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Desabafos de um Vagabundo

Serve este local para tornar visível o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, tudo o que a imaginação me permite

Serve este local para tornar visível o pensamento do último dos vagabundos que conheço: EU! Aqui ficarão registados pensamentos, crónicas, poemas, piadas, quadros, enfim, tudo o que a imaginação me permite

Beijo de Verão

403 - verão.jpg403. Beijo de Verão, em tons de rubro e laranja, quente na forja, refrescante no tocar da face ou boca feminina. Oferecido com a única intenção de arrancar, sem esforço, um simples olhar que se vê sorrir. Um beijo aquecido à luz do astro rei. Sem outras exigências, regras ou imposições, que não sejam as de gerar a humidade fresca e reconfortante de um toque de lábios intumescidos. Um beijar unicamente oferecido pela amizade recebida nos sorrisos trocados, entre bebidas frescas, numa esplanada à sombra. Um beijo que ressua a musicalidade das ondas do mar, oferecendo esse som ambiente à companhia fresca de umas ostras afrodisíacas. Um beijo de verão assim que, de talho simples, nos afaga as almas, nos conforta o corpo e nos apimenta este despretensioso ato de beijar.

 

 

 

Apresentação da Minha Coleção Primavera-Verão. Modelo T-S-1

     T-Shirt "Dar-o-Nó"

DSCF3468.JPG

 Excelente para jovens viúvas que querem arranjar um novo marido

DSCF3469.JPG

Vista mais à distância dá para entender que quem usa esta peça está disposta a abandonar uma tristeza, regressar à beleza das formas simples e serenas e a ir à luta novamente, de forma arejada e fresca. O Laço, simples, mas bem colocado, como a armadilha de um hábil caçador. Atrai a vítima, digo, o pretendente, sem se desmascarar em demasia.

 

Gil Saraiva

Poemas de um Haragano: Livro XXI – Portaló – Mil Amores

 

           IV

 

“MIL AMORES”

 

No ar

O som das aves é vida,

É luz que brilha atrevida,

É música, é alegria

Cantada como por magia

Em tom de felicidade

Com força, com garra, com vontade…

 

Pelas calçadas e valados

De um cinza feito de matizes,

Onde desponta aqui e ali a cor da terra,

Pelos arbustos salpicados

Entre o verde das copas

E o amarelo das raízes,

Por entre tons do morro

Que lembram serra,

Pelo verde da erva tão garrido,

Pelas pétalas que o tornam colorido,

Por toda a parte enfim,

Pairam aromas mil

De mil e uma flores,

Pairam partes de mim

Enfeitiçado pelo verão primaveril,

Por Portaló,

Por mil amores…

 

Haragano,o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)

Poemas de um Haragano: Livro XXI – Rústica Entrada

 

                         I

 

“ RÚSTICA ENTRADA”

 

Quem chega

O porto atravessa

E o portal;

Se de barco chegou

É natural

Que no verde pasmem os olhos,

Sem pressa,

Porque a paisagem

É de ritual,

De verdes, aos molhos

Das árvores caindo

De todos os tons,

O chão colorindo,

Bichos, gente, sons…

 

A dois passos somente

O Portaló,

Ali, alegremente,

Como um sol-e-dó,

Parece,

Pela rústica entrada,

Convidar quem passa,

A prolongar a estada,

Com seu ar de graça…

 

Haragano, o Etéreo in Portaló

(Gil Saraiva)

Poemas de um Haragano: Livro XX - Estrela

 

"ESTRELA"

 

 

Na noite hiper-estrelada procurei

Sob o brilho do Verão, à Lua Cheia,

A estrela mais brilhante da cadeia...

Mas desse cintilar todo encontrei

 

Apenas uns reflexos, mera grei,

Coisas pequenas como a Cassiopeia,

Sem alma, sem chama ou epopeia...

Na noite hiper-estrelada eu tentei

 

Achar o diamante mais perfeito,

Um tal que me aplacasse a agonia

Da saudade inflamada no meu peito...

 

Na noite hiper-estrelada fez-se dia,

Ao encontrar a Estrela, amor, enfim,

Brilhando nos teus olhos para mim!...

 

 

Haragano, O Etéreo in Livro de Um Amor

(Gil Saraiva)

Poemas de um Haragano: Livro XX - A Vida

 

“A VIDA…”

 

 

Por entre o vento e frio da terra agreste,

Por entre a chuva agora copiosa,

Vendo nuvens de forma volumosa

Vindas do cardinal de noroeste,

 

Vejo surgir o Sol no brilho infindo,

Da figura que chega mais formosa

Do que uma Primavera gloriosa

Que pelo mês devia já ter vindo…

 

És tu que chegas perto, meu amor,

Com o Sol nos cabelos trazes luz,

Com um brilho dos olhos que seduz

 

Até a terra fria e sem calor…

Obrigando o Inverno à despedida,

Vem! Qual Verão tropical tu és a vida…

 

 

Haragano, o Etéreo in Livro de Um Amor

(Gil Saraiva)

Poemas de um Haragano: Livro XX - A Abelha

 

 

“A ABELHA”

 

Como um zangão perdido andava eu,

Sem rumo, sem destino, sem um lar,

De flor em flor sem néctar apanhar,

Sem Sol, sem luz, sem meta ou apogeu…

 

Era uma vida vã, num escuro breu,

De flor em flor sem asas pra voar,

Um inútil zangão que só, sem par,

Pouco tinha pra dar, pouco de seu…

 

Por fim chegou um dia a Primavera,

Por toda a parte flores despontavam,

Em voo livre abelhas já voavam,

 

Mas eram para mim como quimera…

Só no Verão, vestindo a cor vermelha,

Chegaste tu, meu mel, tu… minha abelha…

 

 

Haragano, O Etéreo in Livro de Um Amor

(Gil Saraiva)

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