Serve este local para tornar visivel o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados os meus pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, toda a parafernália que a imaginação e a veia me for dando.

10
Fev 19

Miga451.JPG

 


09
Fev 19

A Peça do Chinês2.jpg

CRÓNICAS DE UM VAGABUNDO

EPISÓDIO 110

Parte II

A PEÇA DO CHINÊS - E VIERAM OS ANJOS…

Vindo do nada, qual raio fulminante, oriundo dos quintos de algum sítio que desconheço, uma dor aguda atingiu-me na zona que normalmente designo por bandulho, transformando-me numa espécie de boneco de trapos, daqueles que têm o mesmo ar idiota de um certo anúncio de amaciador de roupa que vemos na televisão de tempos em tempos, atirando-me ao chão.

Primeiro fiquei de joelhos, propícia posição para a época festiva que se aproximava, e depois, de rastos, armado em comando em prova de choque. Com dificuldade lá me consegui transportar até um leito onde instintivamente adotei a posição fetal que durante nove meses me protegeu há 55 anos atrás. A situação era de tal configuração, dramática e aflitiva, que, por breves instantes, quase que entendi pelo que passam as vítimas da guerra em Aleppo e outros locais semelhantes.

Precisando de ajuda divina lá se encontrou a alternativa mais próxima através do apelo aos Anjos da Noite, uma organização empresarial que envia médicos ao domicílio, sem asas infelizmente e de aspeto bastante humanoide, que cobra preços verdadeiramente demoníacos pelos serviços prestados. A mim calhou-me uma doutora que, a julgar pelo rosto e pela ausência de formas, pouco deveria por certo à divina intervenção do Altíssimo.

Falhou o diagnóstico, pois como me doía a pança apontou para gastrite, mas nem por isso tive desconto, nem o tratamento apontado me tirou as vertigens. o suor frio e as dores que, por essa altura, já me faziam imaginar uma miraculosa gravidez em momento de parto, sem dilatação e a necessitar de fórceps. Porém, a referida desasada lá aconselhou que era melhor chamar os bombeiros e ir para o hospital. Nada a criticar, todos os anjos são bem-intencionados.

Difícil é imaginar dois bombeiros a levar o meu incapacitado metro e oitenta e dois, escada abaixo, três pisos até à rua, num prédio sem elevador, edificado muito cedo no princípio do último século do milénio passado. Penso que a gravidade acabou por ajudar a colocar os 80 quilos de massa, contorcida e em guerra consigo própria, que me representava na maca da viatura dos soldados da paz.

Cheguei às urgências do céu algum tempo depois, ao hospital que dá pelo nome de São Francisco Xavier, onde fui alvo de carinho e atenção. Mas consegui imaginar como se sente o rato num laboratório, passando pelo raio x, análises sem fim, três ecografias, quatro médicos e um cirurgião, onze enfermeiros e seis auxiliares, soro, cateteres, medicação intravenosa e sei lá que mais, acabei, por isso mesmo por descobrir que provavelmente estava mais num purgatório, onde iria passar três dias (pareceram cinco horas) e, dos quais, confesso, não tive grande consciência, principalmente depois da chegada da "Santa Morfina dos Aflitos"…

Gil Saraiva


08
Fev 19

 

A PeçaChinesa.jpg

CRÓNICAS DE UM VAGABUNDO

EPISÓDIO 110

Parte I

A PEÇA DO CHINÊS - O ANTES…

Corria a véspera dos idos de dezembro de 2016, segundo o antigo calendário romano, pelas 20 horas, mais coisa, menos coisa, e eu, sentado placidamente no sofá, fazia o balanço dos últimos dias.

Iria no dia seguinte à cirurgia plástica na Clínica Ibérico Nogueira (uma visita quase de rotina para remover uma dúzia e meia de pontos do rosto junto aos glóbulos oculares, fruto duma intervenção efetuada cinco dias antes, onde me livrara de três monstruosos quistos, que me desfiguravam o fácies ameaçando seriamente um dos meus nervos óticos). Sorri, lá pelo facto de me julgar poeta não me estava a ver de pala no olho, qual Camões dos tempos modernos, menos inspirado talvez, mas igualmente convicto de possuir alguma sensibilidade no que ao dom da escrita diz respeito.

O médico, de quem a clínica herdara o nome, tinha sido supereficiente, o que abonava a favor da fama que dele se apregoa no meio, mas, mais ainda, a favor da minha amiga que simpaticamente mo tinha indicado.

Enfim, aos 55 anos não me podia queixar em demasia. Já tinha passado por alguns episódios de saúde menos felizes, mas saíra sempre deles airosamente e sem grandes consequências para o futuro.

Olhei para o relógio à direita do sofá e dei-me conta que era tempo de tratar dos "comes". Seria um jantar frugal, uma coisa simples pois a fome não abundava nessa segunda-feira calma e pachorrenta. Avancei para a cozinha e iniciei as tarefas a que me tinha proposto. Ouvi o bater das 21 horas já eu ia nos "finalmentes" da preparação da janta. Uns bifinhos de frango, que eu próprio fatiara, temperados com muito alho, picante, vinho branco corrente, algumas gotas de limão e uma mistura de ervas onde o manjericão e os coentros predominavam, acompanhados por umas batatinhas cozidas em água e sal, a ser regadas por um claro e fluido molho de manteiga. Eis senão quando o inesperado aconteceu…

Gil Saraiva


05
Ago 11

 

   XVI

 

"SEM..."

