que o evento tem lugar, mas apenas ocorre nas devidas circunstâncias. É preciso estar em tempo de Lua Cheia, mesmo no ponto máximo do crescendo das marés, ter como fundo um universo limpo de estrelas se perdendo até onde a vista alcança, conseguir chegar ao ponto mais elevado de todo o espaço circundante junto à natureza, seja floresta, serra ou pico apenas, vestir de branco ou negro e, abraçando a dama desejada, cruzar as cabeças, fundindo lábios nos lábios num momento que tem de instante tanto como de infinito. Por fim o sapo vira príncipe, a bela acorda sem saber que esteve adormecida, o bem vence e o amor triunfa…

Beijo Bolero de Ravel

052 - bolero de Ravel.jpg

53. Beijo Bolero de Ravel. Primeiro ela quase não dá conta da presença dele. Imagine que se encontra sentada num banco de jardim. Aos poucos, sem saber bem porquê, pressente qualquer coisa, a sensação é de emoção como se algo estivesse para acontecer, sente as pulsações aumentarem, sente-se inquieta, como por magia. Num virar de face, vê-o ao seu lado sentado no banco, a brisa que corria parece ter-se sentado também e um arrepio a percorre de cima a baixo. Os olhos dele vagueiam já entre o seu olhar e os seus lábios e, sem se dar conta, entreabre a boca e ele fecha-a na sua numa fusão perfeita de lábios e línguas. O verão parece ter chegado nesse instante, a menina sente uma gota de suor descer para lá do ventre, o seu coração dispara e o bolero parece encher o universo; de repente acorda, é o despertador a dizer que são horas de se levantar…

Poemas de um Haragano: Nos Caminhos da Flor – Abaixo-assinado

 

                II

 

"ABAIXO-ASSINADO"

 

Pelo sorriso

Dos teus olhos...

 

Pelo prazer

Dos teus lábios...

 

Pela suavidade

Da tua pele...

 

Pelo odor

Do teu ser...

 

Pela felicidade

Da tua presença...

 

Pelo amor mais profundo...

 

Eu,

Abaixo-assinado,

Declaro que te amo,

Com toda a força

Dos elementos

E com o poder

Do universo

Que me constitui,

Para sempre!...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos Da Flor

(Gil Saraiva)

Poemas de um Haragano: Terra de Vénus – Sentir Camoniano

 

                 VII

 

"SENTIR CAMONIANO"

 

Amor é eterno nada e universo;

É ilusão que muito e pouco dura;

É muita fome ter quando há fartura;

É viver o contrário do inverso;

 

É um calado estar quando converso;

É doença que não procura a cura;

É seta que não faz qualquer rotura;

É submarino coração emerso;

 

É vela acesa que apagada existe;

É o sonho do homem acordado;

É a felicidade de estar triste...

 

Mas como podes ter tu sublimado

Este sentir, Camões, que descobriste

P’rá ‘inda ser presente o Amor passado?...

 

 

Haragano, O Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)

Poemas de um Haragano: Terra de Vénus – É Apenas Amor

                IV

 

"É APENAS AMOR"

 

É apenas amor, mas se isso é tudo

Como posso viver tão longe agora?

Como sorrir à dor que me devora

Se o espelho cada vez é mais sisudo?

 

Como posso viver se esta demora

Me afasta de teu ventre de veludo?

É apenas amor o grito mudo

Que dentro do meu peito, em fogo, chora!...

 

É apenas amor, por ti, amor...

Meu olhar turvo, a voz meio abafada,

A mão dormente, o corpo sem calor,

 

O vazio da mente enevoada...

Tem apenas amor meu Universo

E já nem forças tenho pra outro verso!...

 

Haragano, O Etéreo in Terra de Vénus

(Gil Saraiva)

Poemas de um Haragano: Livro XXI - Bahia

 

 

     II

“BAHIA”

 

Primeiro a Via Láctea,

Galáxia nossa no Universo imenso…

Uma vez localizada

Procurar a agulha no intenso

Palheiro celestial

E, quando encontrada,

Desvendar por fim o Sistema Solar,

Berço do nosso bem, do nosso mal,

Coisa nossa, casa, terra, lar…

 

Depois… depois o Sol, os Planetas… olha a Terra…

Oceanos, continentes… paz e guerra…

E, já focando os trópicos, bem mais perto,

Avistar o azul e o verde da Bahia,

Imagem inversa do deserto,

De mata atlântica, em total harmonia,

Brilhando plena à luz do Astro Rei,

Jóia maior que descrever nem sei…

Eis a Bahia finalmente…

Imagem sagrada que se guarda qual tesouro,

Que brilha mais do que ouro,

Num verde e azul por si só tão reluzente…

E quase gemo e grito:

Isso… Bonito!

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)

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