 

Para ser um mito

De alguém

Eu teria de existir

Antes de ser,

De ter vivido

Antes de existir,

De ser sonhado

Antes de conhecido ser...

 

Porém,

Por tudo isso...

Não passo de simples rumor

Nas gargantas

De quem nunca me imaginou...

 

Sou um Vagabundo Dos Limbos,

Sou Haragano, O Etéreo,

Condenado a não sentir

O cheiro da rosa...

 

Sem que uma pétala

Deslize entre meus dedos,

Qual torrente de um rio

Com margem certa...

 

Sem que um espinho

Me prove que o sangue

Ainda corre em minhas veias...

 

Sem que a beleza de uma flor

Me cegue de amor,

Qual rosa do rio

Que murmura segredos de infinito

Em meus ouvidos...

 

Sou um Vagabundo Dos Limbos,

Haragano, O Etéreo,

Prisioneiro do aroma suave

De uma simples flor,

Mas longe de ganhar raízes

Nas profundezas íntimas

Desse botão aberto ainda

Sem destino...

 

Nos caminhos da flor,

Qual seiva

Que alimenta a planta,

Eu continuo

Sem rumo

Meu caminho para a extinção...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

(Gil Saraiva)


31
Jul 11

 

     XI

 

"O FIO..."

 

Que o meu grito aos astros

Se oiça nos confins do firmamento...

 

E que o seu eco se espalhe

Pelo infinito mundo das mensagens...

 

Que eu seja entendido

Ao menos uma vez...

 

Minhas palavras

São lágrimas de limbos

Que para se entenderem

Têm de ser sentidas

Por quem, como eu,

Chora o deserto para que nele

Uma flor possa nascer...

 

Se eu choro lágrimas de vagabundo

É porque estou condenado

A procurar um fim prá solidão...

 

Porque a solidão

Tem saída neste labirinto...

Mas quantos encontram

O caminho certo?

 

Quantos conhecem

O homem solitário,

Este ser que existe nas memórias

De quem com ele,

Um dia,

Foi feliz...

 

Vem amor, vem,

Juntos descobriremos o fio

Que nos conduz

À luz dos sentimentos,

Ao fim da sentença eterna

De vaguearmos perdidos pelos limbos...

 

Vem amor, vem,

Que o fio da vida

Pode a qualquer hora terminar...

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

(Gil Saraiva)


26
Jul 11

 

          VI

 

"EU ESPERO"

 

Penso sozinho, eu sei,

Na solidão...

E o silêncio, nas sombras,

Não me ajuda...

Apenas faz crescer

Minha paixão...

Apenas me corrói

E me tortura

Em processos de mágoas

E loucura!...

 

E como se agrava a minha dor...

Em mil momentos de pavor...

Pois quanto mais eu penso,

Mais eu sei,

O quanto me dói

E me magoa,

Ter na solidão a voz amiga

Ou um riso cínico de intriga!...

 

Onde estará o meu amor?

Será que me deseja

Ou que me insulta?

E pensará em mim

A flor oculta?

Porque será que amar

Também é dor...?

 

Talvez se sinta só,

Para além das estrelas,

Através de imaginária ponte...

Através da linha do horizonte

Vem com as ondas do mar,

Vem para amar...

 

Espuma de raiva incontida

De querer e me não ter,

Mas de ser vida...

Mas de ser Ser...

 

Ela sabe, ao certo,

Que a desejo...

Me conhece bem

Em cada beijo...

Ai! Como posso eu

Viver sem ela...?

 

Eu quero o meu amor aqui,

Comigo...

Brilhando com o brilho

De uma estrela!...

 

Sinto algures alguém...

Sinto um respirar na escuridão...

E sinto mesmo

Sem sentir ninguém

Porque oiço bater um coração,

No silêncio dos limbos

Que não vejo,

No escuro vagabundo

Onde desejo,

Qual Haragano,

Um Etéreo ser,

Sem forma definida...

 

Eu a verei até,

Talvez, quem sabe,

Um outro Inverno...

 

E esperarei de pé,

Mesmo que a força acabe,

Na calote cristalina, glaciar,

No frio gelado de tão externo...

 

Se tiver de aguardar...

Aguardarei...

Aguardarei por meu amor eterno!...

 

Como um raio de Sol ela será...

Tão radiante

O gelo fundirá...

Nada esconderá o seu semblante!...

 

Viajar pela noite viajarei...

Guiando-me pela luz sem ter sinais...

A luz do seu amor, do meu amor,

A luz dos nossos ideais!...

 

E agora, por fim, nada mais digo...

Sei... sou... desejo... quero...

Eu sei meu amor o que consigo:

"-Amor acredita... Amor... eu espero!..."

 

Haragano, O Etéreo in Nos Caminhos da Flor

(Gil Saraiva)


01
Jul 09

o Puxador...

publicado por Gil Saraiva às 10:13
Palavras Chave: , , , ,

Fevereiro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9


18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28


Seja Bem vindo ao Twitter
Follow JJGilSaraiva on Twitter
Sites Mais Úteis - Directório de Páginas Web em Portugal

Busca na web
Aonde.com - outros serviços: Download, Jogos e BuscaUrl
O Vagabundo

ver perfil

seguir perfil

2 seguidores

pesquisar neste blog
 
Certificado
Site certificado
voos
voos baratos lisboa
voos baratos roma
+ Blogs
maisblogs.net
Blog Top Sites
Humor Blogs - Blog Top Sites
blogs SAPO